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Voltemos ao código yogiko de conduta. Esse código existe para facilitar a tarefa da realização espiritual. Sem ele, não há como progredir na prática. Não obstante a importância desse código para o Yoga, hoje em dia muitos praticantes sequer suspeitam da existência dele.
O esteio central do código yogiko é ahimsa, a prática da não-violência. Você certamente já ouviu falar na não-violência, uma prática yogika tão poderosa que, apenas aplicando-a, Mahatma Gandhi e os lutadores pela independência da Índia foram capazes de libertar aquele país do jugo colonialista inglês sem disparar um único tiro. Isso, por sua vez, nos mostra o infinito poder transformador do Yoga. O ahimsa, portanto, é um formidável instrumento para nos mantermos harmonizados com o dharma.
Existem duas dimensões diferentes na prática da não-violência, que estão intrinsecamente ligadas: uma pessoal e outra social. A primeira tem a ver com a forma como a gente se relaciona consigo mesmo e com a nossa prática pessoal de Yoga. A segunda tem a ver com a maneira em que vivemos a vida em sociedade, com nossa família, nossos amigos, vizinhos ou colegas de trabalho.
A segunda dimensão da não-violência, a social, depende diretamente da primeira, assim como a unha está ligada à carne. Se os praticantes de Yoga ficarem conscientes o tempo todo de ahimsa, haverá uma transformação profunda na sociedade. Os shastras, textos tradicionais do Yoga, convidam o praticante, como corolário natural da prática da não-violência, a adotar uma dieta vegetariana.
Em sânscrito, vegetarianismo se diz shakaharah. Shakaharah significa literalmente “comedor de vegetais” (shaka = vegetal). A pessoa não vegetariana é chamada mamsaharah, que significa “comedor de carne” (mamsa = carne). O Manudharmashastra, um texto de mais de 2.000 anos de antiguidade, dá a seguinte explicação sobre a palavra mamsaharah, “comedor de carne”:
“Os sábios declaram que o significado da palavra mamsa (carne) é [o seguinte]: “ele (sa) irá comer minha carne [na próxima encarnação] se eu (mam) comer a dele agora”.
Portanto “mamsa” significa
literalmente “eu + ele”. Isso nos
leva ao tema da unidade que existe na
criação e à constatação
de que, qualquer coisa que fizermos
contra a harmonia universal irá irremediavelmente
nos atingir no futuro.
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