O Medicamento Homeopático


Dr. Célia Regina Barollo
     
 

     Os Medicamentos Homeopáticos são preparados a partir de substâncias naturais provenientes dos três reinos  Animal, Vegetal e Mineral - e não apenas de plantas como muitos acreditam.

      No seu preparo são usadas tanto substâncias que possuem ação tóxica, quando usadas em quantidades ponderais (Ex.: arsênico, mercúrio, venenos vegetais e animais, etc.), como substâncias consideradas inertes ou não tóxicas, quando usadas em quantidades ponderais (Ex.: sílica, carbonato de cálcio, plantas não tóxicas, etc.).

      Como vimos nos artigos anteriores, o que usamos, na verdade, é o poder curativo dessas substâncias, despertado pela sua diluição e agitação consecutivas. Os efeitos adversos que, eventualmente, podem surgir após a administração de medicamentos homeopáticos, são conseqüentes de seu uso inadequado: não existem efeitos colaterais. Qualquer substância da natureza, portanto, pode ser usada como medicamento, desde que se conheça sua potencialidade curativa através da Experimentação no Homem São.

     Como é despertado o PODER CURATIVO das substâncias?
     Através de um processo de diluições e dinamizações sucessivas, a força curativa das substâncias é armazenada nas moléculas de água e álcool da solução utilizada para o preparo dos medicamentos. Por esse motivo usamos a terminologia de Potência para designar as diluições.

     O efeito dos medicamentos homeopáticos é percebido apenas nos seres vivos, não podendo ser apreciado por aparelhos ou por reações químicas, dificultando seu estudo pelos métodos utilizados atualmente pela ciência oficial. A informação do medicamento é passada de forma quase que instantânea para os líquidos do corpo no momento de sua tomada, ao contrário do se pensa, ou seja, que a ação do medicamento homeopático é lenta.

     As alterações que se processam no corpo físico após a ingestão do medicamento é que podem ser lentas, pois são adaptações da massa corpórea ao novo padrão energético estabelecido sobre a Energia Vital.

     Para preparar um medicamento homeopático, no caso dos medicamentos de origem vegetal, a planta toda, ou partes dela (raiz, folhas ou flores), é colocada em álcool por alguns dias, para um processo de maceração; em seguida essa preparação é filtrada dando origem ao que chamamos de Tintura-Mãe. O mesmo processo pode ser utilizado para algumas substâncias de origem animal. No caso das substâncias de origem mineral ou quando são substâncias insolúveis em água e álcool, a solubilização é feita por trituração em lactose (açúcar de leite), para em seguida serem diluídas em água e álcool, originando a Solução-Mãe.

     A preparação em si é muito simples, mas extremamente trabalhosa e exige muitos cuidados. É necessário usar um frasco separado para cada diluição e, após cada diluição, o medicamento é agitado por cem vezes. O processo de agitação chama-se sucussão, uma agitação vertical forte e vigorosa contra um anteparo de consistência firme. Esse processo de diluições e sucussões sucessivas, quando realizado manualmente é chamado de Método Hahnemaniano. Existem outros métodos menos precisos de preparo de medicamentos, como o Método Korsakov que utiliza um único frasco para todas as diluições e dinamizações, e o Método de Fluxo Contínuo, onde o medicamento é preparado por um aparelho que faz a diluição e a agitação ao mesmo tempo . Este último também é usado para o preparo de altas e altíssimas diluições, geralmente acima de 1000.

     Temos 3 escalas diferentes de diluição: a Centesimal Hahnemaniana (CH), a Decimal (D ou X) e a Cinquenta Milesimal (LM ou L). Quando a diluição centesimal é realizada pelo aparelho de fluxo contínuo, usa-se a(s) letra(s) C ou FC (Por ex.: C 10.000 ou 10.000 FC).

     A partir da Tintura-Mãe (TM) ou da Solução-Mãe (SM), começa-se o preparo do medicamento: toma-se 1ml da TM ou da SM e dilui-se em 99ml de uma solução de água e álcool; procede-se às 100 sucussões e obtemos a CH1; em seguida, toma-se 1ml da solução CH1 e dilui-se em 99ml de água e álcool, mais 100 sucussões e obtemos a CH2. E assim por diante. Procede-se da mesma forma para o preparo das diluições decimais, mas com a diluição de 1:10. Na escala Cinquenta Milesimal a diluição é feita na base de 1:50.000. A partir da Potência CH12 nada mais resta da substância original, mas sua marca fica impressa na solução alcoólica.

     Os medicamentos homeopáticos são designados pelos nomes latinos das substâncias que lhes dão origem. Essa nomenclatura é usada em todo mundo. Por ex. : Calcarea ostrearum (pó de casca de ostra), Lachesis muta (veneno da cobra surucucu), Lycopodium clavatum (planta inerte), Aurum metallicum (o metal ouro), etc.

     Cuidados com o Medicamento Homeopático
    Os medicamentos homeopáticos devem ser conservados ao abrigo do calor, umidade, energia eletro-magnética de qualquer natureza emitidas por aparelhos eletro-domésticos, radiações, odores fortes. Por esse motivo, os medicamentos não devem ser guardados junto com medicamentos alopáticos, principalmente os que contenham cânfora (a cânfora pode inativar o medicamento) em sua composição, nem devem ser colocados na frente da televisão, nem guardados em bolsas com perfume ou cigarros, ou deixados nos carros.

     Apresentação dos Medicamentos Homeopáticos
     Os medicamentos homeopáticos geralmente são apresentados em glóbulos ou comprimidos, em líquido ou gotas, ou em tabletes, mas também podem ser prescritos em pó (papéis), sob a forma de pomadas ou cremes, e até mesmo sob a forma injetável. Podem ser preparados em dose única ou em frascos para doses repetidas.

     Os glóbulos e os comprimidos devem ser dissolvidos na boca como bala; devem ser passados do frasco para a tampa e desta diretamente para a boca, sem contato com as mãos. Nas preparações líquidas, as gotas podem ser pingadas diretamente na língua ou podem ser diluídas em um pouco de água filtrada. As preparações em água do tipo XX/30 (chamadas poções) devem ser usadas no prazo máximo de 48 horas. As preparações em forma de papéis também devem ser diluídas em um pouco de água filtrada.

     A dose, a quantidade, o intervalo entre as doses e a potência do medicamento prescrito, independem da idade, sexo, peso corpóreo, etc., e sua definição é de competência médica.

     Recomenda-se que, sempre que possível, o paciente não ingira alimentos ou qualquer substância com gosto ou cheiro muito fortes por um intervalo de 15 a 30 minutos, antes e após cada dose de medicamento.


 
 
 

Autor:
Dr. Célia Regina Barollo
Fonte:
Recebido por e-mail pelo Doutor José Roberto (Médico Homeopata) (11) 9393- 6272