Tapas austeridade (Você termina o que começa?)


Otávio Leal
     
 

     Gosto muito dos títulos dos livros dos autores Silmar Coelho, "Jamais desista!" e de Augusto Cury, "Jamais desista de seus sonhos". Ensino essas lições a todos os terapeutas e yoguins que formo na escola Humaniversidade (www.humaniversidade.com.br). Não deixe de ir até o fim e de seguir em frente. Nunca desista de absolutamente nada em sua vida. Quem realmente fez até hoje uma diferença positiva no planeta foram heróis cotidianos que nunca desistiram. Pessoas que tem uma convicção poderosa que desafiam a preguiça, o medo e a falta de disciplina.

     Durante minha vida fiz alguns rimais de extrema unção enquanto era sacerdote budista e quem realmente lidou melhor com a visita da morte foram aqueles que tentaram, persistiram foram atrás de seus sonhos. Ouvi uma vez uma pessoa no leito de um hospital dizer:

     - "Tentei muitas coisas na vida. Umas deram certo outras não, mas eu fiz o que podia. Eu tentei..."

     Na bíblia cristã temos algumas reflexões sobre esse tema.

... Aquele que duvida é semelhante à onda do mar, levada e agitada pelo vento. Não pense tal pessoa que receberá coisa alguma do senhor...
Tiago 1.6,7

Mas sejam e não desanimem, pais o trabalho de vocês será recompensado.
2 Crônicas 15. 7

     Os Hindus em sua riquíssima mitologia contam que o criador Bhahma só pode criar o universo após uma disciplina austera. Não só Bhahma mais todos os criadores tem esse dom. Persistir. No hinduísmo e no tantra o nome desse sentimento é tapas.

     Tapas pode ser traduzido como austeridade e interpretado como "calor", autodisciplina, garra, seguir adiante, persistir, etc.

     É enfrentarmos nossos supostos limites e não sucumbirmos aos mesmos: Exercitar-se sempre, ter hábitos saudáveis, estudar, acreditar no amor, olhar em direção da iluminação, enfim, ir em frente sempre. (Você vai?)

      Nas práticas corporais tantricas e rio yoga é ensinado manter posições físicas por um tempo determinado (permanência nos ásanas), terminar o que foi iniciado, transformar hábitos que causam sofrimento, enfim autotransformação.

      No texto sagrado hindu Bhagavad - Gitã encontramos três classificações de tapas: 1 ° - A do corpo que trata da pureza, limpeza, não violência, períodos de castidade (na visão tantrica é à opção do ato sexual sagrado) e o respeito aos gurus (mestres) 2° - A da fala que é utilizar palavras gentis, generosas, amáveis, que tragam paz e principalmente sejam sinceras falar a verdade e ser autêntico. 3°- tapas da mente que consiste em aquietar/serenar a mente, praticar o silêncio, ter emoções construtivas.

      Um exemplo de tapas foi nas Olimpíadas de Los Angeles (1984) onde a maratonista Gabrielle Andersen - Scheiss ao entrar no coliseu olímpico mal estava mantendo-se em pé, seu corpo estava absolutamente esgotado, com passos cambaleantes, mas ela recusou-se a encerrar, a desistir, da corrida. E quando cruzou a linha de chegada, foi aplaudida em pé numa cena comovente e iluminada. Na minha visão, a imagem mais linda de todas que observei em esportes competitivos. Isso é tapas: Superar e desafiar os próprios limites, mesmo quando não há apoio. O treinador de Gabrielle tentou impedir que ela continuasse mas ela disse não, eu vou chegar. Eu não vou desistir.

      Gabrielle em minhas praticas de yoga, ai-do, Wu-shu, hung-gar (estilo de artes marciais que imita movimentos do tigre) me inspiram a seguir em frente. Não só eu, mais todo o planeta na olimpíada ficou perplexos com o seu feito. Ela não ganhou medalha alguma, mas virou uma fonte de inspiração. Ela chegou em último lugar, mas não desistiu.

     O escritor Machado de Assis de forma sábia escreveu sobre seu personagem Brás Cubas que após a morte retorna, como um "morto vivo" e escritor, para lamentar tudo o que deixou de fazer na vida. Em seu epílogo escreve:

     "Este último capitulo é todo de negativas. Não alcancei a celebridade do emplasto, não fui ministro, não fui califa, não conheci o casamento... Ao chegar a este outro lado do mistério, achei-me com um pequeno saldo, que é a derradeira negativa deste capítulo de negativas: não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria."

     É importante lembrar que a aplicação de tapas deve limitar-se a aspectos éticos, construtivos jamais nada que expanda o ego e a vaidade.

     "O verdadeiro tapas nos faz brilhar coma o sol. É então que podemos ser para os outros ama forte de calor: força e consolação" Geoge Fererstein

     O tantrico e os terapeutas sérios têm como filosofia comportamental. A prática de tapas em toda sua vida. Vida interior e a vida exterior.

     Lembremos que o tantra é arcaico, e de origem tribal, e um membro tribal, um índio, é um exemplo de coragem, garra, persistência e disciplina. Não cedem ao cansaço, preguiça, desafios e suposta barreiras.

     Superação é sinônimo de coragem de não permitir que nada, absolutamente nada impeça seu objetivo.

     O Yoguin, praticando tapas, queima, no fogo da austeridade, as sementes da impureza. E se defende de todos os cansaços, desânimos, preguiças, fossos e fossas. Professor Hermógenes.

     Nas práticas físicas do yoga, é fundamental para a melhora diária, a superação de si mesmo. Duas escolas de yoga com práticas fortíssimas, o Asthanga e o lyengar, são exemplos de como é possível ter força, longevidade, energia, juventude e beleza corporal. Cuidar-se. Cuidar-se muito. Sedentarismo, preguiça e adiar o cuidado de si não existem a quem tem tapas.

      Adiar o fim dos vícios como alguns lixos que pessoas colocam no corpo (cigarro, álcool, açúcar, gorduras, etc.) não é uma atitude inteligente. Não é ter tapas. Também nas artes marciais (principalmente nas sérias) Tapas é o caminho.

      Tapas é não prejudicar seu corpo. Não maltratar o templo divino e jamais desistir. Jamais parar algo no meio. Jamais deixar algo pela metade.

      Em formações de naturopatas yoguins e terapeutas na Humaniversidade observei algumas vezes o contrário de tapas. O aluno que não é de nada: o aluno que vem fazer uma formação e simplesmente desiste na metade. São os desistentes. (sorte que são pouquíssimos).

     Para eles escrevi o texto a seguir:

O Aluno "que não é de nada”

      Esse tipo de aluno, dificilmente irá encontrar na Humaniversidade, portanto escrevi esse texto para que você tome conhecimento que ele existe mesmo que não conheça nenhum.

     Desde o primeiro dia de aula esse aluno faz declarações que se tornará terapeuta, que se dedicará, que por nada desse mundo parará a formação ou adiará seus sonhos, que será um sucesso, que vai querer mudar de vida, fazer diferença no planeta e muito mais.

      Tudo ilusão: Com o decorrer da formação, emerge quem é esse tipo de aluno. Tudo para ele é dificuldade.

      Ser um profissional? "Eu não sirvo para isso". Ir até o final da formação? "Não posso", "Não estou me sentindo bem".

      Ele diz: "Vou parar um pouquinho até meus filhos crescerem" ou "Tenho que cuidar de alguém".

      Abrir uma clínica? "Agora não dá", "nada cai do céu" ou "não tenho tempo para estudar".

      Se é de outro bairro já diz: “Você pensa que é fácil participar de aulas extras e supervisão em Moema? É longe... Não sei ir... é caro... é de noite...” Ou "Não tenho dinheiro agora". Dinheiro, está relacionado com auto-valorização. Quando você se valoriza, o mundo te valoriza. Se há falta de dinheiro será que não há falta de auto-valorização?

      Esse aluno vive da energia do "um dia". Só que a vida não espera, ela passa e ele não realiza nada por si, pelo planeta ou pelas terapias.

      Quando fiz teatro, estudava textos, posturas corporais e personagens até de madrugada.

      Em artes marciais para alcançar faixas pretas e ser professor, não adiantava dar desculpas, tive que treinar dia e noite.

      Esse aluno que não é dedicado é também um chato. Sempre está de mau humor e irritando à todos. Sua energia é baixa e sua depressão pode até contagiar um ambiente. É mal educado, fofoqueiro, intrigueiro, mas se acha o máximo, o "maior", o Buda vivo, e não percebe que na verdade é um chato e o que é pior um desistente. É mal resolvido, e no íntimo tem complexo de inferioridade, pois todo o tempo reclama, cria casos, vê defeito e maldade em tudo por que, é assim por dentro.

      Critica os instrutores, principalmente quando esses tem maneiras diferentes de pensar ou de ensinar matérias. É um inimigo infiltrado dentro de uma turma.

      Ele não sabe o karma negativo que alguém adquire quando projeta maldade numa tradição tão pura como dos terapeutas. Se alguém vem aqui com ódio, falta de humildade, ingratidão, mesmo formado e trabalhando, sua carreira não terá brilho ou prosperidade.

      É orgulhoso, prepotente, e tenta fazer panelinhas com seu diminuto público para criar intrigas.

      Esse aluno, durante a aula faz uma pergunta atrás da outra, não deixa o instrutor falar, ou fica brincando o tempo todo, pois seu complexo de inferioridade exige que chame a atenção o tempo todo.

      Quer ser sempre o porta-voz de tudo, mas só dá sugestões irreais e ilusórias para tudo ser do "seu jeito”, suas criticas não constroem nada e ao se dirigir aos dirigentes da Humaniversidade, não percebe que não são aceitas as críticas feitas com maldade.

      Normalmente, antes da metade da formação ele “acha” que as matérias são ministradas superficialmente, mas é ele quem não estuda, não iniciou os estágios supervisionados e o ambulatórios de casos específicos, mas já esboça opiniões que são frutos da projeção de sua insatisfação. A vida desse aluno desistente é que é superficial e ele projeta isso na Humaniversidade.

      No final de nossas formações os terapeutas e yoguins formados respondem um questionário e até hoje em mais de 3000 respostas, nunca houveram queixas de superficialidade. É insignificante a opinião de um aluno não formado, que não “deu conta” de ir até o fim. Considero um julgamento prepotente, delirante irreal e imaturo.

 
 
 

Autor:
Otávio Leal