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Meus
amados,
O homem é uma
doença. As doenças chegam ao homem,
mas o homem em si mesmo é também uma
doença. Este é o seu problema e também
a sua singularidade. Esta é a sua sorte e também
o seu azar. Nenhum outro animal na terra tem tal problema,
ansiedade, tensão, doença, enfermidade
da maneira que o homem os tem. E esta condição
em si mesma deu ao homem todo o seu crescimento, toda
a sua evolução; porque ‘doença’
significa que não se pode ser feliz onde se
está, não se pode aceitar o que se é.
Esta própria doença se tornou o dinamismo
do homem, sua inquietude, mas ao mesmo tempo é
também o seu infortúnio, porque ele
está agitado, infeliz e está sofrendo.
Nenhum outro animal
exceto o homem tem a capacidade de se tornar louco.
A menos que o homem leve algum animal à insanidade,
ele não iria enlouquecer por si próprio
- não se torna neurótico. Os animais
não estão loucos na selva, eles se tornam
doidos em um circo. Na selva, a vida de um animal
não é desvirtuada, ela se torna pervertida
em um zoológico. Nenhum animal comete suicídio;
somente o homem pode cometer suicídio.
Dois métodos
foram tentados para entender e curar a doença
chamada homem. Um é a medicina; a outro é
a meditação. Ambos são tratamentos
para a mesma doença. Será bom entender
aqui que a medicina considera cada doença no
homem separadamente - uma abordagem de análise
das partes. A meditação considera o
próprio homem como uma doença; a meditação
considera a própria personalidade do homem
como a doença. A medicina considera que as
doenças vêm ao homem e depois se vão
- que elas são alguma coisa alheia ao homem.
Mas lentamente esta diferença tem diminuído
e a ciência médica também tem
começado a dizer: "Não trate a
doença, trate o paciente".
Esta é uma afirmação
muito importante, porque significa que a doença
não é nada senão uma maneira
de viver do paciente. Todas as pessoas não
ficam doentes da mesma maneira. As doenças
também têm as suas próprias individualidades,
suas personalidades. Não é que se eu
sofro de tuberculose e se você também
sofre de tuberculose, nós dois seremos pacientes
do mesmo tipo. Inclusive nossas tuberculoses se apresentarão
de duas formas diferentes, porque nós somos
dois indivíduos diferentes. Pode também
acontecer que o tratamento que cura a minha tuberculose
não traga quase nenhum alívio para a
sua tuberculose. Assim, bem no fundo, é o paciente
que está na raiz, e não a doença.
A medicina trata as
doenças no homem muito superficialmente. A
meditação trata o homem a partir do
seu interior. Em outras palavras pode ser dito que
a medicina procura tornar a pessoa saudável
a partir de fora. A meditação tenta
manter o ser interior de uma pessoa saudável.
Nem pode a ciência
da meditação estar completa sem a medicina,
nem pode a ciência da medicina estar completa
sem a meditação, uma vez que o homem
é ambos corpo e alma. De fato é um erro
lingüístico dizer que o homem é
ambos.
Por milhares de anos
o homem pensou que o corpo e a alma de uma pessoa
são entidades separadas. Este pensamento deu
origem a dois resultados muito perigosos. Um dos resultados
foi que algumas pessoas consideraram que o homem era
somente a alma e eles negligenciaram o corpo. Tais
pessoas trouxeram pouco a pouco desenvolvimentos na
meditação mas não na medicina
- a medicina não pôde se tornar uma ciência;
o corpo foi totalmente negligenciado. Em contraste,
algumas pessoas consideraram o homem apenas como o
corpo e negaram a alma. Eles fizeram um monte de pesquisas
e desenvolvimentos na medicina mas nenhum passo em
direção a meditação.
Mas o homem é
ambos ao mesmo tempo. Eu também estou dizendo
que isto é um erro lingüístico:
quando nós dizemos ambos ao mesmo tempo, isto
dá a impressão que existem duas coisas,
mas conectadas. Não, de fato o corpo e a alma
do homem são dois extremos do mesmo pólo.
Se for visto na perspectiva correta, nós não
seremos capazes de dizer que o homem é corpo
mais alma - não é assim. O homem é
psicossomático ou somato-psíquico. O
homem é mente-corpo ou corpo-mente.
De acordo comigo, a
parte da alma que está dentro do alcance de
nossos sentidos é o corpo e aquela parte do
corpo que está além do alcance dos sentidos
é a alma. O corpo invisível é
a alma, e a alma visível é o corpo.
Eles não são duas coisas diferentes,
eles não são duas entidades separadas,
eles são dois estados diferentes de vibração
da mesma entidade.
Na verdade, esta noção
de dualidade tem prejudicado muitíssimo a humanidade.
Nós sempre pensamos em termos de dois e acabamos
com problemas. Inicialmente nós costumávamos
pensar em termos de matéria e energia; agora
nós não o fazemos mais. Agora nós
não podemos dizer que matéria e energia
são separadas. Agora nós dizemos que
matéria é energia. A realidade é
que usar a velha linguagem está criando dificuldades.
Inclusive dizer que matéria é energia
não está certo. Existe algo - vamos
chamá-lo de X - que visto de uma extremidade
é matéria e quando visto da outra extremidade
é energia; elas não são duas.
Elas são duas diferentes formas da mesma entidade.
Similarmente o corpo
e a alma são duas extremidades da mesma entidade.
A doença pode começar em qualquer das
extremidades. Ela pode começar no corpo e atingir
a alma - de fato, o que quer que acontece no corpo,
a vibração é sentida na alma.
É por isto que algumas vezes acontece que um
homem é curado fisicamente de uma doença
mas ainda continua se sentindo doente. A doença
deixou o corpo; o médico diz que não
existe doença, mas o paciente ainda se sente
doente e recusa a crer que ele não está
enfermo. Todas as várias investigações
e testes indicam que clinicamente tudo está
bem, mas o paciente se mantém dizendo que ele
não se sente bem.
Este tipo de paciente
tem realmente preocupado bastante os médicos,
porque todos os métodos de investigações
indicam que não existe doença. Mas não
ter doença não significa que você
está saudável. A saúde tem a
sua própria positividade. Ausência de
doença é somente um estado negativo.
Nós podemos ser capazes de dizer que não
existe espinho, mas isto não significa a presença
da flor; não existir espinho somente significa
ausência de espinhos. Mas a presença
de uma flor é completamente outra questão.
A ciência da medicina
não foi capaz por enquanto de atingir qualquer
coisa na dimensão do que é a saúde.
Todo o seu trabalho tem sido na dimensão do
que é a doença. Se você questiona
a ciência da medicina sobre as doenças
ela tente dar definições, mas se você
pergunta a ela o que é a saúde, então
ela tenta lhe enganar. Ela diz que quando não
existe doença, então tudo aquilo que
permanece saúde. Isto é enganar, não
é uma definição. Como pode você
definir saúde em relação à
doença? É como definir uma flor em relação
aos espinhos; é como definir vida em relação
à morte, ou a luz em relação
à escuridão. É como definir um
homem em relação à mulher, ou
vice-versa.
Não, a ciência
da medicina não foi capaz por enquanto de dizer
o que é a saúde. Ela pode nos dizer
o que é a doença, naturalmente. Existe
uma razão para isto. A razão é
que a ciência da medicina só compreende
a partir do exterior, somente compreende a manifestação
corporal - a partir do exterior somente a doença
pode ser compreendida. A saúde pode ser compreendida
somente a partir daquilo que está dentro do
homem, seu ser mais interior e sua alma. A este respeito
a palavra hindi swasthya é realmente maravilhosa.
A palavra inglesa health (saúde) não
é sinônimo de swasthya. Health é
derivado de healing (cura). Saúde (health)
significa curado (healed) - aquele que se recuperou
da doença.
Swasthya não
significa isto, swasthya significa aquele que se estabeleceu
dentro de si mesmo, aquele que atingiu a si mesmo.
Swasthya significa aquele que é capaz de permanecer
dentro de si mesmo, e é por isto que swasthya
não é somente saúde. Verdadeiramente
não existe nenhuma palavra em qualquer outra
língua no mundo comparável à
palavra swasthya. Todas as outras línguas no
mundo tem palavras que são sinônimos
de doença ou de não-doença. O
próprio conceito de swasthya que carregamos
é o de não-doença. Porém
não ter doença é necessário
mas não é suficiente para swasthya.
Algo mais é requerido - alguma coisa da outra
extremidade do pólo, do nosso ser interior.
Mesmo se uma doença começa a partir
de fora, suas vibrações ecoam até
a alma.
Suponha que eu jogue
uma pedra em um lago calmo: o distúrbio ocorre
somente no lugar onde a pedra bate na água,
mas as ondulações produzidas atingem
as margens do lago onde a pedra não bateu.
Do mesmo modo, o que quer que aconteça com
o nosso corpo, suas ondulações atingem
a alma. E se a medicina clínica trata somente
o corpo, então o que acontecerá com
aquelas ondulações que foram até
as margens? Se nós jogamos uma pedra no lago
e nos concentramos somente no lugar onde a pedra atingiu
a água e afundou, então o que acontecerá
com aquelas ondulações que agora têm
suas próprias existências independentes
da pedra?
Uma vez que um homem
fica doente, as vibrações da doença
entram na alma e é por isto que freqüentemente
a doença persiste inclusive depois do corpo
ter recebido o tratamento e ter se curado. Esta persistência
da doença está lá por causa de
suas vibrações que ecoaram até
o ser mais profundo da pessoa e para as quais a ciência
médica não tem solução
por enquanto. Assim a ciência médica
sempre irá permanecer incompleta sem a meditação.
Nós seremos capazes de curar a doença
mas nós não seremos capazes de curar
o paciente. Naturalmente é de interesse dos
médicos que os pacientes não sejam curados;
que somente a doença seja curada, mas o paciente
deve sempre voltar!
A doença também
pode se originar na outra extremidade. Na verdade,
no estado em que o homem está, a doença
já está presente lá. No estado
em que o homem está, existe um monte de tensão
presente dentro dele. Eu já disse antes que
nenhum outro animal está doente desta maneira,
está impaciente desta maneira, está
em tal tensão - e existe uma razão para
isto. Nenhuma mente de outro animal tem esta idéia
de tornar-se alguma outra coisa. Um cachorro é
um cachorro; ele não tem que se tornar um cachorro.
Mas um homem tem que se tornar um ser humano, ele
ainda não é um. É por isto que
nós não podemos dizer para um cachorro
que ele é um pouco menos cachorro. Todos os
cachorros são igualmente cachorros. Mas no
caso do homem, nós podemos razoavelmente dizer
que ele é um pouco menos homem. O homem nunca
nasce em sua completude.
O homem nasce em estado
incompleto; todos os outros animais nascem em sua
completude. Não é assim com o homem.
Existem certas coisas que ele terá que fazer
para ser completo. Este estado de incompletude é
a sua doença. É por isto que ele está
atormentado durante as vinte e quatro horas do dia.
Não é que somente um homem pobre tem
problemas por causa de sua pobreza - isto é
como nós comumente pensamos. Mas nós
não entendemos que se ficamos ricos, somente
o nível dos problemas mudam, mas os problemas
permanecem.
A verdade é que
um homem pobre nunca está numa tal ansiedade
quanto um homem rico porque o homem pobre tem pelo
menos uma justificativa para os seus problemas - que
ele é pobre. Um homem rico não tem nem
esta justificativa. Ele não pode nem mesmo
especificar a razão para a sua ansiedade. E
quando a ansiedade não tem uma causa aparente,
ela se torna terrível. Uma razão lhe
dá algum alívio, algum consolo, porque
então se tem esperança de ser capaz
de remover as razões. Mas quando algum problema
surge sem nenhuma razão então as dificuldades
aumentam.
As nações
pobres têm sofrido muito, mas o dia em que elas
se tornarem ricas elas irão compreender que
os países ricos têm seus próprios
sofrimentos.
Eu gostaria que a humanidade
escolhesse os sofrimentos do homem rico, não
os do homem pobre. Se é uma questão
de escolher os sofrimentos, então é
melhor escolher aqueles do homem rico. Mas a intensidade
da inquietude será elevada.
Hoje, a quantidade de
inquietude e ansiedade vivida pelos Estados Unidos
é maior do que qualquer outro país no
mundo. Apesar de que nenhuma outra comunidade teve
a quantidade de facilidades que estão disponíveis
nos Estados Unidos hoje, é precisamente nos
Estados Unidos que pela primeira vez a desilusão
tomou lugar. Pela primeira vez as ilusões foram
quebradas. O homem costumava pensar que ele estava
em ansiedade devido a algum motivo. Nos Estados Unidos,
pela primeira vez ficou claro que o homem está
em ansiedade não por causa de algum motivo;
o homem ele próprio é a ansiedade. Ele
inventa novas ansiedades para si mesmo. A personalidade
que está dentro dele pede continuamente por
alguma coisa que não está lá.
Aquilo que está lá continua se tomando
sem sentido todo dia; aquilo que já foi atingido
se toma sem sentido, fútil. Existe uma luta
contínua por aquelas coisas que não
se tem.
Nietzsche disse em algum
lugar que o homem é uma ponte esticada entre
duas impossibilidades - sempre ansioso para atingir
o impossível, sempre ansioso para se tornar
completo. É a partir desta ansiedade de se
tornar completo que todas as religiões nasceram.
Será bom ressaltar
que existiu um tempo na terra quando o sacerdote era
também o médico, quando o líder
religioso era também o médico. Ele era
o sacerdote e ele era o médico. E não
será surpresa se chegarmos na mesma situação
novamente amanhã. Existirá somente uma
pequena diferença: aquele que é um médico
será o sacerdote! Isto começou a acontecer
nos Estados Unidos, porque pela primeira vez tornou-se
claro que a questão não é do
corpo somente; e também veio à luz que
se o corpo está completamente saudável,
então os problemas aumentam muitas vezes, porque
pela primeira vez a pessoa começa a sentir
a doença que está em seu interior, no
outro pólo oposto ao corpo.
Nossos sentidos também
necessitam de causas. Se um espinho penetrou a perna
de alguém, somente então ele sente a
perna. Enquanto o espinho não espeta a perna,
se permanece inconsciente da perna. Quando o espinho
está na perna, então toda a alma torna-se
como uma flecha apontando em direção
à perna; ele só percebe a perna e nada
mais - naturalmente. Mas se o espinho é removido
da perna, então o ser vai necessitar perceber
alguma outra coisa. Se a sua fome é satisfeita,
boas roupas estão disponíveis para serem
usadas, sua casa está em ordem, você
tem a esposa que quer... - embora não exista
maior calamidade neste mundo do que isto. Não
existe fim para o sofrimento de uma pessoa que consegue
a esposa que queria. Se você não consegue
a esposa que quer, então pelo menos você
pode obter alguma felicidade da esperança de
conseguir. Isto também é perdido quando
você consegue a esposa que quer.
Eu ouvi falar de um
asilo. Um homem foi ver o asilo e o superintendente
do asilo levou-o para uma turnê. Em frente a
um cubículo particular o homem perguntou ao
superintendente o que havia de errado com o ocupante.
O superintendente replicou que aquela pessoa se tornou
louca porque ela não podia ter a mulher pela
qual ele estava apaixonado. Em outro cubículo
o ocupante estava tentando quebrar as barras, estava
batendo no seu peito, estava puxando seus cabelos.
Quando perguntado o que havia de errado com este homem,
o superintendente replicou que este homem conseguiu
a mesma mulher que a outro não pôde ter
e tomou-se louco. Mas por ele não ter conseguido
a sua amada, a primeira pessoa costumava manter a
foto dela perto de sua cabeça e estava feliz
em sua loucura, enquanto que a segunda pessoa estava
batendo sua cabeça contra as barras! Felizes
são aqueles amantes que não conseguem
ter as suas amadas!
De fato, aquilo que
não conseguimos, nós ansiamos conseguir
e assim podemos continuar vivendo nesta esperança.
Uma vez que conseguimos, nossas esperanças
são despedaçadas e nós nos tornamos
vazios. O dia em que o médico tornar o homem
livre de seus problemas corporais, neste dia ele terá
que começar a outra parte do trabalho. O dia
em que o homem se tornar livre de suas doenças
corporais, neste dia nós estaremos lhe proporcionando
a situação para ele se tornar consciente
de suas doenças internas. Pela primeira vez
ele terá problemas interiores e irá
se espantar que tudo na superfície está
bem e ainda assim nada parece estar bem.
Não é
surpresa que na Índia, os vinte e quatro tirthankaras
eram filhos de reis; Buda era um filho de rei; Rama
e Krishna eram todos de famílias reais. Para
estas pessoas a inquietude havia desaparecido ao nível
do corpo; suas inquietudes viam de dentro agora.
A medicina tenta liberar
o homem das doenças superficialmente, no nível
do corpo. Mas lembre-se, inclusive se ficar livre
de todas as suas doenças, o homem não
se torna livre da doença básica de ser
um homem. Esta doença de ser um homem é
um desejo pelo impossível. Esta doença
de ser um homem não será satisfeita
com nada, esta doença de ser um homem está
tornando fútil tudo aquilo que se alcança
e dando importância a tudo aquilo que não
se tem.
A cura para a doença
de ser um homem é a meditação.
Para todas as outras doenças, os médicos
têm a cura, a medicina tem a cura; mas para
esta doença particular de ser um homem somente
a meditação tem a cura. A ciência
médica será completa no dia que nós
entendermos o lado interior do homem e começarmos
a trabalhar com ele também, porque de acordo
com o meu entendimento, esta pessoa sem-paz (doente)
que está sentada dentro de nós cria
mil e uma doenças ao nível do corpo
externo.
Como eu já disse,
sempre que o corpo se toma enfermo, as vibrações,
as ondulações são sentidas na
alma. Similarmente, se a alma está doente,
então as ondulações atingem o
nível do corpo.
É por isto que
existem tantos tipos de pacientes no mundo. Não
deveria ser assim se a patologia é uma ciência;
então não pode haver milhares de pacientes.
Mas isto se tomou possível porque as doenças
do homem são de milhares de tipos. Alguns tipos
de doenças não podem ser curadas pela
alopatia. Para estas doenças que se originam
na interioridade do homem e viajam para o seu exterior,
a alopatia é inútil. Para aquelas doenças
que começam no exterior e se movem em direção
ao interior, a alopatia é muito bem sucedida.
Aquelas doenças que atingem o lado externo
a partir de dentro não são doenças
corporais absolutamente. Elas somente se manifestam
no nível corporal. Seu nível de origem
é sempre psíquico, ou ainda mais profundo
- espiritual.
Agora, se a pessoa está
sofrendo de uma doença em sua psique, isto
significa que nenhuma medicina clínica pode
dar-lhe algum alívio. De fato ela pode ser
prejudicial, porque ela irá tentar fazer algo
e no processo, se ela não dá alívio,
ela está destinada a fazer algo prejudicial.
Somente aqueles medicamentos que são incapazes
de causar prejuízo são incapazes de
dar algum alívio também. Por exemplo,
a homeopatia não pode prejudicar ninguém,
porque não existe nenhuma questão de
algum alívio proveniente dela também.
Mas a homeopatia dá alívio. Ela é
incapaz de prover alívio mas isto não
significa que as pessoas não recebam alívio.
Mas receber alívio
é uma história totalmente diferente;
dar alívio é novamente uma história
diferente. Estas duas coisas são dois fenômenos
separados. As pessoas acabam recebendo alívio
porque se a pessoa está criando a doença
ao nível de sua psique então ela necessita
algum placebo para ela. Ela precisa algum placebo
para a sua doença, ela necessita algum consolo,
alguma garantia de que ela não está
doente, mas está somente carregando a idéia
de que está doente. Isto também pode
ser conseguido através das cinzas de algum
medicamento; pode ser conseguido através da
água sagrada do Ganges, etc.
Hoje em dia um monte
de experiências estão sendo feitas com
o que se pode chamar de medicina ilusória,
placebo. Se dez pacientes estão sofrendo da
mesma doença, e três deles são
tratados pela alopatia, três com a homeopatia
e três com a naturopatia, então um resultado
interessante é visto: cada uma destas patias
está afetando a mesma percentagem de pessoas
para o bem e para o mal. Não existe muita diferença
nas proporções. Isto cria algum motivo
para pensar. O que está acontecendo?
De acordo comigo, a
alopatia é a única medicina científica.
Mas desde que algo no homem é não científico,
a medicina científica sozinha não pode
funcionar. Somente a alopatia lida com o corpo humano
de uma maneira científica. Mas a alopatia não
pode curar cem por cento, porque o homem em seu ser
interior é imaginativo, inventivo e projetivo
também. Na verdade uma pessoa na qual a alopatia
não funciona está doente devido a alguma
razão não científica. O que significa
estar doente devido a alguma razão não
científica?
Estas palavras podem
soar muito estranhas. Você sabe que pode haver
tratamentos médicos científicos e pode
haver também tratamentos médicos não
científicos. Eu estou dizendo para você
que também pode haver doença científica
e doença não científica - maneiras
não científicas de cair doente. Todas
as doenças que começam no nível
da psique de uma pessoa e se manifestam no nível
do corpo, não podem ser curadas de uma maneira
científica.
Eu conheço uma
jovem mulher que ficou cega. Mas a cegueira era psicológica
- na verdade seus olhos não estavam afetados.
Especialistas de olhos disseram que os olho estavam
bons, a garota estava enganando todo mundo. Mas a
garota não estava enganando ninguém,
porque inclusive se você conduzisse ela em direção
ao fogo ela poderia entrar no fogo; ela poderia bater
em uma parede e machucar a sua cabeça. A menina
não estava louca; ela realmente não
podia ver com seus olhos. Mas esta doença estava
além dos médicos.
A garota foi trazida
para mim e eu tentei entendê-la. Eu vim a saber
que ela estava apaixonada por alguém, mas os
membros de sua família lhe impediam de ver
esta pessoa. Quando repetidamente eu lhe indagava,
ela respondia que não tinha desejo de ver mais
ninguém no mundo exceto o seu amado. Esta determinação
de não ver ninguém exceto o seu amado...
e se este tipo de intensidade está presente
na determinação, os olhos tomam-se psicologicamente
cegos. Os olhos irão se tomar cegos, os olhos
irão parar de ver qualquer coisa. Isto não
pode ser entendido vendo-se a anatomia dos olhos,
porque a anatomia está normal, o mecanismo
de visão está funcionando. Somente aquele
que vê, que costumava estar atrás dos
olhos escapuliu, removeu a si mesmo de lá.
Nós experimentamos isto na nossa vida do dia-a-dia,
apenas não estamos conscientes disto. O mecanismo
de nosso corpo funciona somente enquanto nossa presença
está lá atrás dele.
Agora considere um jovem
rapaz jogando futebol que machuca a sua perna. Ele
está sangrando mas ele não percebe isto.
Os outros podem ver que ele está sangrando
mas ele mesmo não tem idéia disto. Então
quando o jogo acaba depois de meia hora, ele agarra
a sua perna e começa a gritar e perguntar quando
ele se machucou. Está doendo muito. Agora meia
hora se passou desde que ele foi ferido. O machucado
em sua perna é uma realidade, os mecanismos
sensoriais em sua perna estão funcionando absolutamente
bem - desde que são eles que o informam sobre
a dor depois de meia hora - então por que não
foi a informação conduzida mais cedo?
Sua atenção não estava lá
com a perna, sua atenção estava no jogo,
e tão grande era a sua atenção
que não sobrou nada dela para perceber a perna.
A perna o estava informando - os músculos,
os nervos devem ter se contorcido - a perna deve ter
chamado em todas as portas possíveis, ela deve
ter pedido uma substituição, mas o homem
na substituição estava dormindo. Ele
estava dormindo profundamente ou ele estava em outro
lugar. Ele estava ausente, ele não estava presente.
Quando ele voltou depois de meia hora, então
percebeu que havia um machucado na perna.
Eu disse para a família
da garota para fazer uma coisa. Eu lhes disse que
desde que não lhe era permitido ver a pessoa
que ela queria ver, ela cometeu um suicídio
parcial - um suicídio de seus olhos. Nada mais
estava errado com ela exceto que ela entrou numa fase
de suicídio parcial. Deixe seu amado encontrá-la.
Eles disseram: "O que isto tem haver com os olhos?"
Eu lhes pedi para tentar somente uma vez. E tão
logo ela foi informada que tinha a permissão
de encontrar o seu amado e que ele iria chegar às
cinco horas, ela veio e ficou na porta. Seus olhos
estavam bem!
Não, isto não
é uma decepção. Agora, experiências
com o hipnotismo têm nos mostrado que não
existe lugar para a fraude. Isto eu estou lhes dizendo
a partir de minhas próprias experiências.
Se uma pessoa profundamente hipnotizada recebe uma
pedra em sua mão e lhe é dito que é
um pedaço de carvão quente, ela irá
se comportar exatamente da maneira que faria com um
pedaço de brasa em sua mão. Ela irá
atirá-la longe, começará a gritar,
chorando que foi queimada. Até este ponto isto
pode ser facilmente entendido. Mas ela também
terá bolhas em suas mãos - e então
a dificuldade surge. Se meramente imaginando que existe
carvão queimando em sua mão você
pode ter bolhas, então é perigoso começar
o tratamento destas bolhas no nível do corpo.
O tratamento destas bolhas deveria começar
no nível da mente.
Como consideramos somente
uma extremidade do homem, temos sido capazes de lentamente
eliminar doenças que afetam o corpo, mas ao
mesmo tempo as doenças originadas na mente
aumentaram. Hoje, aqueles que pensam somente em termos
de ciência começaram a concordar que
pelo menos cinqüenta por cento das doenças
são da mente. Isto não é assim
na índia, porque para as doenças da
mente, primeiramente uma mente forte é requerida.
Na índia nós vemos que ainda cerca de
noventa e cinco por cento das doenças são
do corpo, mas nos Estados Unidos incidentes de doenças
da mente estão aumentando.
As doenças da
mente geralmente começam no interior e se espalham
para o exterior; elas são doenças exteriorizantes,
enquanto que aquelas do corpo são interiorizantes.
Se você tenta tratar as manifestações
corporais das doenças mentais, então
ela irá imediatamente encontrar algum outro
meio de manifestação. Nós podemos
ser capazes de parar os pequenos efeitos da doença
mental de um lugar, ou de um segundo ou terceiro lugar,
mas ela certamente irá se manifestar em um
quarto ou quinto lugar. Ela irá tentar se manifestar
no ponto fraco da personalidade do indivíduo.
É por isto que muitas vezes um médico
não é apenas incapaz de tratar uma doença
mas também é responsável pela
multiplicação de várias formas
de doenças. O que poderia vir através
de um única fonte começa a vazar de
várias fontes, porque nós construímos
diques em diferentes lugares.
De acordo comigo, a
meditação é a cura da outra extremidade
do ser humano. Naturalmente, os medicamentos dependem
da matéria, seus constituintes químicos;
a meditação depende da consciência.
Não existem tabletes disponíveis para
a meditação, ainda que as pessoas estejam
tentando. LSD, mescalina, marijuana - milhares de
coisas estão sendo tentadas. Milhares de esforços
estão avançando para produzir pílulas
para a meditação. Mas você nunca
pode ter pílulas para a meditação.
De fato, tentar fazer tais pílulas é
a mesma velha teimosia de somente tratar o nível
do corpo, de fazer todos os tratamentos somente a
partir de fora. Mesmo sendo dentro que a sua psique
é afetada, nós ainda iremos tratar a
partir de fora, nunca a partir de dentro. Drogas como
mescalina e LSD podem somente produzir uma ilusão
de saúde interna, elas não podem criá-las.
Nós não podemos atingir o ser mais interno
do homem através de nenhum meio químico.
Quanto mais nós vamos para dentro, menor será
o efeito das substâncias químicas. Quanto
mais nós vamos para dentro do homem, menos
importante as abordagens físicas e materiais
se tomam. Uma abordagem não material, ou nós
poderíamos dizer uma abordagem psíquica,
faz sentido.
Mas isto não
aconteceu até agora por causa de alguns preconceitos.
É interessante que os médicos são
uma das duas ou três profissões mais
ortodoxas do mundo. Professores e doutores médicos
se destacam entre as pessoas mais ortodoxas. Eles
não abandonam as velhas idéias facilmente.
Existe uma razão para isto - talvez seja uma
razão quase natural. Se os professores e médicos
abandonarem as velhas idéias, tornando-se flexíveis,
então eles terão dificuldades ensinando
as crianças. Se as coisas são fixas,
então eles são capazes de ensinar eficientemente.
As idéias deveriam ser definidas, sólidas,
e não instáveis e fluídas; então
eles podem ter confiança enquanto ensinam estas
idéias.
Mesmo os criminosos
não requerem a quantidade de autoconfiança
que um professor requer. Ele deve ter autoconfiança
de que aquilo que ele está ensinando está
absolutamente certo; e quem quer que necessite este
tipo de autoconfiança a cerca de estar certo
em sua profissão toma-se ortodoxo. Professores
tornam-se ortodoxos. Isto resulta em grande prejuízo,
porque em todos os sentidos a educação
deveria ser a menos ortodoxa; de outro modo existirá
obstáculos no caminho do progresso. Esta é
a razão porque nenhum professor é um
inventor. Existem tantos professores em todas as universidades
mas os inventos, as descobertas são feitas
pelas pessoas de fora. Mais de setenta por cento dos
ganhadores do prêmio Nobel são pessoas
de fora das universidades.
A outra profissão
que é cheia de ortodoxia é a dos médicos.
Este também tem as suas razões profissionais.
Os médicos têm que tomar decisões
muito rápidas. Se eles começam a contemplar
enquanto o paciente está agonizando, então
somente as idéias permanecerão, o paciente
irá morrer. Se o médico é muito
não ortodoxo, liberal e pratica novas teorias,
faz novos experimentos a todo o momento, então
também existe perigo. Ele tem que tomar decisões
instantâneas e todos aqueles que têm que
tomar decisões instantâneas contam principalmente
com o conhecimento do passado; eles não querem
se ver envolvidos em novas idéias.
Estas pessoas que estão
tomando decisões imediatas todo dia têm
que se apoiar no conhecimento passado e este é
o motivo da profissão médica estar atrasada
em relação às pesquisas médicas
por cerca de trinta anos. Isto resulta em muitos pacientes
morrendo desnecessariamente, porque o que não
deveria ser praticado hoje está na verdade
sendo seguido. Mas isto é um risco profissional.
E assim alguns dos conceitos dos médicos são
bem no fundo muito fundamentalistas. Um deles é
sua fé na medicina mais do que no próprio
homem - mais fé na química do que na
consciência, mais importância é
dada para a química do que para a consciência.
O resultado mais perigoso desta atitude é que
enquanto se dá mais importância para
a química, nenhuma experiência será
feita na consciência.
Aqui eu gostaria de
falar um pouco sobre tais exemplos assim você
poderá ter alguma idéia. Ter um trabalho
de parto sem dor durante o nascimento de uma criança
tem sido um problema muito antigo; como dar nascimento
a uma criança sem dor tem sido por muito tempo
um questionamento. Naturalmente os sacerdotes são
contra isto. Na verdade os sacerdotes são contra
a própria idéia de que o mundo poderia
se tomar livre da dor e sofrimento; porque eles iriam
perder o emprego se não existisse dor neste
mundo. Sua profissão não teria mais
sentido. Se existe dor, sofrimento e miséria,
então existe um apelo, uma prece. Talvez inclusive
Deus possa ser totalmente negligenciado se não
existir sofrimento no mundo. As pessoas dificilmente
rezariam, porque nós lembramos de Deus somente
no sofrimento. Os sacerdotes sempre foram contra o
parto sem dor. Eles dizem que a dor durante o parto
é um processo natural.
Mas ela não deveria
estar lá. Chamá-la de um arranjo de
Deus é uma falsa idéia. Nenhum Deus
quer dar dor durante o nascimento de uma criança.
O médico acredita que para o parto de uma criança
ser sem dor algum medicamento deveria ser dado, alguma
química deveria ser arranjada, anestesia deveria
ser dada. Todos estes remédios dos médicos
começam no nível do corpo, significando
que nós levamos o corpo a um tal estado que
a mãe não faz idéia que ela está
com dor. Naturalmente as próprias mulheres
experimentaram com isto através dos séculos...
É por isto que
setenta e cinco por cento dos bebes nascem durante
a noite. É difícil durante o dia porque
uma mulher é muito ativa e desperta neste período.
Quando a mulher está adormecida ela está
mais relaxada e é mais fácil para o
bebe nascer. Durante a noite elas vão dormir,
elas estão mais relaxadas e assim setenta e
cinco por cento dos bebes não têm a chance
de nascer quando o sol está brilhando; eles
têm que nascer na escuridão. Uma mãe
começa a criar obstáculos para a criança
exatamente a partir do momento que ela está
por nascer. Naturalmente mais tarde ela providencia
muito mais obstáculos para a criança,
mas ela começa a causar dificuldades para a
criança mesmo antes do nascimento.
Uma das soluções
é fazer alguma coisa através de medicamentos
de forma que o corpo se torne relaxado como durante
o sono. Estes remédios têm sido usados
mas eles têm seus próprios problemas.
O maior problema é que nós não
confiamos nem um pouco na consciência da pessoa.
E na medida que esta confiança na consciência
da pessoa continua decrescendo, a consciência
começa a desaparecer.
Um médico chamado
Lozem tem confiado na consciência humana e ele
tem feito milhares de partos de bebes sem dor para
as mulheres. Este método é o de cooperação
consciente. A mãe tenta cooperar meditativamente,
conscientemente, durante o parto, ela o saúda,
ela não luta contra ou tenta resistir a ele.
A dor que é produzida não é por
causa do nascimento da criança, mas por causa
da luta que a mãe faz contra ele. Ela tenta
comprimir todo o mecanismo do parto. Ela tem medo
de que ele será doloroso, ela está temendo
o parto. Esta resistência centrada no medo está
impedindo a criança de nascer. Enquanto a criança
está tentando nascer, existe uma briga entre
os dois; existe um conflito entre a criança
e a mãe. Este conflito é o responsável
pelo sofrimento. Este sofrimento não é
natural: ele é proveniente do conflito, da
resistência.
Existem dois jeitos
possíveis de resolver este problema da resistência.
Nós podemos sedar a mãe, se nós
trabalhamos no nível do corpo. Mas a coisa
a ser lembrada aqui é que a mãe que
gera sua criança em um estado de inconsciência
nunca pode se tornar uma mãe num sentido mais
amplo. E existe uma razão para isto. Quando
a criança respira, não é somente
uma criança nascendo mas uma mãe também
está nascendo. O nascimento de uma criança
é na verdade dois nascimentos: por um lado
a criança está nascendo e por outro
uma mulher comum se torna uma mãe. E se o bebê
está nascendo em um estado de inconsciência,
nós conseguimos distorcer a relação
básica entre a mãe e a criança.
A mãe não terá nascido, somente
uma enfermeira permanecerá no processo.
Eu não sou a
favor de parir uma criança através da
sedação da mãe com o auxílio
de químicas ou usando meios superficiais. A
mãe deveria estar totalmente consciente durante
o parto, porque naquela própria consciência
a mãe está nascendo também. Se
você compreender a verdade desta questão,
então isto significa que a consciência
da mãe deveria ser treinada para o parto. A
mãe deveria ser capaz de dar nascimento ao
filho meditativamente.
A meditação
tem dois sentidos para a mãe. Um é de
que ela não deveria resistir, não deveria
lutar. Ela deveria cooperar com tudo o que está
acontecendo. Assim como um rio que flui aonde quer
que exista uma depressão na terra, assim como
os ventos que estão soprando, assim como a
queda das folhas - ninguém nem mesmo nota e
a folha seca cai da árvore - similarmente ela
deveria estar em total cooperação com
o que acontece com ela. E se a mãe dá
a sua total colaboração durante o parto,
não luta contra ele, não fica com medo,
torna-se totalmente imersa meditativamente no evento,
então haverá o nascimento sem dor, a
dor irá simplesmente desaparecer.
Eu estou lhes falando
isto a partir de uma base científica. Muitos
experimentos têm sido feitos usando este método.
O parto se tornará livre de sofrimentos. E
lembre-se, isto terá resultados de longo alcance.
Primeiramente, nós guardamos um sentimento
de animosidade em relação a coisa ou
pessoa que nos traz dor a partir do primeiro momento
de contato. Nós mantemos um tipo de inimizade
com a pessoa com a qual lutamos em nossa primeiríssima
experiência. Isto se torna um obstáculo
na formação de um relacionamento amigável.
É difícil criar uma ponte de cooperação
com a pessoa com a qual nos sentimos em conflito desde
o princípio. O relacionamento será superficial.
Mas naquele momento em que formos capazes de dar à
luz uma criança com cooperação
e cheios de consciência...
Isto é muito
interessante: até agora nós apenas ouvimos
a expressão ‘dores do parto’, mas
nós nunca ouvimos a expressão ‘êxtase
do parto’ - porque isto não aconteceu
até agora. Mas se existe total cooperação,
então ‘êxtase do parto’ irá
também acontecer. Assim eu não sou a
favor do nascimento sem dor, eu sou a favor do nascimento
em êxtase. Com a ajuda da ciência médica,
no máximo podemos atingir o nascimento sem
dor mas nunca o nascimento em êxtase. Mas se
nós o abordamos a partir do lado da consciência,
então podemos ter o nascimento em êxtase.
E a partir do primeiro momento nós iremos ser
capazes de construir uma conexão interior consciente
entre a mãe e a criança.
Isto foi apenas um exemplo
para vocês verem que alguma coisa pode ser feita
a partir de dentro também. Quando nós
ficamos doentes, tentamos combater a doença
somente a partir de fora. A questão é,
o paciente está realmente pronto para combater
a doença a partir de dentro? E nós nunca
nos preocupamos em saber isso. É totalmente
possível que ela seja uma doença auto-convidada.
O número de doenças auto-convidadas
é grande. Atualmente muito poucas doenças
vêm por si próprias, a maior parte delas
são convidadas. Naturalmente, nós as
convidamos muito tempo antes delas chegarem; por esta
razão não somos capazes de ver qualquer
conexão entre os dois.
Por milhares de anos
muitas sociedades no mundo não puderam formar
uma conexão entre o intercurso físico
e o nascimento da criança porque a diferença
de tempo era grande - nove meses. Era difícil
para eles relacionar uma causa e efeito tão
distantes. E também nem todo intercurso leva
ao nascimento de uma criança, assim, obviamente
não existia razão para pensar em termos
de conexão entre os dois. Foi muito mais tarde
que o homem entendeu que o que havia ocorrido nove
meses atrás está resultando em um nascimento
hoje. Ele pôde formar um relacionamento de causa
e efeito. O mesmo acontece conosco com relação
à doença. Nós a convidamos algum
dia, mas ela virá mais tarde. Muito tempo passa
entre os dois eventos e esta é a razão
de não sermos capazes de ver alguma conexão
entre os dois.
Eu ouvi falar de um
homem que estava a beira de se tornar falido. Ele
estava com medo de ir ao mercado, para a sua loja.
Ele estava com medo inclusive de caminhar nas ruas.
Um dia quando ele estava saindo do seu banheiro ele
caiu e ficou paralisado. Todos os tipos de tratamentos
foram aplicados. Mas nós não queremos
aceitar que o homem quis se tornar paralisado. Ele
não pensou isto conscientemente, mas este não
é o ponto. Nem importa se ele decidiu ou não
ficar paralisado - mais provavelmente ele nunca pensou
nisto. Mas em algum lugar dentro de sua mente, em
seu inconsciente, ele deve ter desejado que ele não
pudesse ir ao mercado ou para a loja ou nas ruas.
Esta é a primeira coisa.
Em segundo lugar, ele
também desejou que as pessoas fossem menos
hostis com ele e desejou que elas começassem
a mostrar alguma simpatia - estes eram os seus desejos
profundos. Obviamente seu corpo irá apoiá-lo.
O corpo sempre segue a mente como uma sombra, ele
sempre irá apoiar a mente. A mente faz os arranjos.
Na verdade nós nunca fazemos idéia de
que arranjos a mente tem em seu depósito. Se
você jejuou por todo o dia, então você
irá ter uma refeição à
noite - a mente vai cuidar disto. Ela irá lhe
dizer, em seus sonhos, que você jejuou por todo
o dia, que você deve estar desconfortável;
vamos a uma festa no palácio do rei. E você
irá comer lá, à noite, em seus
sonhos.
A mente arranja tudo
o que o corpo não pôde fazer. Assim a
maioria dos sonhos que nós vemos são
somente isto - somente substituição.
O que nós não podemos fazer durante
o dia, nós fazemos à noite. A mente
arranja todas estas coisas. Se de repente à
noite você sente vontade de ir ao banheiro,
isto significa que a mente está soando um alarme.
Ela irá enviar você ao banheiro em seu
sonho e você irá se sentir menos apertado
em sua bexiga. Você irá pensar que está
bem e que você esteve no banheiro. A mente arranja
para que o seu sonho não seja perturbado. Durante
todo o dia e noite a mente está constantemente
fazendo arranjos de maneira que todos os seus desejos
são preenchidos.
Este homem teve um ataque
de hemiplegia e caiu. Agora nós estamos tentando
tratar isto. Mas na verdade os medicamentos podem
prejudicá-lo, porque ele não tem hemiplegia;
ele trouxe a doença para si mesmo. Mesmo se
curarmos a sua paralisia então ele irá
manifestar uma segunda ou uma terceira ou talvez uma
quarta doença. Na verdade até que ele
junte coragem para ir ao mercado, ele irá sofrer
de uma doença ou outra. E logo que ele fica
doente ele descobre que toda a situação
mudou. Agora ele tem alguma justificativa para a falência.
O que eu posso fazer? - Eu estou paralisado! Agora
ele pode dizer para seus credores: "Como eu posso
reembolsar vocês? Vocês podem ver a condição
que eu estou." Na verdade, quando o credor chegar,
ele próprio se sentirá envergonhado
de pedir o dinheiro. A sua mulher cuidará melhor
dele, os seus filhos irão lhe servir melhor,
os seus amigos irão vir encontrá-lo,
as pessoas irão circundar a sua cama.
Na realidade, nunca
demonstramos o nosso amor por alguém até
ele ficar doente. Assim quem quer ser amado tem que
ficar doente. As mulheres estão sempre ficando
doentes e a razão principal é que para
elas esta é a maneira de receber amor. Elas
sabem que não existe outro jeito de manter
seus maridos em casa. A mulher não pode mantê-lo
lá mas a doença pode. Uma vez que nós
compreendemos isto, e isto é fixado em nossas
mentes, então cada vez que quisermos alguma
simpatia nós iremos ficar doentes. Na verdade
é perigoso mostrar simpatia para um homem doente;
você deveria somente tratá-lo. É
perigoso porque através da simpatia você
pode estar adicionando sabor para a sua doença
e isto será prejudicial.
Nenhum remédio
irá curar esta pessoa que teve paralisia; no
máximo ela irá mudar de doença,
porque na realidade ela não tem a doença,
é somente um profundo auto-sugestionamento.
A hemiplegia é mental na origem.
Uma história
similar é a de outro homem que estava também
sofrendo de hemiplegia. Por dois anos ele sofreu e
não podia nem se levantar. Um dia a sua casa
pegou fogo e todo mundo correu para fora da casa.
De repente eles se apavoraram e queriam saber o que
aconteceu ao homem doente. Mas então eles o
viram vindo - ele estava correndo - e esta pessoa
não podia nem se sentar antes. E quando sua
família mencionou que ele podia caminhar, ele
disse que isto não era possível e caiu
ali mesmo.
O que aconteceu a este
homem?... e ele não está enganando ninguém.
A doença é gerada pela mente, não
é gerada pelo corpo. Esta é a única
diferença. E esta é a razão do
porque quando um médico diz a um paciente que
a sua doença está na mente, o paciente
não gosta, porque parece que ele está
tentando desnecessariamente mostrar que está
doente. Isto não está certo. Ninguém
quer mostrar que está doente sem razão.
Existem razões mentais para ficar doente e
estas razões são tão importantes
ou talvez mais importantes do que as razões
para ficar doente por causa de algum problema físico.
E será um erro por parte do médico dizer
a alguém, inclusive por engano, que ele está
mentalmente doente. O paciente não se sente
melhor com esta afirmação; de fato ele
se sente rancoroso com o médico.
Nós ainda não
fomos capazes de desenvolver uma atitude amorosa em
relação às doenças geradas
pela mente. Se a minha perna está machucada
então todo mundo será simpático,
mas se minha mente está machucada então
as pessoas irão dizer que é uma doença
mental - como se eu tivesse feito alguma coisa de
errado. Se minha perna está machucada então
eu ganho simpatia, mas se eu tenho uma doença
gerada pela mente então eu sou culpado como
se fosse minha falta! Não, não é
minha falta.
As doenças geradas
pela mente têm o seu próprio lugar, mas
os médicos não aceitam isto. Esta relutância
é porque eles têm tratamento somente
para as doenças geradas pelo corpo; não
existe outra razão. Está além
dele, portanto ele simplesmente diz que isto não
é uma doença. Na verdade, ele deveria
dizer que está além de seu alcance.
Ele poderia lhe aconselhar a achar um tipo diferente
de médico. Esta pessoa precisa verdadeiramente
de um tratamento que irá começar de
dentro e então vir para fora. E é possível
que uma coisa muito pequena possa mudar a sua vida
interior.
De acordo comigo, a
meditação é um tratamento que
se expande de dentro para fora.
Um dia alguém
veio a Buda e perguntou: "Quem é você?
Você é um filósofo, ou um pensador
ou um santo ou um yogi?" Buda respondeu: "Eu
sou somente um curador, um médico."
Esta resposta dele é
verdadeiramente maravilhosa: somente um curador -
eu sei alguma coisa sobre as doenças interiores
e isto é o que eu discuto com você.
O dia que nós
entendermos que teremos que fazer alguma coisa com
relação a estas doenças geradas
pela mente - porque de qualquer jeito nunca seremos
capazes de erradicar completamente todas as doenças
geradas pelo corpo - tal dia nós veremos que
a religião e a ciência chegaram mais
perto uma da outra. Neste dia nós iremos ver
que a medicina e a meditação chegaram
mais próximas uma da outra. Meu próprio
entendimento é que nenhum outro ramo da ciência
ajudará tanto quanto a medicina em atravessar
esta fenda.
A química não
tem nenhuma razão para se aproximar mais da
religião até agora. Similarmente, a
física e a matemática não têm
nenhuma razão para se aproximar mais da religião
até agora. A matemática pode sobreviver
sem a religião e eu acho que isto irá
permanecer verdadeiro para sempre, porque eu não
vejo uma situação onde a matemática
irá precisar da ajuda da religião. Nem
posso conceber um momento no qual a matemática
sentirá que não pode se desenvolver
sem a religião. Nunca este dia chegará.
A matemática pode continuar o seu jogo eternamente,
porque a matemática é somente um jogo,
não é vida.
Mas um médico
não está jogando um jogo, ele está
lidando com a vida. Mais provavelmente é o
médico que irá se tomar a primeira ponte
entre a religião e a ciência. Na verdade
isto já começou a acontecer, especialmente
nas nações mais desenvolvidas e com
mais conhecimentos. A razão é que os
médicos têm que lidar com vidas humanas.
É o que Carl Gustav Jung disse um pouco antes
de morrer. Ele disse que por ser um médico
eu posso dizer que todos os pacientes que vieram a
mim depois da idade de quarenta anos, basicamente
suas doenças eram por causa da perda da religião.
É uma questão muito surpreendente. Se
de algum modo nós pudermos lhes dar algum tipo
de religião então eles se tornarão
saudáveis.
Vale a pena entender
isto. Quando a vida de uma pessoa declina... Até
a idade de trinta e cinco anos ela está subindo,
depois disto ela começa a descer. Trinta e
cinco é o pico. Então é possível
que até a idade de trinta e cinco anos uma
pessoa pode não encontrar nenhum valor na meditação,
porque até então o homem é orientado
pelo corpo; o corpo ainda está ascendendo.
Talvez todas as doenças neste estágio
sejam do corpo. Mas depois da idade de trinta e cinco
anos as doenças tomarão uma nova direção,
porque agora a vida começou a se mover em direção
à morte. E quando a vida cresce ela expande
em direção ao exterior, mas quando o
homem morre ele se recolhe para dentro. A velhice
é recolher-se para dentro.
A verdade é que
mais provavelmente todas as doenças de pessoas
velhas estão enraizadas bem no fundo na morte.
Usualmente a gente diz
que tal e tal pessoa morreu por causa de tal e tal
doença. Mas eu acho que seria mais apropriado
dizer que tal e tal pessoa está doente por
causa da morte. O que acontece é que a possibilidade
da morte toma a pessoa vulnerável para todos
os tipos de doenças. Tão logo uma pessoa
sente que está se movendo em direção
à morte, todas as portas se abrem para as várias
doenças e ela começa agarrar-se a elas.
Inclusive se uma pessoa saudável fica sabendo
com certeza que irá morre amanhã, ela
cairá doente. Tudo estava bem, todos os relatórios
eram normais; o raio-X era normal, a pressão
sangüínea estava dentro dos limites normais,
o pulso estava bem; o estetoscópio estava comunicando
que tudo estava perfeito. Mas se uma pessoa se torna
totalmente convencida de que amanhã ela irá
morrer, então você verá que ela
começa a apanhar uma variedade de doenças.
Ela irá apanhar tantas doenças em vinte
e quatro horas que seria difícil apanhá-las
em vinte e quatro vidas.
O que aconteceu a esta
pessoa? Ela se abriu para todos os tipos de doenças.
Ela parou de resistir. Uma vez que ela tenha certeza
de sua morte, ela se retira de sua consciência
que estava dentro dela agindo como uma parede e formando
uma barreira contra todas as doenças. Agora
ela se tomou pronta para a sua morte e as doenças
começam a chegar. E é por isto que uma
pessoa aposentada morre cedo.
Assim todo mundo que
deseja se aposentar deveria entender isto antes de
se aposentar. Eles morrem mais cedo cerca de cinco
ou seis anos. Aquele que poderia morrer aos setenta
anos, irá morrer quando ele tem somente sessenta
e cinco anos; aquele que poderia morrer aos oitenta
anos, irá morrer quando tiver setenta e cinco.
Aqueles dez, quinze anos de aposentadoria serão
gastos na preparação para a morte, ele
não irá realizar mais nada, porque agora
ele sabe que ele não tem uso na vida. Não
existe trabalho para ele, ninguém o cumprimenta
na rua.
Era diferente quando
ele estava no escritório. Agora inclusive ninguém
olha para ele, porque agora eles têm que cumprimentar
outro alguém. Tudo funciona baseado na economia.
Novas pessoas estão lá no escritório,
assim as pessoas têm que cumprimentá-las.
Elas não podem se dar ao luxo de além
disto cumprimentar este homem. Elas irão esquecê-lo.
Agora ele de repente compreende que se tornou inútil.
Ele se sente sem raízes. Ele não tem
utilidade para ninguém. Mesmo seus filhos estão
ocupados com as esposas, indo ao cinema. As pessoas
que ele conheceu, lentamente começaram a acabar
no sítio de cremação. Ele se
tomou inútil para as mesmas pessoas que precisavam
dele antes. De repente ele se tornou vulnerável,
ele se abriu completamente para a morte.
Quando a consciência
do homem se torna saudável a partir de dentro?
Primeiramente, quando ele começa a sentir sua
consciência interior. Freqüentemente nós
não sentimos o interior; todas as nossas sensações
são para o corpo - para a mão, para
a perna, para a cabeça, para o coração.
Não existe nenhuma sensação de
"Eu sou." Toda a nossa consciência
está concentrada na casa e não no habitante
da casa.
Esta é uma situação
muito perigosa, porque se a casa começar a
desmoronar amanhã então eu pensarei
que estou desmoronando, e este próprio fato
se tornará a minha doença. Mas se eu
entender que eu sou diferente da casa, eu apenas estou
residindo nela - inclusive se a casa ruir - então
isto fará uma grande diferença, uma
diferença básica. Então o medo
da morte irá desaparecer.
Sem meditação
o medo da morte nunca desaparece. Então o primeiro
significado da meditação é consciência
de si mesmo. Enquanto estivermos na consciência,
nossa consciência é sempre um estar ciente
de alguma coisa, nunca é sobre si mesmo. É
por isto que quando nos sentamos sozinhos começamos
a nos sentir sonolentos, porque não existe
nada para fazer. Se estamos lendo um jornal ou escutando
rádio, então nos sentimos despertos.
Se deixarmos uma pessoa sozinha em um quarto escuro
então ela se sentirá sonolenta, porque
uma vez que você não pode ver nada você
não precisa de sua consciência. Se você
não pode ver nada, então o que você
pode fazer a não ser dormir? Parece não
haver outra solução. Se você está
só, existe escuridão, ninguém
para conversar, nada para pensar a respeito, então
o sono o envolverá. Não existe outro
jeito.
Lembre-se que o sono
e a meditação são semelhantes
em um sentido, e diferentes em outro. Dormir significa
que você está sozinho mas está
entorpecido. Meditação significa que
você está sozinho mas está acordado.
Esta é a única diferença. Se
você pode permanecer ciente de si mesmo quando
está sozinho...
Um dia uma pessoa sentada
com Buda estava mexendo seu dedo do pé. Buda
lhe perguntou: "Por que você está
mexendo o seu dedo?"
A pessoa respondeu:
"Esqueça isto, ele estava apenas se movimentando.
Eu inclusive não estava consciente dele."
Buda disse: "Seu
dedo está se mexendo e você nem percebe?
De quem é o dedo? É seu?"
A pessoa disse: "É
meu - mas por que você se desviou do que você
estava falando? Por favor continue."
Buda disse: "Eu
não irei mais continuar com a minha fala porque
a pessoa com quem eu estava falando está inconsciente.
E permaneça atento ao movimento do seu dedo
no futuro. Isto criará uma dupla atenção
em você. Na consciência do dedo irá
nascer a consciência do observador também."
A atenção
é sempre bi-direcionada. Se nós experimentamos
com ela, então um dos lados dela irá
para fora e o outro irá penetrar para dentro
de você. Assim a meditação básica
é começarmos a estar conscientes de
nossos corpos e de nós mesmos. E se esta consciência
puder aumentar então o medo da morte irá
desaparecer.
E a ciência médica
que não pode libertar o homem do medo da morte
nunca pode curar esta doença que é o
homem. Naturalmente que a ciência médica
tenta arduamente; ela tenta aumentar o tempo de vida.
Mas aumentar o seu tempo de vida somente aumenta o
período de espera pela morte e nada mais. E
é melhor esperar por um curto período
de tempo do que por um longo. Você torna a morte
inclusive mais lamentável aumentando o tempo
de vida.
Você sabe, existe
um movimento acontecendo naqueles países onde
a ciência médica está aumentando
o tempo de vida das pessoas. Este movimento é
pela eutanásia. Os idosos estão exigindo
na constituição que eles possam ter
o direito de morte. Eles dizem que a vida tornou-se
árdua para eles e você está apenas
mantendo-os pendurados nos hospitais. Isto se tomou
possível: você pode colocar um homem
em um cilindro de oxigênio e mantê-lo
suspenso indefinidamente. Você pode mantê-lo
vivo, mas esta vida será pior do que a morte.
Deus sabe quantas pessoas na Europa e nos Estados
Unidos estão deitadas nos hospitais de ponta
cabeça ou outras posições estranhas,
ligadas a cilindros de oxigênio. Elas não
têm o direito de morrer e elas estão
exigindo o direito de morrer.
Meu entendimento é
que pelo final deste século a maior parte dos
países desenvolvidos no mundo terão
o direito de morrer como um dos direitos constitucionais
do homem, porque o médico não tem direito
de manter uma pessoa viva contra a sua vontade.
Pelo aumento da idade
de uma pessoa você não consegue remover
o medo da morte dela. Tornando uma pessoa saudável
você pode tornar a sua vida mais feliz mas não
sem medo. Destemor só vem em uma situação,
quando se chega a entender a partir de dentro que
existe algo dentro de si mesmo que nunca morre. Este
entendimento é absolutamente essencial.
A meditação
é a realização desta imortalidade,
de que aquilo que está dentro de mim nunca
morre. Somente morre aquilo que está no exterior.
E esta é a razão pela qual você
deveria tratar o corpo medicamente para que ele viva
alegremente enquanto estiver vivo, e ao mesmo tempo
tentar estar consciente daquilo que está dentro
de você; assim, mesmo que a morte esteja na
soleira da sua porta, você não irá
ter medo. Este entendimento interior o toma sem medo.
Meditação
a partir do interior e medicação para
o exterior; assim você pode tomar a ciência
médica uma ciência completa.
De acordo comigo, meditação
e medicina são dois pólos da mesma ciência
onde o elo de conexão ainda está perdido.
Mas muito lentamente elas estão chegando mais
perto uma da outra. Hoje, na maior parte dos hospitais
dos Estados Unidos, um hipnotizador tem se tornado
essencial. Mas hipnotismo não é meditação.
Entretanto é um bom passo. Pelo menos isto
mostra que existe um entendimento de que alguma coisa
precisa ser feita com relação à
mente do homem, e que somente tratar o corpo não
é suficiente.
E eu penso que se um
hipnotizador entrou nos hospitais hoje, então
amanhã um templo também entrará.
Chegará mais tarde, levará algum tempo.
Depois do hipnotizados todo hospital terá um
departamento de yoga, de meditação.
Isto deverá acontecer. Então nós
seremos capazes de tratar o homem como um todo. O
corpo será cuidado pelos médicos, a
mente pelos psicólogos e a alma pelo yoga,
pela meditação.
No dia em que os hospitais
aceitarem o homem como um todo, como uma totalidade,
e então tratá-lo como tal, será
um dia de júbilo para a humanidade. Eu peço
a vocês para pensarem nesta direção,
assim este dia chegará logo.
Eu estou grato que vocês
escutaram a minha fala com amor e silêncio.
No final eu ofereço minhas saudações
ao Deus entronizado dentro de todos vocês. Aceitem
minhas saudações.
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