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Bondade
e Compaixão
ESTA
NOITE, gostaria de falar a vocês sobre a importância
da bondade e da compaixão. Ao discutir esses temas, não
me vejo como budista, Dalai Lama ou tibetano, mas sim como um ser
humano e espero que vocês, no auditório, pensem em
si mesmos dessa maneira. Não como americanos, ocidentais
ou membros de um determinado grupo, pois essas condições
são secundárias. Se interagirmos como seres humanos,
podemos chegar a esse nível. Caso eu diga "sou monge"
ou "sou budista", as afirmações serão,
em comparação com a minha natureza de ser humano,
temporárias. Ser humano é básico. Uma vez nascido
assim, não se poderá mudar até a morte. Outras
condições, ser ou não instruído, rico
ou pobre, são secundárias.
Hoje,
enfrentamos muitos problemas. Alguns são criados essencialmente
por nós mesmos, com base em diferenças de ideologia,
religião, raça, situação econômica
ou outros fatores. Chegou, portanto, o momento de pensarmos em níveis
mais profundos. Em nível humano, condição essa
que deveremos apreciar e respeitar em todos os que nos cercam. Devemos
construir relacionamentos baseados na confiança mútua,
na compreensão, no respeito e na solidariedade, independentemente
de diferenças culturais, filosóficas ou religiosas.
Todos
os seres humanos são iguais. Feitos de carne, ossos e sangue.
Todos queremos a felicidade e evitar o sofrimento e temos direito
a isso. Em outras palavras, é importante compreender a nossa
igualdade. Pertencemos todos a uma família humana. O fato
de brigarmos uns com os outros deve-se a razões secundárias,
e todas essas discussões são inúteis. Infelizmente,
durante muitos séculos, os seres humanos usaram todos os
métodos para ferir uns aos outros. Muitas coisas terríveis
aconteceram, resultando em mais problemas, mais sofrimento e desconfiança.
E, consequentemente, em mais divisões.
O
mundo hoje está cada vez menor em vários aspectos,
particularmente o econômico. Os países estão
mais próximos e interdependentes e, nesse quadro, torna-se
necessário, pensar mais em nível humano do que em
termos do que nos divide. Assim, falo a vocês apenas como
um ser humano e espero, sinceramente, que vocês estejam escutando
com o pensamento: "Sou um ser humano e estou ouvindo outro
ser humano falar".
Todos
queremos a felicidade; nas cidades, no campo, mesmo em lugares remotos,
as pessoas trabalham com o objetivo de alcançá-la,
entretanto, devemos ter em mente que viver a vida superficialmente
não solucionará os problemas maiores.
Há
muitas crises e medos à nossa volta. Por meio do grande desenvolvimento
da ciência e da tecnologia, atingimos um estado avançado
de progresso material, que é necessário. Não
podemos, no entanto, comparar o progresso externo com nosso progresso
interior. As pessoas queixam-se do declínio da moralidade
e do aumento da criminalidade, mas esses problemas não serão
resolvidos, se não procurarmos desenvolver nosso interior.
No
passado remoto, se houvesse uma guerra, os efeitos seriam geograficamente
limitados, porém hoje, em função do progresso,
o potencial de destruição ultrapassou o concebível.
No ano passado estive em Hiroshima, no Japão. Mesmo tendo
informações a respeito da explosão nuclear
lá ocorrida, era muito diferente estar no local, ver com
meus próprios olhos e encontrar pessoas que realmente sofreram
com aqueles acontecimentos. Fiquei profundamente emocionado. Uma
arma terrível tinha sido usada. Embora possamos considerar
alguém como inimigo, temos de levar em conta que essa pessoa
é um ser humano e que tem direito a ser feliz. Olhando para
Hiroshima e refletindo a respeito, fiquei ainda mais convencido
de que a raiva e o ódio não são meios para
solucionar problemas.
A
raiva não pode ser superada pela raiva. Quando uma pessoa
tiver um comportamento agressivo com você e a sua reação
for semelhante, o resultado será desastroso. Ao contrário,
se você puder se controlar e tomar atitudes opostas "compaixão,
tolerância e paciência", não só se
manterá em paz, como a raiva do outro diminuirá gradativamente.
Do mesmo modo, problemas mundiais não podem ser solucionados
pela raiva ou pelo ódio. Sentimentos como esses devem ser
enfrentados com amor, compaixão e pura bondade.
Pensem
em todas as terríveis armas que existem, mas que, por si
mesmas, não podem iniciar uma guerra. Por trás do
gatilho há um dedo, movido pelo pensamento, não por
sua própria força. A responsabilidade permanece em
nossa mente, de onde se comandam as ações. Portanto,
controlar em primeiro lugar a mente é muito importante. Não
estou falando de meditação profunda, mas apenas de
cultivar menos raiva e mais respeito aos direitos do outro. Ter
uma compreensão mais clara da nossa igualdade como seres
humanos.
Ninguém
quer a raiva, ninguém quer a intranqüilidade, mas por
causa da ignorância somos acometidos por sentimentos como
esses. A raiva nos faz perder uma das melhores qualidades humanas,
o poder de discernimento. Temos um cérebro bem desenvolvido,
coisa que outros mamíferos não têm. Esse órgão
nos permite julgar o que é certo e o que é errado.
Não apenas em termos atuais, mas em projeções
para daqui dez, vinte ou mesmo cem anos. Sem nenhum tipo de pré-cognição,
podemos utilizar nosso bom senso para determinar o certo e o errado.
Imaginar as causas e seus possíveis efeitos. Contudo, se
nossa mente estiver ocupada pela raiva, perderemos o poder de discernimento
e nos tornaremos mentalmente incompletos. Devemos salvaguardar essa
capacidade e, para tanto, temos de criar uma companhia de seguros
interna: autodisciplina, autoconsciência e uma clara compreensão
das desvantagens da raiva e dos efeitos positivos da bondade. Se
refletirmos a respeito dessas questões com freqüência,
podemos incorporar a idéia e, então, controlar a mente.
Por
exemplo: pode ser que você seja uma pessoa que se irrita facilmente
com pequenas coisas. Com desenvolvida compreensão e conscientização,
isso pode ser controlado. Se você fica geralmente zangado
por dez minutos, tente reduzi-los para oito. Na semana seguinte,
reduza para cinco e, no próximo mês, para dois. Depois,
passe para zero. É assim que desenvolvemos e treinamos nossa
mente. É o que penso e também o que pratico.
É
perfeitamente claro que todos necessitam de paz interior, que só
pode ser alcançada por meio da bondade, do amor e da compaixão.
O resultado é uma família em paz, felicidade entre
pais e filhos, menos brigas entre casais. Em uma nação,
essa atitude pode criar unidade, harmonia e cooperação
com saudável motivação. Em nível internacional,
precisamos de confiança e respeito mútuos, discussões
francas e amistosas, com motivações sinceras e um
esforço conjunto no sentido de resolver problemas. Tudo isso
é possível.
Precisamos,
porém, mudar interiormente. Nossos líderes têm
feito o melhor que podem para resolver nossos problemas, mas, quando
um é resolvido, surge outro. Tenta-se solucionar este, surge
mais um em outro lugar. Chegou o momento então de tentar
uma abordagem diferente.
É
certamente difícil realizar um movimento mundial pela paz
de espírito, mas é a única alternativa. Caso
houvesse outro método mais fácil e prático,
seria melhor, porém não há. Se com armas pudéssemos
chegar à paz duradoura, muito bem. Transformaríamos
todas as fábricas em produtoras de armamentos. Gastaríamos
todos os dólares necessários, se conseguíssemos
a definitiva paz, mas tal é impossível.
As
armas não permanecem empilhadas. Uma vez desenvolvidas, alguém
irá usá-las. O resultado é a morte de criaturas
inocentes. Portanto, a única maneira de atingirmos uma paz
mundial duradoura é por meio da transformação
interior. E, mesmo que essa transformação não
ocorra durante esta vida, a tentativa terá sido válida.
Outros seres humanos virão; a próxima geração
e as seguintes. E o progresso pode continuar. Sinto que, apesar
das dificuldades práticas, e, mesmo correndo o risco de que
tal visão seja considerada pouco realista, vale a pena o
esforço. Assim, aonde quer que eu vá, expresso essas
idéias e sinto-me muito motivado porque mais pessoas têm
sido receptivas a elas.
Cada
um de nós é responsável por toda a humanidade.
Chegou a hora de pensarmos nas outras pessoas como verdadeiros irmãos
e irmãs e nos preocuparmos com seu bem-estar. Mesmo que você
não possa se sacrificar inteiramente, não deverá
esquecer-se das dificuldades dos outros. Temos de pensar mais sobre
o futuro em benefício de toda a humanidade. Se você
tentar dominar seus sentimentos egoístas e desenvolver mais
bondade e compaixão, em última análise, você
é quem irá sair beneficiado. É o que chamo
de egoísmo sábio. Pessoas egoístas tolas só
pensam em si mesmas, e o resultado é negativo. Egoístas
sábios pensam nos outros, ajudam da melhor forma e também
colhem os benefícios. Essa é minha simples religião.
Não há necessidade de templos ou de filosofias complicadas.
Nosso próprio cérebro, nosso coração
são nossos templos. A filosofia é a bondade.
Fonte:
http://www.dharmanet.com.br/dalai/
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Yauch
entrevista S.S. O Dalai Lama
ADAM: Poderia falar sobre a responsabilidade universal?
DALAI LAMA: Eu acredito que o perdão, a bondade e a compaixão
são qualidades importantes porque sevem como um fundamento
para a calma e estabilidade mentais, e o futuro da humanidade depende
disso. É meu dever, como cidadão deste planeta, contribuir
o melhor que eu puder para a o bem-estar universal. A tecnologia
está transformando o mundo em uma comunidade global e todos
nós estamos relacionados uns com os outros. Muitas das questões
atuais, tais como a destruição do meio ambiente e
os sistemas econômicos em vigor, transcendem as fronteiras
e portanto são questões globais. Então, todos
precisam compartilhar de um senso de responsabilidade universal.
Sempre achei que as pessoas são as mesmas, em todos os lugares.
As diferenças de raça, cultura e religião não
são importantes. Já que somos todos os mesmos, precisamos
ter um senso de responsabilidade pelo bem-estar de cada um.
ADAM:
E como poderíamos ver o entendimento budista de interdependência
nos termos de direitos humanos?
DALAI LAMA: A violação dos direitos humanos hoje é
um sintoma com causas subjacentes; então, para reduzir ou
remover completamente as violações dos direitos humanos,
precisamos lidar primeiro com suas causas. Poderiam ser motivos
políticos ou econômicos. Em alguns casos, as violações
de direitos humanos podem ser baseadas em vingança pessoas
ou por parte dos governantes. Então, poderiam haver muitos
motivos subjacentes para as violações dos direitos
humanos.
ADAM:
Poderia falar um pouco sobre a situação do Tibet?
DALAI LAMA: Sim, mas primeiro devemos achar alguma base comum para
o nosso diálogo e nossas negociações. Estou
pronto para negociar, em qualquer lugar, a qualquer hora, sem pré-condições.
A coisa mais importante, em qualquer lugar ou hora, é um
ambiente livre para trocar diferentes idéias. A independência
pertence legitimamente aos tibetanos. Desde que os chineses ocuparam
o Tibet, e apesar de algumas mudanças positivas, as pessoas
têm sofrido tremendamente, imensamente. Como resultado, a
maioria do povo tibetano, incluindo os jovens comunistas tibetanos,
não querem viver sob a dominação chinesa. Mas
também não é realista pensar na independência
completa. Então, eu estou procurando um Caminho Intermediário.
ADAM:
Nós não estamos esperando muito para lidar com esta
situação?
DALAI LAMA: No conflito bósnio, senti que a comunidade internacional
estava atrasada. Estes eventos infelizes tinham muitas causas e
condições que tomaram anos para se desenvolver. Se
tivéssemos tomado conhecimento na época em que estas
causas e condições estavam se desenvolvendo, talvez
teria sido muito mais fácil lidar com elas. Exceto se nós
fizermos uma investigação no nível causal,
exceto se nós tivermos uma atenção específica,
muitas vezes não é muito visível o que está
errado. Não é sempre óbvio que as causas estão
construindo uma crise potencial; depois percebemos que deveríamos
ter tido maior atenção com o que estava acontecendo.
ADAM:
Eu ouvi você dizer, em entrevistas anteriores, que as autoridades
chinesas, apesar de terem causado tanto destruição
no seu país, têm sido um grande mestre para você.
Muitas vezes, no Ocidente, é realmente mais fácil
ver seus inimigos como inimigos e seus amigos como amigos.
DALAI LAMA: Os conceitos de "amigo" e "inimigo"
realmente dependem de muitas condições. A verdade
é que o status de nossos amigos e inimigos pode mudar em
um ano, uma década ou muitas décadas. Nossos inimigos
não são necessariamente inimigos permanentes, nem
nossos amigos são amigos permanentes. Acho que nossas percepções
de "amigo" e "inimigo" dependem de nossas atitudes
mentais. Na realidade, inimigos e amigos não possuem um status
permanente. Por causa disso, você pode se encorajar em práticas
de troca de idéias, que podem permitir que você faça
a mudança dentro de si.
ADAM:
Os não-budistas podem praticar essa troca de idéias?
DALAI LAMA: Os cristãos acreditam que todos os seres foram
criados por Deus; então, mesmo no senso cristão, todos
os seres são irmãos e irmãs. Nessa base, você
pode praticar a troca de idéias. Mesmo os não-cristãos
podem praticar a troca de idéias com seus amigos. Mas não
sei sobre estender isso aos seus inimigos (risos). Talvez você
deva esperar até que o inimigo lhe dê um presente (mais
risos).
ADAM:
Foi difícil ser reconhecido como o Dalai Lama quando era
jovem?
DALAI LAMA: Como um jovem garoto, às vezes eu pensava que
seria mais fácil ser uma pessoa comum do que ser o Dalai
Lama. Geralmente, eu tinha esses sentimentos sozinho em minha sala
no Palácio Potala, que era muitas vezes frio e desconfortável.
Eu queria ver as crianças voltando para casa, após
cuidarem dos animais, e ouvi-las cantando e rindo, enquanto eu tinha
que ficar sentado em minha sala solitária e recitar orações
difíceis. Mas quando cresci, eu entendi o objetivo da vida,
que para mim é viver pelo benefício da humanidade
e dos seres suscetíveis. Os humanos têm inteligência
e determinação, e podemos usar estas qualidades para
encarar nossos problemas. Também é bom que existam
os desafios, pois deste modo podemos exercer estas qualidades. Deste
ponto de vista, saber que somos capazes de solucionar nossos próprios
problemas pode nos dar força interior.
ADAM:
Como nós, enquanto indivíduos, podemos contribuir
para melhorar o mundo?
DALAI LAMA: Eu sinto que, como indivíduos, precisamos desenvolver
a compaixão e um senso de fraternidade. Por compaixão,
não entendo simplesmente como sentir complacência.
A compaixão propriamente dita significa um sentimento de
proximidade com os outros e, junto com isso, um senso de responsabilidade.
Acredito que, ao nascer, todos os seres humanos estão livres
da ideologia mas não da afeição. Apesar do
ódio e dos sentimentos negativos serem parte da natureza
humana, o amor e a compaixão dentro de nós são
ainda maiores.
Fonte:
http://www.dharmanet.com.br/dalai/
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Pensamentos
Minha
mensagem é a prática do amor, da compaixão
e da bondade. Estas qualidades são muito úteis para
vivermos nosso cotidiano mais harmoniosamente, e também muito
importantes para a sociedade humana como um todo.
Uma
profunda compaixão é a raiz de todas as formas de
adoração.
Onde
quer que eu vá, sempre aconselho as pessoas a serem altruístas
e bondosas. Tento concentrar toda a minha energia e força
espiritual na disseminação da bondade. É o
que há de mais essencial.
A
bondade é o que realmente importa. A bondade, o amor e a
compaixão combinados são sentimentos que levam à
essência da fraternidade. São os alicerces da paz interior.
Com
sentimentos de ódio e rancor, é muito difícil
alcançar a paz interior. Neste sentido, as religiões
e crenças são convergentes. Em todas as grandes religiões
do mundo, a ênfase é no espírito de fraternidade.
São
os inimigos que verdadeiramente nos ensinam a vivenciar sentimentos
de compaixão e tolerância. As guerras surgem porque
não há compreensão do lado humano das pessoas.
Ao invés de conferências e encontros políticos,
por que não convocar as famílias a fazerem um piquenique
para que se conheçam mutuamente, enquanto suas crianças
brincam juntas?
Nos
tempos antigos, quando havia uma guerra, o embate era corpo a corpo.
O vitorioso entrava em contato direto com o sangue e o sofrimento
do inimigo durante a batalha. Hoje, as guerras adquiriram uma proporção
muito mais horrenda. Um homem, sentado em uma sala, aperta um botão
e mata milhões de pessoas instantaneamente, sem ao menos
ver o sofrimento humano que infligiu. A mecanização
da guerra e a automação do conflitos humanos são,
cada vez mais, uma ameaça à paz mundial.
Sempre
acreditei que a determinação humana e a verdade prevaleceriam
sobre a violência e a opressão. No mundo de hoje, em
todos os lugares, há mudanças importantes ocorrendo,
que poderão afetar profundamente nosso futuro e o futuro
da humanidade, bem como nosso planeta. Decisões corajosas
por parte de vários líderes mundiais propiciam a resolução
pacífica de conflitos. A esperança de haver paz, preservação
do meio ambiente e uma abordagem mais humana aos problemas do mundo
parece estar mais presente que nunca.
Ninguém
pode prever o que acontecerá em algumas décadas ou
séculos, por exemplo, qual o impacto que o desflorestamento
terá sobre o clima, o solo, as chuvas. Temos muitos problemas
porque as pessoas estão centradas em seus próprios
interesses, em ganhar dinheiro e não estão pensando
no bem-estar da comunidade como um todo. Não estão
pensando na Terra a longo prazo, e nos efeitos ambientais adversos
sobre o homem. Se nós, da atual geração, não
refletirmos sobre estas questões agora, as gerações
futuras não terão como lidar com elas.
Muitos
de nós juntam-se sob o mesmo sol resplandecente, falando
línguas diversas, vestindo indumentárias diferentes
e até mesmo possuindo crenças distintas. Contudo,
nós todos somos idênticos como seres humanos e individualmente
únicos. Desejamos todos, indistintamente, a felicidade e
não o sofrimento.
Mesmo
que não possamos resolver certos problemas, não devemos
nos frustrar. Como humanos devemos enfrentar a morte, a velhice
e doenças, que, tal qual um furacão, são fenômenos
naturais que fogem ao nosso controle. Devemos enfrentá-los,
não podemos evitá-los. São sofrimentos que
já bastam em nossa vida. Por que criarmos mais problemas
por apego à nossa ideologia ou porque pensamos de maneira
diferente? É inútil e triste! Milhões de pessoas
sofrem com esse tipo de problema. É um verdadeiro desperdício,
visto que podemos evitar o sofrimento adotando uma atitude diferente
e reconhecendo a humanidade à qual as ideologias deveriam
servir.
Rancor,
ódio, ciúme: não é possível encontrar
a paz com eles. Podemos resolver muitos de nossos problemas por
meio da compaixão e do amor. Só assim nos desarmaremos
e encontraremos a verdadeira felicidade. Uma das maiores virtudes
é a compaixão. A compaixão não pode
ser comprada numa loja de departamentos ou fabricada por máquinas.
Ela advém do crescimento interior. Sem paz de espírito,
é impossível haver paz no mundo.
Na
nossa vida, cultivar a tolerância é muito importante.
Com tolerância, pode-se facilmente superar as dificuldades.
Caso você tenha pouca ou nenhuma tolerância, ficará
irritado com as mínimas coisas. Em situações
difíceis, terá reações extremadas. Em
minha vida, já refleti muito a respeito desta questão
e sinto que a tolerância é algo que deve ser praticado
no mundo inteiro, no seio da sociedade humana. Mas, quem nos ensina
tolerância? Pode ser que seus filhos o ensinem a cultivar
a paciência, mas é seu inimigo quem irá ensinar-lhe
a prática da tolerância. O inimigo é seu mestre.
Mostre-lhe respeito, ao invés de ódio. Dessa forma,
a verdadeira compaixão irá brotar de seu interior
e essa compaixão é a base de tudo aquilo que você
é e acredita.
Bens
e compensações materiais são absolutamente
necessários à sociedade humana, a um país,
a uma nação. Ao mesmo tempo, o progresso material
e a prosperidade somente não podem levar à paz interior.
A paz interior vem de dentro. Portanto, nossa atitude perante a
vida, perante os outros e principalmente em relação
às nossas dificuldades conta muito. Quando duas pessoas enfrentam
o mesmo problema, atitudes mentais distintas fazem com que o problema
seja de mais fácil resolução para uma pessoa
do que para outra. Desta forma, o que realmente nos diferencia é
a perspectiva interna de cada um.
Se
colocarmos os níveis de consciência mais sutis a nosso
serviço, estaremos expandindo nossa mente. Assim sendo, as
virtudes originárias da mente podem se expandir ilimitadamente.
A
compaixão e o amor são as virtudes mais preciosas
da vida. Por serem muito simples, são difíceis de
serem colocados em prática. A compaixão só
poderá ser plenamente cultivada à medida que se reconhece
que cada ser humano é parte da humanidade e pertencente à
família humana, independente de religião, raça,
cultura, cor e ideologia. A verdade é que não há
diferença alguma entre os seres humanos.
Sem
amor, a sociedade humana encontra-se em situação difícil.
Sem amor, iremos enfrentar problemas terríveis no futuro.
O amor é o centro da vida.
Se
tiver amor e compaixão por todos os seres sencientes, em
especial por seus inimigos, este é o verdadeiro amor e a
verdadeira compaixão. O amor e compaixão, nutridos
por seus amigos, esposa e filhos, não são verdadeiros
em sua essência. São apego, e esse tipo de amor não
pode ser infinito.
Insisto
em afirmar que as principais religiões do mundo — budismo,
cristianismo, judaÍsmo, confucionismo, hinduismo, islamismo,
jainismo, sikhismo, taoismo, zoroastrismo — possuem os mesmos
ideais de amor, o mesmo objetivo de beneficiar a humanidade por
meio da prática espiritual, e a mesma determinação
de aprimorar seus praticantes como seres humanos. Todas as religiões
pregam preceitos morais para o aperfeiçoamento da mente,
do corpo e da fala. Todas nos ensinam a não mentir, roubar
ou tirar a vida de outras pessoas. A essência de todos os
preceitos morais preconizados pelos grandes mestres da humanidade
é o não-egoísmo. Esses mestres tinham como
objetivo remir os praticantes de ações negativas,
frutos da ignorância, e conduzi-los ao caminho do bem.
Se
percebemos a humanidade como sendo una e singular, iremos constatar
que as diferenças são secundárias. Com atitude
de respeito e preocupação pelo próximo, experimentamos
a felicidade. Só assim criamos a verdadeira harmonia e fraternidade.
À sua maneira, tente cultivar a paciência. Modifique
sua atitude. As mudanças vêm com a prática.
A mente humana tem esse potencial. Aprenda a treiná-la.
A
nossa sombra interior, a que chamamos de ignorância, é
a raiz de todo o sofrimento. Quanto mais luz houver, menos a sombra
se manifestará. A luz é o único caminho para
a salvação, para alcançar o nirvana.
Deve
haver um equilíbrio entre o progresso espiritual e o material.
Atinge-se esse equilíbrio por meio de princípios calcados
no amor e na compaixão. O amor e a compaixão são
a essência de todas as religiões, que têm muito
a aprender entre si. O objetivo primordial de todas as religiões
é criar seres humanos mais tolerantes, mais compassivos e
menos egoístas.
Os
seres humanos são dotados de uma natureza tal que não
deveriam apenas possuir bens materiais, mas deveriam antes possuir
sustento espiritual. Sem o sustento espiritual, torna-se difícil
adquirir e manter a paz de espírito.
Para
cultivar a sabedoria, é preciso força interior. Sem
crescimento interno, é difícil conquistar a autoconfiança
e a coragem necessárias. Sem elas, nossa vida se complica.
O impossível torna-se possível com a força
de vontade.
Fonte:
http://www.dharmanet.com.br/dalai/
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Dimensões
da Espiritualidade
IRMÃOS
E IRMÃS, gostaria de falar sobre valores espirituais definindo
dois níveis de espiritualidade. Como seres humanos, nosso
objetivo básico é ter uma vida feliz; todos queremos
ser felizes. É natural, para nós, buscar a felicidade.
Esse é nosso objetivo de vida. A razão é completamente
clara: quando perdemos a esperança, o resultado é
que nos tornamos deprimidos e talvez até suicidas. Portanto,
nossa existência é fortemente enraizada na esperança.
Embora não haja garantia de que o futuro chegará,
é porque temos esperança que somos capazes de continuar
vivendo. Podemos dizer que o propósito de nossa vida, nosso
objetivo de vida, é a felicidade.
Seres humanos não são produzidos por máquinas.
Somos mais do que apenas matéria; temos sentimento e experiência.
Por essa razão, somente conforto material não é
suficiente. Necessitamos algo mais profundo, o que usualmente chamo
de afeição humana, ou compaixão. Com afeição
humana, ou compaixão, todas as vantagens materiais que temos
à nossa disposição podem ser muito construtivas
e produzir bons resultados. Contudo, sem afeição humana,
somente vantagens materiais não nos proporcionarão
satisfação, nem produzirão qualquer medida
de paz mental ou felicidade. De fato, vantagens materiais sem afeição
humana podem até mesmo criar problemas adicionais. Portanto,
afeição humana, ou compaixão, é a chave
para a felicidade humana.
O
primeiro nível da espiritualidade, para os seres humanos
de todos os lugares, é a fé em uma das muitas religiões
do mundo. Penso que há um importante papel para cada uma
das principais religiões mundiais, mas para que elas façam
uma contribuição efetiva em benefício da humanidade
do lado religioso, há dois fatores importantes a serem considerados.
O primeiro é que praticantes individuais das várias
religiões — isto é, nós mesmos —
devem praticar sinceramente. Ensinamentos religiosos devem ser uma
parte integral de nossas vidas; eles não deveriam estar separados
de nossas vidas. Algumas vezes, vamos a uma igreja ou um templo
e rezamos uma prece, ou geramos algum tipo de sentimento espiritual
e, quando saímos, nada daquele sentimento religioso permanece.
Essa não é a forma adequada de praticar. A mensagem
religiosa deve estar conosco onde quer que estejamos. Os ensinamentos
da nossa religião devem estar presentes em nossas vidas de
forma que, quando realmente precisamos ou pedimos bençãos
ou força interior, mesmo nessas horas esses ensinamentos
estarão lá; eles estarão lá quando passarmos
por dificuldades porque estão constantemente presentes. Somente
quando a religião torna-se uma parte integral de nossas vidas
é que ela pode ser realmente efetiva.
Também
precisamos experienciar mais profundamente os significados e valores
espirituais de nossa própria tradição religiosa
— precisamos conhecer esses ensinamentos não só
a nível intelectual, mas também, de forma cada vez
mais profunda, através de nossa própria experiência.
Algumas vezes entendemos diferentes idéias religiosas num
nível muito superficial ou intelectual. Sem um sentimento
profundo, a eficácia da religião torna-se limitada.
Portanto, devemos praticar sinceramente, e a religião deve
tornar-se parte de nossas vidas.
O
segundo fator refere-se mais à interação entre
as várias religiões mundiais. Hoje, por causa da crescente
mudança tecnológica e a natureza da economia mundial,
estamos muito mais dependentes uns dos outros do que antes. Diferentes
países e continentes tornaram-se mais intimamente associados
uns com os outros. Na realidade, a sobrevivência de uma região
do mundo depende da de outras. Portanto, o mundo tornou-se mais
próximo, muito mais interdependente. Como conseqüência,
há mais interação humana. Sob tais circunstâncias,
a idéia de pluralismo entre as religiões mundiais
é muito importante. Em tempos passados, quando as comunidades
viviam separadas uma das outras e as religiões surgiam num
relativo isolamento, a idéia que havia só uma religião
era muito útil. Mas agora a situação mudou,
e as circunstâncias são inteiramente diferentes. Agora
é crucial aceitar o fato de que existem diferentes religiões,
e a fim de desenvolver verdadeiro respeito mútuo entre elas
é essencial aproximar o contato entre as várias religiões.
Esse é o segundo fator que possibilitará as religiões
mundiais serem mais eficazes em beneficiar a humanidade.
Quando
estava no Tibete, eu não tinha contato com pessoas de diferentes
crenças religiosas. Assim, minha atitude em relação
às outras religiões não era muito positiva.
Mas, quando tive a oportunidade de encontrar pessoas de diferentes
crenças e aprender com essa experiência e o contato
pessoal, minha atitude para com as outras religiões mudou.
Compreendi como são úteis para a humanidade e o potencial
contributivo de cada uma para um mundo melhor. Há séculos,
as religiões vêm dando contribuições
maravilhosas para o aprimoramento dos seres humanos, e ainda hoje
há um grande número de seguidores do cristianismo,
islamismo, judaísmo, budismo, hinduísmo e assim por
diante. Milhões de pessoas estão se beneficiando de
todas essas religiões.
Para
dar um exemplo do valor do encontro de diferentes crenças,
meus encontros com o falecido Thomas Merton fizeram-me perceber
que bonita, maravilhosa pessoa ele era. Noutra ocasião, encontrei-me
com um monge católico que viveu vários anos como eremita
numa montanha bem atrás do mosteiro de Montserrat, na Espanha.
Quando visitei o mosteiro, ele desceu de sua ermida especialmente
para falar comigo. O fato de o inglês dele estar pior do que
o meu me deu mais coragem de falar com ele! Ficamos cara a cara
e perguntei, "Nesses poucos anos, o que você estava fazendo
naquela montanha?" Ele olhou-me e respondeu, "Meditação
na compaixão, no amor". Quando ele disse estas poucas
palavras, entendi a mensagem através dos seus olhos. Realmente
desenvolvi verdadeira admiração por ele e por outros
como ele. Tais experiências ajudaram a confirmar na minha
mente que todas as religiões do mundo têm o potencial
para produzir boas pessoas, a despeito das suas diferenças
de filosofia e doutrina. Cada tradição religiosa tem
sua própria maravilhosa mensagem a transmitir.
Do
ponto de vista do budismo, por exemplo, o conceito de um criador
é ilógico. É difícil para os budistas
entenderem esse conceito por causa do modo que eles analisam a causalidade.
Contudo, este não é o lugar para discutir questões
filosóficas. O ponto importante aqui é que para as
pessoas que seguem esses ensinamentos nos quais a crença
básica está num criador, esta abordagem é eficaz.
De acordo com essas tradições, o ser humano individual
é criado por Deus. Além disso, como recentemente aprendi
de um dos meus amigos cristãos, eles não aceitam a
teoria do renascimento, e assim, não aceitam vidas passadas
ou futuras. Acreditam somente nesta vida. Contudo, eles mantêm
que esta vida é criada por Deus, pelo criador, e esta idéia
desenvolve neles um sentimento de intimidade com Deus. Seu ensinamento
mais importante é que, como estamos aqui por desejo de Deus,
nosso futuro depende do criador, e porque o criador é considerado
supremo e sagrado, devemos amar a Deus, o criador.
O
que segue-se a isso é o ensinamento que deveríamos
amar nossos semelhantes — esta é a mensagem principal
aqui. O raciocínio é que se amamos a Deus, devemos
amar nossos semelhantes porque eles, como nós, foram criados
por Deus. O futuro deles, como o nosso, depende do criador, portanto,
sua situação é igual a nossa. Logo, a crença
das pessoas que dizem "Ame a Deus" mas não mostram
amor verdadeiro para seus semelhantes é questionável.
A pessoa que acredita em Deus e no amor a Deus, deve demonstrar
a sinceridade de seu amor a Deus através do amor dirigido
aos semelhantes. Essa abordagem é muito poderosa, não
é?
Assim,
se examinarmos cada religião por vários ângulos
e da mesma maneira — não apenas da nossa posição
filosófica mas de vários pontos de vista — não
pode haver dúvida de que todas as grandes religiões
têm o potencial para melhorar os seres humanos. Isto é
óbvio. Através de um contato próximo com pessoas
de outras fés, é possível desenvolver uma atitude
aberta e de respeito mútuo em relação a outras
religiões. Proximidade com diferentes religiões ajuda-me
a aprender novas idéias, novas práticas, e novos métodos
ou técnicas que posso incorporar à minha própria
prática. Da mesma forma, alguns de meus irmãos e irmãs
cristãos adotaram certos métodos budistas, como a
prática da mente unifocada e as técnicas de desenvolvimento
da tolerância, da compaixão e do amor. O benefício
é enorme quando praticantes de diferentes religiões
se unem para esse tipo de intercâmbio. Além de desenvolverem
a harmonia entre si, ganham outras benesses.
Políticos
e líderes de nações falam com freqüência
em "coexistência" e "ação conjunta".
Por que não nós, religiosos, também? Acho que
é chegada a hora. Em Assis, em 1987, por exemplo, líderes
e representantes de várias religiões mundiais se encontraram
para orar juntos, embora eu não saiba ao certo se orar é
a palavra exata para descrever com acuidade a prática de
todas aquelas religiões. Em todo caso, o que importa é
que os representantes de várias religiões se reuniram
e, conforme suas próprias crenças, rezaram. Isso já
está acontecendo e é, creio eu, muito positivo. No
entanto, ainda precisamos fazer mais esforços para aumentar
a harmonia e a proximidade entre as religiões mundiais, pois
sem um tal esforço continuaremos a vivenciar todos esses
problemas que dividem a humanidade. Se a religião fosse o
único remédio para reduzir o conflito humano, mas
se este mesmo remédio se tornasse outra forma de conflito,
seria um desastre. Hoje, como no passado, ocorrem conflitos em nome
da religião por causa de diferenças religiosas, e
acho isso muito triste. Mas, como disse antes, se pensarmos aberta
e profundamente compreenderemos que a situação atual
é inteiramente diferente do passado. Não estamos mais
isolados, mas somos interdependentes. Hoje, portanto, é muito
importante entender que um relacionamento íntimo entre as
várias religiões é essencial, para que diferentes
grupos religiosos possam trabalhar juntos e realizar um esforço
comum para o benefício da humanidade. Assim, sinceridade
e fé na prática religiosa por um lado, e tolerância
e cooperação religiosa por outro, formam este primeiro
nível do valor da prática espiritual para a humanidade.
O
segundo nível da espiritualidade — a compaixão
como religião universal — é mais importante
que o primeiro porque, não importa quão maravilhosa
uma religião possa ser, ainda assim ela é aceita somente
por um número limitado de pessoas. A maioria dos cinco ou
seis bilhões de seres humanos em nosso planeta provavelmente
não pratica religião alguma. De acordo com o seu ambiente
familiar, eles poderiam se identificar como pertencentes a um ou
outro grupo religioso — "eu sou hindu", "eu
sou budista", "eu sou cristão" —, mas
realmente a maioria desses indivíduos não é
necessariamente praticante de nenhuma crença religiosa. Isto
está correto: seguir uma religião ou não é
um direito da pessoa como indivíduo. Todos os grandes mestres,
como Buda, Mahavira, Jesus Cristo e Maomé falharam em tornar
toda a população humana voltada para a espiritualidade.
O fato é que ninguém pode fazer iss Se esses não-crentes
são chamados de ateus não importa. De fato, para alguns
estudiosos ocidentais os budistas também são ateístas,
pois não aceitam um criador. Por isso, às vezes, ao
descrever estes não-crentes, adiciono a palavra "extremo"
e os chamo de não-crentes extremos. Eles não apenas
são não-crentes mas também são extremos,
presos ao ponto-de-vista de que a espiritualidade não tem
valor. Contudo, devemos lembrar que essas pessoas também
são uma parte da humanidade e também têm, como
todos os seres humanos, o desejo de viver uma vida pacífica
e feliz. Este é o ponto importante.
Acredito
que não há problemas em permanecer não-crente,
mas enquanto você fizer parte da humanidade, enquanto você
for um ser humano, você precisa de afeição humana,
compaixão humana. Este é realmente o ensinamento essencial
de todas as tradições religiosas: o ponto crucial
é a compaixão ou afeição humana. Sem
afeição humana, mesmo crenças religiosas podem
tornar-se destrutivas. Assim, a essência, mesmo na religião,
é um bom coração. Considero que a afeição
humana, ou compaixão, é a religião universal.
Crente ou não-crente, todos necessitam de afeição
humana e compaixão, porque compaixão nos dá
força interior, esperança e paz mental. Assim, ela
é indispensável para todos.
Examinemos,
por exemplo, a utilidade de um bom coração na vida
cotidiana. Se estamos de bom humor quando nos levantamos de manhã,
com um sentimento caloroso no coração, automaticamente
está aberta a nossa porta interior para aquele dia. Mesmo
se uma pessoa pouco amistosa aparece, não nos perturbamos,
e podemos até dizer a ela alguma coisa simpática.
Mas num dia de humor menos positivo, quando nos sentimos irritados,
nossa porta interior se fecha automaticamente. O resultado é
que, mesmo se encontramos nosso melhor amigo, ficamos pouco à
vontade e tensos. Tais situações mostram a diferença
que nossa atitude interior faz nas experiências do dia-a-dia.
Precisamos, pois, a fim de criar uma atmosfera agradável
em nós mesmos, nas nossas famílias e nossas comunidades,
compreender que a fonte desse bem-estar está dentro do indivíduo,
dentro de cada um de nós — um bom coração,
compaixão humana, amor.
Uma
vez criada uma atmosfera positiva e amistosa, o medo e a insegurança
automaticamente diminuem. Assim, podemos facilmente fazer mais amigos
e criar mais sorrisos. Afinal de contas, somos animais sociais.
Sem amizade humana, sem o sorriso humano, nossa vida torna-se miserável.
O sentimento de solidão fica insuportável. É
a lei natural, isto é, pela lei natural dependemos dos outros
para viver. Se, sob certas circunstâncias, por algo estar
errado dentro de nós, nossa atitude para com nossos semelhantes,
de quem dependemos, se tornar hostil, como poderemos esperar paz
de espírito e uma vida feliz? De acordo com a natureza humana
básica, ou lei natural, a afeição — compaixão
— é a chave da felicidade. Segundo a medicina contemporânea,
um estado mental positivo, ou paz mental, também é
benéfico para a saúde física. Logo, mesmo do
ponto de vista de nossa saúde, paz e calma mental são
cada vez mais importantes. Isso mostra que o próprio corpo
físico aprecia e responde à afeição
humana, à humana paz de espírito.
Se
olharmos para a natureza humana básica, veremos que nossa
natureza é mais dócil do que agressiva. Se examinarmos
vários animais, notaremos que aqueles de natureza mais pacífica
têm uma estrutura corporal correspondente, enquanto os predadores
têm uma estrutura corporal desenvolvida de acordo com a natureza
deles. Compare um tigre com um veado. Há uma grande diferença
de estrutura física entre eles. Quando comparamos o nosso
próprio corpo com os deles, vemos que somos mais parecidos
com os veados e coelhos do que com os tigres. Até os nossos
dentes são mais parecidos com os deles, não são?
Bem diferentes dos do tigre. Nossas unhas são outro bom exemplo
— eu não sou capaz de pegar nem um rato, só
com as minhas unhas humanas. Claro, a inteligência humana
nos habilita a criar ferramentas e métodos sem os quais seria
difícil fazer muito do que fazemos. Como vêem, devido
ao nosso estado físico, pertencemos à categoria dos
animais dóceis. Acho que é nossa natureza humana fundamental
que se mostra em nossa estrutura física básica.
Diante
da situação global atual, a cooperação
é essencial, especialmente em campos como economia e educação.
O conceito de que diferenças são importantes está
agora mais ou menos ultrapassado, como demonstra o movimento por
uma Europa Ocidental unificada. Acho que esse movimento é
verdadeiramente maravilhoso e chega em boa hora. Ainda assim, esse
trabalho entre as nações não aconteceu por
causa de compaixão ou fé religiosa, mas por necessidade.
Há uma tendência crescente em direção
da conscientização global. Nas atuais circunstâncias,
um relacionamento mais íntimo com os outros tornou-se um
elemento da nossa própria sobrevivência. Portanto,
o conceito de responsabilidade universal baseado na compaixão
e num senso de irmandade é essencial. O mundo está
cheio de conflitos — por causa de ideologia, de religião
ou até entre famílias — baseados em alguém
querendo uma coisa e outra pessoa querendo outra coisa. Assim, se
examinarmos as fontes de todos esses conflitos, descobriremos muitas
fontes, muitas causas, até dentro de nós mesmos.
Nesse
meio tempo, todavia, temos o potencial e a capacidade de unirmo-nos
harmoniosamente. Tudo mais é relativo. Embora haja várias
causas de conflito, existem ao mesmo tempo muitas causas para união
e harmonia. Chegou a hora de pôr mais ênfase na união.
Também aqui, há que haver afeição humana.
Por exemplo, você pode ter uma opinião ideológica
ou religiosa diferente da de outra pessoa. Se você respeitar
o direito da outra pessoa e mostrar sinceramente uma atitude compassiva
para com ela, então não importa se a idéia
dela lhe serve, isso é secundário. Enquanto a outra
pessoa acreditar, enquanto puder se beneficiar de tal ponto de vista,
ela estará em seu absoluto direito. Então, precisamos
respeitar e aceitar o fato de que existem diferentes pontos de vista.
No campo da economia dá-se o mesmo: nossos competidores devem
obter algum lucro, pois eles também precisam sobreviver.
Quando temos uma visão mais ampla baseada na compaixão,
creio que tudo se torna mais fácil. Compaixão, mais
uma vez, é o fator-chave.
Os
conflitos mundiais estão hoje consideravelmente menos tensos.
Felizmente, agora podemos pensar e falar seriamente sobre desmilitarização.
Cinco anos atrás isso seria difícil, mas hoje a Guerra
Fria entre os Estados Unidos e a ex-União Soviética
acabou. Aos meus amigos americanos eu sempre digo: A força
de vocês não vem das armas nucleares, mas dos nobres
ideais de democracia e liberdade dos seus antepassados. Quando estive
nos Estados Unidos em 1991, pude encontrar o ex-presidente George
Bush. Na ocasião, falávamos sobre a nova ordem mundial
e eu lhe disse: Uma nova ordem mundial com compaixão é
ótimo. Sem compaixão, não tenho certeza.
Creio
que é um bom momento para pensarmos e falarmos sobre desmilitarização.
Já há sinais de redução armamentícia
e, pela primeira vez, de desnuclearização. Passo a
passo, vamos vendo uma diminuição de armas. Penso
que nossa meta deveria ser a de livrar o mundo — nosso pequeno
planeta s das armas. Isso não quer dizer, porém, que
devamos abolir todo tipo de armas. Talvez seja preciso guardar algumas,
pois há sempre algumas pessoas e grupos criando confusão
entre nós. Por precaução, e para nos resguardarmos
desses focos, poderíamos criar um sistema internacional de
forças policiais monitoradas regionalmente, que não
pertençam a nenhum país mas sejam controladas coletivamente
e supervisionadas por uma organização internacional,
como as Nações Unidas. Sem armas disponíveis,
não haveria perigo de conflito militar entre as nações,
nem haveria guerras civis.
A
guerra continua sendo, para nossa tristeza, parte da história
humana, mas acho que chegou a hora de mudar os conceitos que levam
à guerra. Certas pessoas acham gloriosa a guerra, e que através
dela podem se tornar heróis. Essa atitude comum em relação
à guerra é muito errada. Um entrevistador me disse,
um desses dias, que os ocidentais têm muito medo da morte,
mas que os orientais a temem pouco. Eu lhe respondi, em tom de brincadeira,
que para a mentalidade ocidental, a guerra e a instituição
militar parecem extremamente importantes. Guerra significa morte
— provocada, e não por causas naturais. Assim, são
vocês, ocidentais, que não temem a morte, porque gostam
tanto da guerra. Nós, orientais, principalmente nós,
tibetanos, não podemos nem pensar em guerra; lutar, para
nós, está fora de cogitação porque o
resultado inevitável da guerra é o desastre: morte,
ferimentos e miséria. Portanto, o conceito de guerra para
nós é extremamente negativo. Isso quer dizer que,
na realidade, temos mais medo da morte do que vocês, você
não acha?
Infelizmente,
alguns fatores fazem que nossas idéias sobre a guerra sejam
muito incorretas. É hora, portanto, de pensar seriamente
sobre desmilitarização. Eu senti isso profundamente,
durante e depois da crise do Golfo Pérsico. Claro, todos
culparam Sadam Hussein, e não há dúvida de
que Sadam Hussein é negativo — ele errou de muitas
maneiras. Afinal, ele é um ditador, e ditadores são
obviamente negativos. No entanto, sem sua organização
militar, sem suas armas, Hussein não seria aquele tipo de
ditador. Quem lhe forneceu as armas? Os fornecedores também
têm responsabilidade. Alguns países ocidentais lhe
forneceram armas sem medir as conseqüências.
Pensar
apenas em dinheiro, em lucrar vendendo armas, é realmente
horrível. Certa vez, encontrei uma francesa que passara muitos
anos em Beirute, no Líbano. Ela me disse, com grande tristeza,
que durante a crise em Beirute havia gente de um lado da cidade
ganhando dinheiro com a venda de armas, enquanto do outro lado,
no mesmo dia, havia gente inocente sendo morta pelas mesmas armas.
Da mesma forma, de um lado do planeta há pessoas vivendo
suntuosamente com o lucro auferido da venda de armas, enquanto pessoas
inocentes morrem do outro lado do planeta, vítimas daquelas
balas sofisticadas. O primeiro passo, portanto, é parar a
venda de armas. às vezes eu brinco com meus amigos suecos:
Vocês são mesmo maravilhosos. Mantiveram a neutralidade
durante o último conflito e sempre consideram a importância
dos direitos humanos e da paz mundial. ótimo. Mas, nesse
meio tempo, estão vendendo muitas armas. Há uma pequena
contradição aí, não há?
Assim,
desde a crise do Golfo Pérsico, prometi a mim mesmo que pelo
resto da minha vida contribuirei para avançar a idéia
da desmilitarização. No que diz respeito ao meu país,
já resolvi que, futuramente, o Tibete deverá ser uma
zona totalmente desmilitarizada. Mais uma vez, para tornar a desmilitarização
uma realidade, o fator chave é a compaixão.
Gostaria
de concluir explicando melhor o significado de compaixão,
que freqüentemente é mal entendido. Compaixão
verdadeira não está baseada em nossas próprias
projeções e expectativas, mas sim nos direitos do
outro: independentemente da outra pessoa ser um amigo íntimo
ou um inimigo, contanto que ela deseje paz e felicidade e deseje
superar o sofrimento, então, baseado nisso, desenvolvemos
respeito verdadeiro para com seus problemas. Isso é compaixão
verdadeira.
Em
geral, chamamos qualquer preocupação com um amigo
próximo de compaixão. Isso não é compaixão,
é apego. Nem casamentos duram por apego, embora o apego geralmente
esteja presente. Eles duram porque também há compaixão.
Se os casamentos duram pouco, é por perda de compaixão;
só há apego emocional baseado em projeção
e expectativa. Quando o único vínculo entre amigos
íntimos é o apego, mesmo uma questão menor
pode causar uma mudança nas projeções. Assim
que nossa projeção muda, o apego desaparece —
porque o apego estava baseado unicamente na projeção
e expectativa.
É
possível ter compaixão sem apego — e similarmente,
ter cólera sem ódio. Portanto, precisamos esclarecer
as diferenças entre compaixão e apego, e entre cólera
e ódio. Tal clareza é útil em nossa vida diária
e em nossos esforços para a paz mundial. Considero esses
valores espirituais como básicos para a felicidade de todos
os seres humanos, tanto do crente quanto do não crente.
Fonte:
http://www.dharmanet.com.br/dalai/
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A
Função do Amor e da Compaixão
Gostaria
de explicar qual é a importância do amor e da compaixão.
É importante saber o que é compaixão, algumas
vezes pensamos que é pena, mas isso não é compaixão.
Compaixão é o senso de preocupação,
mas mais do que isso, é a noção clara de que
todos os seres têm exatamente o mesmo direito à felicidade.
Essa compreensão é que nos traz a compaixão.
Também um outro aspecto que costuma ser confundido com compaixão
é a sensação de proximidade, de ligação
que temos com amigos e parentes. Mas isso não é compaixão
verdadeira, porque esse sentimento está ligado ao apego.
Muitas vezes, nosso senso de preocupação com o outro
depende da atitude que ele adota. Se a pessoa age de forma negativa,
nosso senso de compaixão desaparece. Mas um senso de compaixão
verdadeiro é o que nos leva a ver o outro como tendo exatamente
o mesmo direito que eu à felicidade. A compaixão que
se assenta no apego não se sustenta. A que se baseia na compreensão
da igualdade de todos os seres é desprovida de apego, e é
verdadeira.
Qual é o benefício da compaixão? Ela nos traz
força interior. Geralmente, temos um senso de "eu, eu,
eu". E nossa mente centra tudo em nós mesmos. Então,
todas as experiências negativas, mesmo pequenas, se tornam
muito dolorosas, enormes. Mas quando pensamos nos outros, nossa
mente se amplia, e os nossos pequenos problemas se tornam realmente
pequenos, e as coisas negativas não prejudicam nossa mente.
Alguns, quando experimentam tragédias que são involuntárias,
se sentem enterrados em uma montanha de sofrimento. Mas, por outro
lado, quando se pensa voluntariamente nos problemas dos outros,
se procura alivia-los de seus sofrimentos, essa atitude voluntária
traz uma abertura para o ser. Dessa maneira, mesmo em meio a problemas
pessoais, isso traz uma base de clareza, e a pessoa será
capaz de se sustentar.
COMPAIXÃO E BEM-ESTAR — Quando se pensa em compaixão
por outras pessoas, alguns perguntam se isso não seria sinônimo
de auto-sacrifício. Não, não é. Porque
não se deve ser negligente em relação a si
mesmo. E, baseado na minha própria experiência, acredito
que se deve ser compassivo em benefício próprio.
Um exemplo: uma vida feliz precisa de amigos, apoio. Há amigos
do dinheiro, amigos do poder, mas para esses indivíduos,
se o dinheiro acaba ou o poder se vai, a amizade também acaba.
Mas os amigos verdadeiros ficam.
Então, como criar amigos verdadeiros? Se você tiver
um sentimento de compaixão, terá mais amigos verdadeiros.
Mostre sentimentos gentis e sorria, e terá bons amigos. Porque
essa atmosfera pacífica será a sua base, que irá
criar as condições para a amizade.
A prática de compaixão também é imensamente
benéfica para a saúde. De acordo com a medicina, os
que tem mais compaixão, são mais interessados pelos
outros, geralmente são mais saudáveis quando comparados
com pessoas egoístas. Os egoístas sofrem mais freqüentemente
de enfartes e outras doenças.
A mente mais egoísta, mais voltada para si mesma é
muito ruim para a saúde. A mente mais compassiva, mais voltada
para o próximo traz mais tranqüilidade, resultando por
isso em saúde muito melhor.
Vejamos a sociedade atual, em que a criminalidade está crescendo,
ligada à problemas econômicos e sociais, como a diferença
entre ricos e pobres (inclusive entre países ricos e pobres).
No nosso sistema educacional, muita atenção é
dada ao desenvolvimento do intelecto, e menor atenção
é dada ao coração, aos sentimentos. Pois isso
é considerado tarefa da religião. E assim as crianças
não recebem nenhuma orientação sobre como serem
mais compassivas, e desenvolver um coração mais generoso.
Mas a compaixão é tão importante para a sociedade
que é incentivada por todas as religiões.
AS RELIGIÕES E A COMPAIXÃO — Por causa das diferenças
filosóficas entre as grandes religiões existem diferentes
técnicas para desenvolver a compaixão e algumas diferenças
da definição do que seja. Mas basicamente todas elas
falam da necessidade de se cultivar a compaixão.
Portanto, sinto que mesmo neste século, as maiores tradições
religiosas têm um papel importante no desenvolvimento dessas
qualidades. Vejo aqui pessoas de diferentes tradições
religiosas, o que me faz sentir feliz, porque a tolerância
religiosa é muito importante. E acredito que, independente
de diferentes tradições religiosas, todos temos o
potencial de ajudar a humanidade.
Vim do Oriente e sou um monge budista, assim, naturalmente, quando
falo desses valores e do treinamento da mente, o faço da
minha perspectiva de monge budista. Mas é claro que não
quero influenciá-los. Vocês devem manter suas tradições
religiosas, mudar de religião não é bom, pode
gerar mais confusão do que benefício. Portanto, mantenham
e sigam sua fé.
Cada uma das grandes religiões tem coisas únicas,
mas também há muita coisa em comum entre elas. Assim,
é sábio usar técnicas úteis de outras
religiões, mesmo sem mudar de religião. Até
para aplicá-las na própria religião. Com isso,
as tradições religiosas diferentes desenvolvem respeito
mútuo e compreensão. Isso é fundamental.
A compaixão e a bondade são indispensáveis.
Sem esses valores não há felicidade. Mas muitos crêem
que a prática de valores como a compaixão, o perdão
e o amor são relevantes apenas para os que praticam uma religião.
Isso não é verdadeiro. Podemos ver que no passado
e presente existiram pessoas que mesmo sem nenhuma fé religiosa
tinham esse sentimento de cometimento, de responsabilidade, de compaixão
pelo próximo. Essas pessoas se tornaram mais felizes, mais
úteis, mais benéficas para a sociedade.
A UNIVERSALIDADE DA COMPAIXÃO — Podemos questionar
se o valor da compaixão, de um coração compassivo
é universal. Eu acredito que todos os seres humanos têm
o mesmo potencial. Basicamente, o ser humano é voltado para
a vida e comunidade. Assim, a semente da compaixão está
lá, a semente do trabalho em conjunto está lá.
É da natureza humana trabalhar em conjunto. O individualista
não pode sobreviver.
As abelhas também são animais sociais. Não
há polícia, não há um estado, no entanto
trabalham em conjunto. Uma abelha não pode ser individualista.
Mas, diferentemente dos outros animais sociais, o ser humano tem
a capacidade de se votar ao altruísmo ilimitado. Temos a
semente da compaixão dentro de nós. Todos nós.
Quando vemos os benefícios de uma mente compassiva, e o mal
de uma mente não compassiva, é fácil ver a
diferença. Então, voluntariamente iremos analisar
cada vez mais, mudar cada vez mais a nossa atitude. E assim, dia
após dia, mudamos.
O treinamento da mente não pode ser imposto a ninguém.
É preciso que nós mesmos vejamos os benefícios.
Pense sobre o que o ódio traz para sua vida, para sua saúde,
para as pessoas que estão à sua volta. Pense sobre
a compaixão e o que traz. E assim, teremos o ímpeto
de cultivar certos valores, e rejeitar outros.
Dessa maneira crescemos a cada dia, mas se não fazemos nada
para reduzir nosso ódio e cultivar a compaixão tudo
ficará como está, a semente nunca irá germinar.
Normalmente nossos problemas nascem de percebermos apenas o nível
das aparências, e não a realidade. Ficamos no nível
das aparências, e com base nelas fazemos o nosso julgamento.
Também nos concentramos na felicidade de curto prazo, e não
na de longo prazo.
O seminário
foi realizado em Curitiba, no teatro Ópera de Arame, nos
dias 5 e 6 de abril de 1999.
Tradução do tibetano para o inglês do monge
LHAKDOR.
Tradução do inglês para o português de
MANOEL VIDAL.
Fonte:
http://www.dharmanet.com.br
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