Nova Consciência
Monja Coen

Durante o Carnaval, na cidade de Campina Grande, na Paraíba,
acontece um encontro anual de religiosos e espiritualistas, xamãs
e pessoas ligadas à curas holísticas e alternativas com
o propósito de despertar uma nova consciência, mais amorosa,
terna, inclusiva e ética.
Transcrevo abaixo minha mensagem enviada aos participantes
desse encontro. Nesse período, lidero um retiro zen, no qual
em silêncio sagrado nos sentados em meditação oferecendo
os méritos a todos.
Estamos vivendo uma era axial, de transformações
e mudanças. Para que elas tenham direcionamento ético
é necessária a criação de uma nova consciência.
Assim, o encontro de Campina Grande, que se repete há
muitos anos, é precursor. É a ponta da flecha, que conduz
todos os presentes a uma reflexão e a ações efetivas
no desenvolvimento desta nova consciência.
Intersomos. Ensinamento do mestre original Xaquiamuni
Buda, que ao ver a estrela da manhã, depois de sete dias e sete
noites em meditação assaltado por tentações,
provocações da mente, dualidades e sentidos desperta.
Torna-se um ser iluminado e diz: "Eu e todos os seres da grande
Terra, simultaneamente, nos tornamos o caminho".
Todos os seres incluem tudo o que existe. A percepção
de estarmos inter-relacionados e dependentes de uma cadeia de causa,
condições e efeitos. Para que haja alteração
é necessário tocar nas causas.
Temos vivido em uma cultura de guerra e de violências.
Nosso modelo mental é ainda de supremacia, poder, individualidade,
briga, competição, ganância, raiva, discriminações,
preconceitos e hierarquias rígidas.
Precisamos transformar não só a nós
mesmos mas ao lócus social, econômico e ambiental. Temos
de construir uma cultura de paz e de não-violência. Precisamos
criar relacionamentos circulares e reaprender a sabedoria das rodas
sagradas dos indígenas nos irmanando nas reflexões, decisões
e divisões dos bens materiais e espirituais.
Assim como o Bodhisatva, ser iluminado que renuncia ao
estado Buda até que todos os seres se iluminem, não é
possível a iluminação, o despertar individual e
separado do todo. A nossa felicidade e o nosso bem-estar dependem da
felicidade e do bem-estar da Terra e de todas as manifestações
da vida.
Se há dor, miséria, injustiça, fome,
calamidades, discriminações e maldades, o trabalho ainda
está por ser feito.
Ao mesmo tempo, os textos sagrados, como o "Sutra da Flor de Lótus
da Lei Maravilhosa" dizem que a vida de Buda é eterna e
que no reino de Buda, no plano dos seres iluminados não há
guerras e nem destruições. Há seres celestiais
jogando flores e fazendo música pela eternidade.
Xaquiamuni Buda, cujo Parinirvana é celebrado dia
15 de fevereiro, não se extingue. Como meio expediente, parece
morrer para que as pessoas não enfraqueçam sua prática.
Mas, quando pessoas de fé verdadeira se reúnem e querem
ver Buda, ele aparece com toda a sua comunidade dizendo: "Minha
vida é eterna neste mundo".
Paradoxos. Assim são os ensinamentos. Por um lado
temos de fazer os votos de Bodhisatva. Seres são inumeráveis,
faço o voto de salvá-los. Desejos são inexauríveis,
faço o voto de extinguí-los. Portais do Darma são
ilimitados, faço o voto de aprendê-los. O caminho de Buda
é insuperável, faço o voto de me tornar esse caminho.
Por outro lado, temos a terra Buda, perfeita e pacificada,
onde todos os seres brilham uns para os outros. Compartilhando, cuidando,
transformando por meio da compreensão suprema e da bondade infinita.
Que a nova consciência continue a inspirar, dando
sabedoria e compaixão para que todos se beneficiem criando sociedades
com respeito à vida.
Namu Xaquiamuni Buda.