| 
Jornal
O Legado - Muitos conhecem a Diana
professora, mas quem é a Diana empresária?
Diana Prem Zeenat
- Alberto, interessante você levantar
essa questão, pois nunca parei para pensar
nisso, ser uma empresária; só
sei que cuido com amor e dedicação
quase integralmente dessa minha utopia e do
Otávio que é a Escola Humaniversidade
Holística.
Nunca
dei importância para títulos ou
rótulos. O Otávio Leal sempre
fica me chamando de a "melhor terapeuta"
que ele conheceu na vida e eu fico o repreendendo
por isso. Sinto que a formação
de uma pessoa não se dá só
pelos títulos, diplomas e PHD’s,
e sim pelos mestres, buscas, reflexões
e aprendizados na escola chamada Vida, e insisto
sem ficarmos presos a títulos.
Cuido
e administro da Escola Humaniversidade Holística
há 13 anos e aprendi essa função
através de longos processos que incluíram
erros, acertos, decisões, ações,
atitudes diversas. Tive muito mais acertos do
que erros, até porque aprendo demais
com o que não deu certo. Foi através
dos supostos fracassos que consegui muito crescimento,
aprendizado e transformações na
vida, com isso posso motivar nossos alunos,
clientes e colaboradores a conseguir o mesmo.
Me sinto feliz de fazer parte desse propósito
maior que é formar, contribuir e expandir
a consciência dos seres humanos, e me
sinto também imensamente grata por todos
que trabalham comigo: professores, funcionários
e todos os nossos alunos; pois um de meus mestres,
o Osho, pediu que formássemos alguns
dos melhores terapeutas do planeta. Sem nossos
colaboradores, isso seria impossível.
JOL
- Nos conte como foi administrativamente o ano
de 2008 para a Humaniversidade.
Diana
Prem Zeenat - Em 2008 foi um ano de
muito trabalho, investimento de energia e reestruturação,
pois o objetivo da Humaniversidade é
ser uma escola original, inventiva, vanguardista
com metodologia pedagógica própria
de alto nível e para seguir nosso Dharma.
Um
de meus maiores objetivos pessoais foi realizar
mais com menos esforço, pois além
de cuidar de todo o administrativo da Humaniversidade,
também ministro aulas, dirijo grupos
e sempre estou fazendo formações
e treinamentos. Sei também que preciso
de muito equilíbrio e criatividade para
trabalhar e me dedico muito a isso.
Quando
falei de reestruturação e investimento
na Humaniversidade quero dizer em tempo, valores
e perseverança em todos os processos
internos da empresa e inclusive na minha forma
de administrar, pois para fazer mais com menos
esforço e equilíbrio é
necessário agir com inteligência
e lidar com as resistências daqueles que
não querem cooperar ou crescer como pessoa,
e isso, você sabe Alberto, é muito
comum no planeta. Sinto que faltam líderes
habilidosos e autênticos e quero estimular
isso em nossos colaboradores. O desenvolvimento
de um líder é um desafio que causam
profundas transformações, amadurecimento
e é necessário persistência,
tenho certeza dos resultados a médio
e longo prazo.
Ao
final de nossos cursos, solicitamos aos alunos
que façam uma avaliação
da escola. A maioria absoluta é nota
10 e com depoimentos que me emocionam de tão
lindos. Observe que só pedimos que avaliem
a Humaniversidade quem é formado, quem
vai até o fim, porque eles tiveram dedicação,
persistência e compreensão do nosso
propósito e dos nossos valores. Somente
quem passa por nossas formações
incorporam os ensinamentos aqui transmitidos
na vida tem a capacidade em fazer sugestões
criativas e construtivas que nos ajudam a melhorar
nossa qualidade.
JOL
- Como você vê a dupla Diana-Otávio
dentro da Humaniversidade?
DPZ
– Em 15 anos trabalhando juntos, passamos
por muitos altos e baixos construtivos. Otavio
já foi meu professor, amigo, mestre,
companheiro, sócio, ex-marido, parceiro
e tudo que é possível numa relação
entre duas pessoas. Tudo em nós dois
é muito intenso, ambos são ascendentes
leão com gênios fortes e tendência
a ser motivados pelo simples fato de respirar
e não gostamos que ninguém diga
o que podemos ser ter ou fazer. Valorizamos
demais a liberdade e assim aprendemos com a
parceria a desenvolver o respeito e a tolerância
em nossas diferenças. O Otávio
sonha muito e eu sou bem mais pé no chão.
Aconteceram
momentos que tivemos que tomar algumas decisões
entre continuarmos juntos ou separarmos e como
você pode ver superamos todas as dificuldades
e estamos juntos. Hoje ele é minha família,
meu cúmplice e temos uma relação
muito forte e realmente produzimos muitas coisas
boas juntos e muitas pessoas se beneficiam com
isso.
Sinto
que superamos todos os dias as dificuldades
que vão surgindo e com isso desenvolvemos
nossas capacidades e habilidades de respeito,
amor e compaixão aceitando as adversidades.
Aprendi e transformei muito a minha vida ao
lado do Otavio ele é um ser surpreendente
e me sinto feliz e abençoada por ele
fazer parte da minha vida.
JOL
– Dizem que você é o segredo
do Otávio (risos), que a administração
da Humaniversidade tem que ter o seu aval. Você
como sócia da empresa pode nos esclarecer
esse sucesso e essa harmonia societária?
Afinal é por esse quesito que hoje você
é citada como a Empresária Holística
do Ano.
DPZ
– Sinto que tem muito haver com o que
já falei anteriormente. Temos uma relação
de confiança, respeito, admiração,
amor, superação, cumplicidade,
paciência e principalmente inteligência
nas negociações, pois uma parceria
só pode ter êxito e sucesso quando
ambos reconhecem seu papel e eu sei muito bem
quais são os meus pontos fortes e fracos
e o Otávio também, quanto eu ser
o segredo do Otávio acho que não
concordo, pois todo mundo sabe que ele é
habilidoso em muitas áreas, porém
em administrar não é o forte dele
rsrsrs
JOL
– Quais são suas ambições
para 2009, as ambições particulares,
as de sua profissão e as para a Humaniversidade
sob sua regência?
DPZ
– Para 2009 quero continuar focada em
obter maior harmonia, organização
pessoal e distribuir melhor meu tempo para outras
áries da minha vida, pois percebo que
a verdadeira prosperidade e felicidade só
podem ser obtidas de forma integral, quando
dedicamos tempo para espiritualidade, saúde,
família, relacionamentos, trabalho/profissional,
estudos, lazer e contribuição
planetária. Com isso também poderei
continuar fazendo o que já faço
com muito mais excelência e entusiasmo,
pois meu maior propósito é contribuir
fazendo a diferença positiva na vida
de todos a minha volta gerando prosperidade,
consciência e transformação.
Mesmo cuidando plenamente da Humaniversidade
sou uma meditadora e quero sempre ser. Ano retrasado
fiquei três meses na Índia mediando
e passei pelo processo Diksha com o guru Sri
Bhagavan e Ama e fiquei muito tempo em absoluto
silêncio e recebi essa iniciação
mística que para mim foi um grande presente
e hoje posso transmitir essa energia do Diksha.
Já participei em inúmeros retiros
de diversos assuntos com foco em meditação
e espiritualidade na Holanda e na escola do
Osho em Poona, Índia e também
no Brasil e pretendo aprofundar minhas praticas
e pesquisas em técnicas terapêuticas,
desenvolvimento, crescimento e despertar da
consciência humana.
JOL
– Que dica você pode dar para os
empresários holísticos que estão
começando e para aqueles que já
estão estabilizados e que desejam crescer
empresarialmente?
DPZ
– Se eu pudesse dizer quais são
as atitude que fazem a diferença para
ser bem sucedido na área das terapias
naturais holísticas, diria: meditação
e auto-liderança e aconselharia:
Primeiro:
tenha um verdadeiro propósito, tenha
seus valores e critérios bem definidos
e viva por eles. O Dalai Lama ensina: Antes
de mudar o mundo dê uma volta em seu quarteirão.
Gosto muito disso.
Segundo:
invista em você, esteja aberto
a aprender com tudo e todos, pois o conhecimento
de si é um dos nossos maiores patrimônio.
Otávio sempre ensina que um terapeuta
deve saber e cuidar, saber de si e cuidar do
planeta.
Terceiro:
conhecimento sem ação, atitude,
sem pratica não serve para nada, portanto
esteja disposto a trabalhar com paixão,
garra, entrega e amor sem esperar nada em troca,
pois será uma conseqüência.
Quarto:
tenha um planejamento de vida por escrito para
te dar foco e direção. Desde que
sai da roça em Nova Bréscia, interior
do Rio Grande do Sul com 14 anos da idade que
escrevo tudo o que quero em minha vida e tem
dado certo. Também, é claro, confio
muito na existência e faço Reiki
em cima de meu caderno de metas pessoais.
Quinto:
nunca permita que outros digam o que você
pode ser, ter e fazer. Assuma o controle de
suas ações, palavras e pensamentos
isso é responsabilidade e maturidade.
Sexto:
respeite as leis do universo principalmente
da causa e efeito. Em todos seus atos reflita
se estas sendo justo para si e para o próximo.
Hoje vivemos em um mundo que valoriza demais
o egoísmo e a falta de justiça.
Em nossa escola dentre outros vários
valores, a idéia de justiça é
fundamental.
Poderia
ficar horas falando sobre isso, mas acho que
essas são valiosas dicas.
JOL
– Como você encontra força
para dirigir essa escola que é uma das
maiores do Brasil?
DPZ
– Medito sempre em uma história
do Lama Surya Das e nela observo que por eu
ter saúde, amar o que eu faço,
ter muitos alunos amigos, uma família
maravilhosa, ser muito amada enfim.... não
tenho o direito de perder o pique. O Lama Surya
Das conta uma historia que me inspira:
“Quase
toda a Índia está cheia de mendicantes
maltrapilhos que vivem ao relento. Muitos dormem
sob pontes ou encontram abrigo temporário
contra os elementos sob as marquises de estações
de ônibus ou de trem ou mesmo perto de
bicas e latrinas de beira de estrada. Há
alguns anos, quando eu era jovem, ainda na casa
dos vinte, viajava pela Índia naqueles
ônibus caindo aos pedaços nos quais
se percorre centenas de quilômetros por
25 centavos de dólar. Um dia desci do
trem na estação de Mathura, perto
do Taj Mahal. O sol estava se pondo, e vi um
grupo de crianças esmolando. Um deles
era um menino com elefantíase. Não
devia ter mais do que dez anos e estava enrolado
em um pedaço de saco. Aproximou-se mancando,
pedindo uma esmola. Mancava muito, um dos pés
do tamanho de uma bola de futebol. Tinha olhos
enormes e parecia estar morrendo de desnutrição.
Fiquei tão surpreso e comovido com sua
aparência que não sabia o que fazer.
Dei-lhe um punhado de rúpias, brutalmente
consciente da insignificância da minha
esmola. O menino ficou encantado e correu de
volta para as outras crianças. Suas expectativas
na vida eram tão mínimas que ficava
feliz com algumas miseráveis notas de
papel.
O menino morava ao relento,
portanto provavelmente perdera os pais. A aparência
física confirmava que perdera a saúde
também. Seus olhos diziam que também
já perdera a esperança. Sua situação
era bastante séria, e não havia
muito que eu pudesse fazer. Ele era tão
jovem e perdera tanta coisa. Mesmo assim, ainda
ficava contente, mesmo que brevemente. Meu coração
se partiu.
Geralmente sou duro
em se tratando de sentimentos. Como muitos de
minha geração, e provavelmente
de outras gerações também,
aprendi a proteger e isolar aquele ponto frágil
no coração que é tão
vulnerável a perdas, dor e tristeza.
Mas quando vi aquele menino comecei a chorar
com a enormidade de sua situação
e de todas as outras crianças carentes.
Sendo um americano que não sabe o que
é carência, o fato me colocou em
perspectiva. Foi o presente do menino para mim,
e ao contrário das poucas rúpias
que eu lhe dera era um presente enorme.
Aqui no Ocidente não
estamos preparados para uma perda tão
grande assim. Presumimos que um certo nível
de conforto estará sempre garantido.
Quando vemos na mídia fotos de crianças
com fome em outros países, ficamos tristes,
mas tudo nos parece muito distante. Vemos comerciais
de televisão, seriados e filmes glamourosos,
e esperamos viver vidas lindas, agradáveis,
cheias de sol, saúde, alegria e amor.
Afinal, somos os heróis e heroínas,
os "mocinhos" de nossas próprias
vidas. E os mocinhos sempre ganham. Mocinhos
não perdem. Ao contrário das crianças
indianas, somos criados com grandes expectativas.
Para muitos de nós, a parte mais difícil
da perda é exatamente a destruição
das expectativas.
As pessoas ficam desconfortáveis
quando se aproximam da perda. Se as coisas dão
errado em nossa vida, ficamos surpreendidos
ao descobrir que sentimos vergonha, como se
tivéssemos que esconder algo. Ouvimos
demais que "todos gostam de vencedores"
e que "ninguém gosta dos perdedores".
Entretanto temos consciência de que até
mesmo os supostos "vencedores" sofrem
grandes perdas.”
JOL
– E para encerrarmos nossa entrevista
nos dê a sua opinião sobre o nosso
jornal.
DPZ
– Para ser franca é um dos poucos
jornais escritos que leio. É importantíssimo
ter um veiculo que divulga os terapeutas do
Brasil e escolas que realmente são éticas
e fazem o bem para o planeta e por nossa área.
Vocês estão de parabéns.
|