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Pare de
se Julgar
Amado Osho,
Eu estou constantemente me criticando e julgando as outras pessoas.
Isso me faz sentir dividido e tenso, e eu não posso estabelecer
um contacto verdadeiro com as pessoas, ou a natureza. Eu quero
abrir o meu coração e não sei como fazer
isso.Por favor, Você pode dizer algo sobre isso?
Toda a nossa educação
é tão feia, todo o nosso desenvolvimento é
tão errado, que ele joga fora toda a possibilidade do seu
crescimento interior e lhe dá idéias estúpidas
que não têm nenhuma relevância no que tange
à sua alegria, à sua compreensão e à
sua maturidade.
A toda criança
se diz, de mil modos, para criticar a si mesma, assim, isso não
é apenas um problema seu. Se diz sempre a ela que ela está
errada em tudo. Devagar, devagarinho, ela pega a doença
de criticar a si mesma. E uma pessoa que se critica não
pode perdoar os outros. Como você pode perdoar? - pelas
mesmas razões, ela critica os outros. Toda a sua vida simplesmente
se torna uma condenação - condenar-se, condenar
os outros. Então, o amor se torna impossível, a
amizade se torna impossível, e ela simplesmente sofre.
E o que ela está criticando é tão absurdo!
(...)
Os pais vivem fazendo
tudo aquilo que eles criticam na criança. E ela fica observando
- e a observação dela é muito mais clara.
Sua inteligência ainda está crescendo: ela pode ver
que a mesma coisa pela qual ela está errada, os pais estão
certos. Eles estão vendo televisão até tarde
da noite - eles estão certos -, e ela deve ir dormir antes
das nove horas. Pouco a pouco ele fica acostumada a essas coisas
e começa a sentir: “Eu sou errada. Tudo que eu faço
é errado.”.
Certa vez, eu perguntei
ao meu pai: “Você me dirá uma vez, algum dia,
só uma vez: ‘O que você está fazendo
está certo.’? Será que você não
pode ver que é impossível se fazer tudo errado durante
vinte e quatro horas por dia, trezentos e sessenta e cinco dias
por ano... tudo errado? Se isso é verdade, eu realmente
estou realizando algo miraculoso. Faça uma exceção
- só uma vez, diga-me: ‘O que você está
fazendo está certo.’.”.
Ele ficou chocado,
porque ele compreendeu o significado do que eu estava dizendo,
que é impossível que eu pudesse fazer tudo errado.
Mas os pais gostam
da idéia, porque ela é muito preenchedora: é
a sede de poder. Sempre que você diz “Não.”
para alguém, sempre que você diz “Você
está errado.” para alguém, você se sente
poderoso. Alimenta o seu ego e alimenta o ego de todo mundo -
dos professores, dos vizinhos. Onde quer que a criança
vá, todo mundo usufrui da sede de poder, e a criança
é esmagada. E quando tanta gente está dizendo que
ela é errada, naturalmente, ela tem de acreditar.
Mas lembrem-se
de que, como uma reação, ela começa a julgar
os outros. Quando todos a estão julgando, não há
nenhuma razão para que ela não julgue os outros.
Você a está ensinando a julgar, a julgar a todos
- e, tanto quanto possível, a julgar negativamente. Então,
ela começa a julgar que os outros estão errados.
E este é
o nosso mundo... onde todos estão se julgando errados e
julgando aos demais como errados. Como você pode ser amoroso,
amigável, confiante? Como você pode abrir o seu coração?
Você ficará isolado, ficará completamente
fechado, viverá em um mundo que você condena e o
mundo o condenará.
Não é
esta uma bela situação, mas você tem que compreender;
perguntar-me “Como abrir o meu coração?”
não é a pergunta verdadeira. A verdadeira pergunta
é saber como você conseguiu fechá-lo.
Pare de julgar.
Seja o que for
que esteja fazendo, se você gosta do que faz, faça-o.
Não existe a questão do julgamento: nenhuma outra
pessoa tem o direito de dizer que o que você está
fazendo está errado. Se você gosta de fazê-lo,
não está ferindo ninguém, não está
perturbando ninguém... Mas este é um mundo esquisito...
(...)
Pouco a pouco a
pessoa tem de se afirmar, deixar claro sua posição.
A menos que eu passe por cima do direito de outra pessoa... -
se eu estou fazendo algo de que estou gostando e que não
veja ser prejudicial de modo algum, então, eu não
permitirei a ninguém julgar-me, porque não se trata
apenas da questão deste ato, trata-se de uma questão
de toda a minha vida. “Você está me ensinando
uma muito sutil doença de julgamento.” E, quando
eu condeno a mim mesmo, como posso deixar alguém sem condenação?
(...)
Primeiro, naturalmente,
você julga a si mesmo de todo modo. Nenhum homem é
perfeito, e nenhum homem jamais pode ser perfeito - a perfeição
não existe -, assim, o julgamento é muito fácil.
Você é imperfeito, assim, há coisas que mostram
sua imperfeição. E, depois, você fica com
raiva, com raiva de si mesmo, com raiva do mundo todo: “Por
que eu não sou perfeito?”.
Depois, você
olha apenas com uma só idéia: descobrir imperfeições
em todo mundo. E depois, você quer abrir o seu coração...
- naturalmente... porque, a menos que você abra o seu coração,
não há nenhuma celebração em sua vida;
sua vida é quase morta. Mas você não pode
fazê-lo diretamente: você terá de destruir
toda essa educação, desde suas verdadeiras raízes.
Assim, a primeira
coisa é esta: pare de se julgar. Ao invés de julgar,
comece a aceitar-se com todas as suas imperfeições,
todas as suas debilidades, todos os seus erros, todos os seus
fracassos. Não peça a si mesmo para ser perfeito
- isso é, simplesmente, pedir pelo impossível e,
depois, você se sentirá frustrado. Você é
um ser humano, afinal de contas.
Olhe para os animais,
para os pássaros; nenhum deles está preocupado,
nenhum deles está triste, nenhum deles está frustrado.
Você não vê um búfalo dando fricote.
Ele está perfeitamente contente, mascando a mesma grama
todos os dias. Ele é quase iluminado. Não há
nenhuma tensão: há um tremenda harmonia com a natureza,
com ele mesmo, com tudo como é. Os búfalos não
criam partidos para revolucionar o mundo, para tornar os búfalos
em superbúfalos, para tornar os búfalos religiosos,
virtuosos. Nenhum animal está interessado nas idéias
humanas.
E eles todos devem
estar rindo: “O que aconteceu a vocês? Por que você
não pode ser apenas você mesmo, como você é?
Qual é a necessidade de ser uma outra pessoa?”.
Assim, a primeira
coisa é uma profunda aceitação de você
mesmo.
(...)
Quando você
diz que você se julga, isso é algo tomado emprestado.
As pessoas julgaram-no, e você deve ter aceito as idéias
delas sem nenhuma investigação. Você está
sofrendo de todas as espécies de julgamento das pessoas,
e você está jogando esses julgamentos nas outras
pessoas. E todo esse jogo desenvolveu-se além da proporção
- a humanidade inteira está sofrendo disso.
Se você quiser
livra-se disso, a primeira coisa é esta: não se
julgue. Aceite humildemente sua imperfeição, seus
fracassos, seus erros, suas faltas. Não há nenhuma
necessidade de fingir outra coisa. Seja você mesmo: “É
assim mesmo que eu sou, cheio de medo. Eu não posso andar
na noite escura, não posso ir lá na densa floresta.”.
O que há de errado nisso? - é humano.
Uma vez que você
se aceite, você será capaz de aceitar os outros,
porque você terá um clara visão interior de
que eles estão sofrendo da mesma doença. E a sua
aceitação deles, os ajudará a aceitarem-se.
Nós podemos
reverter todo o processo: aceite-se. Isso o torna capaz de aceitar
os outros. E porque alguém os aceita, eles aprendem a beleza
da aceitação pela primeira vez - quanta tranqülidade
se sente! - e eles começam a aceitar os outros.
Se a humanidade
inteira chegar ao ponto onde todo mundo é aceito como é,
quase noventa por cento da infelicidade simplesmente desaparecerá
- ela não tem fundamentos - e os seus corações
se abrirão por conta própria e o seu amor estará
fluindo.
Neste exato momento,
como você pode amar? Quando você vê tantos erros,
tantas fraquezas... - como você pode amar? Você quer
alguém perfeito. Ninguém é perfeito, assim,
você tem de aceitar um estado de não-amor, ou aceitar
que não importa se alguém não é perfeito.
O amor pode ser compartilhado, compartilhado com todas as espécies
de pessoas. Não faça exigências.
O julgamento é
feio - ele fere as pessoas. Por um lado, você vai machucando,
ferindo-as; e por outro lado, você quer o amor delas, seu
respeito. Isso é impossível.
Ame-as, aceite-as
e, talvez, seu amor e respeito possa ajudá-las a mudar
muitas de suas fraquezas, muitas de suas falhas - porque o amor
lhes dará uma nova energia, um novo significado, uma nova
força. O amor lhes dará novas raízes para
se erguerem contra os ventos fortes, um sol quente, a chuva forte.
Se apenas uma única
pessoa o ama, isso o faz tão forte, que você nem
pode imaginar. Mas, se ninguém o ama neste vasto mundo,
você fica simplesmente isolado; então, você
pensa que é livre, mas você está vivendo numa
cela isolada em uma cadeia. É que a cela isolada é
invisível; você a carrega consigo.
O coração
abrirá por si mesmo. Não se preocupe com o coração.
Faça o trabalho preparatório.
OSHO, The Transmission
of the Lamp, # 1
Osho
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