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PODEMOS PRATICAR YOGA pelas mais diversas razões: para manter a boa forma física; para conservar ou recuperar a saúde; para equilibrar o sistema nervoso; para acalmar nossa mente excessivamente ativa; e para levar uma vida mais significativa. Todos esses objetivos merecem a nossa atenção e o nosso esforço.
Mas, tradicionalmente, o Yoga foi empregado por vários milênios como um caminho para se sair do sofrimento (duhkha) e chegar-se à libertação (moksha, nirvana) ou à iluminação (bodhi). Há muito tempo, os mestres de Yoga reconheceram que só poderemos estar plenamente satisfeitos com a vida quando tivermos encontrado a própria fonte da felicidade, que está além do prazer e da dor. Mesmo quando estamos perfeitamente saudáveis e em forma, quando temos um sistema nervoso relativamente equilibrado e levamos uma vida aparentemente significativa, lá no fundo ainda nos sentimos intranqüilos. Só temos de cavar fundo o suficiente, transpondo todas as camadas de limitada satisfação - do tipo de satisfação que depende das circunstâncias externas. É fácil descobrir se estamos realmente contentes e felizes quando perdemos o emprego, quando nos separamos da pessoa com quem estávamos casados ou quando um bom amigo de repente se volta contra nós. Se acontecerem com um grande mestre de Yoga, essas coisas não causarão nem mesmo a menor perturbação em sua mente.
Depois da iluminação, estando a mente livre de todo obscurecimento, nem o prazer nem a dor podem diminuir nossa liberdade interior. Somos a pura Consciência e permanecemos unidos à Origem de todas as coisas. É isso que as tradições do Yoga hindu chamam de "realização do Si Mesmo". O Si Mesmo, ou Espírito, é supraconsciente, imortal, eternamente livre e inefavelmente feliz. Do ponto de vista yogue, não existe nenhuma realização mais elevada do que essa; nem existe algo a que valha mais a pena se dedicar. Isso porque, quando realizarmos nossa verdadeira natureza, a natureza da pura Consciência, tudo o que fizermos será preenchido com a liberdade e a bem-aventurança dessa realização. Em todas as circunstâncias estaremos à vontade; em todas as circunstâncias poderemos contribuir com sabedoria e compaixão para o bem dos outros seres.
Quaisquer que sejam os nossos motivos particulares para praticá-lo, é bom ter sempre em mente o objetivo tradicional do Yoga. Isso nos impedirá de estacionar numa realização específica e limitada. O Yoga busca trazer à tona todo o nosso potencial.

Yoga pra quem?
MUITO EMBORA O YOGA TENHA SE ORIGINADO em solo indiano e por muitos milênios tenha nele se desenvolvido, é concebido e concebe a si mesmo como uma tradição de libertação para toda a humanidade. Seus fundamentos morais são considerados universalmente válidos; suas práticas físicas e mentais foram criadas para ser executadas pelo corpo e a mente humanos comuns; seu objetivo - a Realidade transcendente - é a base de toda a existência. Se existem ensinamentos yogues especificamente ligados à cultura indiana, eles só representam uma pequena fração da herança total do Yoga. Portanto, o Yoga é, em princípio, tão pertinente para o homem contemporâneo quanto era para os nossos mais remotos antepassados.
Não há prova alguma de que a mente ou psique humana tenha mudado significativamente no decorrer dos últimos cinco mil anos! Já ficou claro que o conceito de "progresso" é bastante frágil. Não ficamos mais inteligentes nem mais observantes da moral; em definitivo, não nos tornamos mais sábios. E certo que nosso conhecimento do universo atingiu proporções inauditas mediante os esforços da ciência, mas isso não fez mudar a qualidade do nosso pensamento. Os melhores pensadores do mundo antigo levam a melhor quando comparados com os melhores do mundo moderno. O máximo que podemos alegar em nosso favor é que, hoje em dia, um número maior de pessoas participa do conhecimento científico e das maravilhas da tecnologia. Porém, esse conhecimento não nos deu uma vida mais livre e mais feliz. Infelizmente, apesar da ciência e da tecnologia, a maior parte dos espécimes da espécie humana não vive como deveria viver. Isso se evidencia facilmente nas estatísticas de doenças mentais, crimes e guerras.
Sabemos muito mais sobre muito mais coisas do que os nossos antepassados, mas são pouquíssimas as pessoas que têm hoje uma idéia clara do que é a vida. Ao que parece, todo esse conhecimento nos deixou mais confusos. Perdemos de vista tudo o que é essencial, tudo o que pode nos dar uma vida mais significativa e mais feliz. Nossa vida tornou-se inacreditavelmente complicada e o stress é uma ameaça constante à nossa saúde física e mental.
Em outras palavras, o trabalho yogue de autotransformação enfrenta hoje desafios semelhantes aos que enfrentou em outras épocas, que tinham as suas próprias patologias. O Yoga é um caminho, já muitas vezes trilhado, de liberdade, paz e felicidade interiores. Põe-nos em contato com o que Abraham Maslow chamou de "valores do ser", sem os quais nossa vida é superficial e, em última análise, insatisfatória. O Yoga oferece respostas às perguntas fundamentais da existência humana: Quem sou? Por que estou aqui? Para onde vou? O que devo fazer? Sempre que, no meio da nossa vida frenética, fazemos uma pausa suficientemente longa, essas perguntas saem do esquecimento. Quando isso acontece, são poucas as pessoas que têm respostas plausíveis para apresentar a si mesmas. Sem essas respostas, porém, somos como folhas secas levadas pelo vento.
O Yoga é capaz de nos dar, hoje, uma orientação tão firme quanto a que dava há cinco milênios ou mais. O Yoga é para todos. Seus vários caminhos não só opõem uns aos outros como também, sem dúvida alguma, se complementam. Constituem, em seu conjunto, um panorama global dos meios possíveis pelos quais pode ser trilhado o caminho vogue para a libertação. |