O propósito dos grupos de terapia do Osho

      O propósito dos grupos de terapia é levar os participantes para seus eus naturais? Se for assim, o esforço para ser natural não é artificial? Se não, qual é a diferença essencial entre natural e artificial?

      O propósito dos grupos de terapia não é levar os participantes a seus eus naturais — de modo nenhum. O propósito é levá-los ao ponto onde possam perceber suas artificialidades. Ninguém pode levá-lo a seu eu natural; não pode haver método, técnica ou estratégia que possa levá-lo a seu eu natural, pois tudo que você faça o tornará mais e mais artificial

       Então qual é o propósito de um grupo de terapia? Ele simplesmente o deixa consciente dos padrões artificiais que você desenvolveu em seu ser, ele simplesmente o ajuda a perceber a artificialidade de sua vida, isso é tudo. Ao perceber isso, ela começa a se dispersar. Percebê-la é aniquilá-la, pois uma vez percebido algo artificial em seu ser, você não pode persistir com ele por muito mais tempo. E ao perceber algo como artificial, você também sentiu o que é natural — mas isso é indireto, vago, não claro. O que é claro é isto: você percebeu que algo é artificial em você, e com isso você pode sentir o natural. Ao perceber o artificial, você não pode apoiá-lo mais. Ele existe devido a seu apoio — nada pode existir sem o seu apoio; sua cooperação é necessária.

      Se você coopera, algo existe. Certamente o artificial não pode existir sem a sua cooperação. A partir de onde ele obterá a energia? O natural pode existir sem a sua cooperação, mas o artificial não. O artificial precisa de constantes suporte, cuidado e controle. Uma vez percebido que algo é artificial, sua ligação a ele se torna frouxa, seu punho se abre espontaneamente.

      O grupo não é uma estratégia para abrir o seu punho, mas simplesmente para ajudá-lo a perceber que o que você está fazendo não é natural. Nessa própria percepção, a transformação.

      Você pergunta: O propósito dos grupos de terapia é levar os participantes para seus eus naturais?
Não, este não é o propósito. O propósito é simplesmente torná-lo consciente de onde você está, do que você fez a você mesmo — que mal você fez continuamente, e ainda está fazendo, que feridas você está criando em seu ser. Em cada uma das feridas está sua assinatura — este é o propósito do grupo, torná-lo alerta sobre a sua assinatura, perceber que ela é assinada por você, que ninguém mais fez isso, que todas as correntes que você tem à sua volta são criadas por você, que a prisão na qual você vive é o seu próprio trabalho; ninguém está fazendo isso para você.