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Yoga
& Medicina
Anteflexão
com a cabeça no joelho (em sânscrito, parivritta
janu sirsasana). Esta posição (imagem ao centro)
massageia os órgãos internos do abdome e alonga
a região lombar e a parte posterior das coxas. Nesta reportagem,
a professora de ioga Renata Broglia Mendes mostra algumas posições.
Combate
a hipertensão, o diabetes, a depressão e os problemas
da menopausa. Para a Ciência, há muito mais motivos
para fazer ioga do que apenas relaxar ou manter a forma
ERNESTO
BERNARDES
A IOGA, TÉCNICA
INDIANA que une exercícios, relaxamento, controle respiratório
e meditação, era usada no Ocidente, até pouco
tempo atrás, apenas com essas finalidades - relaxar, controlar
a respiração e meditar. Recentemente, porém,
ocorreu uma transformação significativa na maneira
como o Ocidente vê a ioga. Ela se transformou num poderoso
auxiliar no tratamento de doenças, com eficácia
comprovada por vários estudos acadêmicos. Os três
principais sites americanos de pesquisas médicas relacionam
515 estudos sobre ioga nos últimos cinco anos. Os testes
clínicos mostraram que a ioga, aliada à medicina
convencional, pode ter um papel importante no tratamento das seguintes
doenças:
•
Hipertensão
• diabetes
• depressão
• asma
• artrite
• irritações
no intestino
• alcoolismo
Bem-vindo
ao mundo da iogaterapia. Trata-se de um exemplo de quão
produtivo pode ser o encontro, sem preconceitos, da cultura ocidental
com a oriental. "A ioga é minha terapia favorita,
porque une meditação e atividade física",
diz o cardiologista Mehmet Oz, diretor do Instituto de Doenças
Cardiovasculares da Universidade Colúmbia, em Nova York.
"Ela pode ser praticada mesmo por pessoas que estejam extremamente
doentes." Alguns mestres indianos podem se arrepiar ao ouvir
ocidentais de avental falando de ioga como quem se refere a pílulas
ou injeções. Para eles, a ioga é uma imensa
biblioteca de conceitos e técnicas, ou uma base de sua
visão de mundo. Sim, suas diversas escolas têm como
objetivo uma vida mais saudável. Mas sobretudo o progresso
espiritual e a "paralisação dos turbilhões
da mente", na definição do mais antigo tratado
sobre o assunto, o Yoga Sutra, escrito por volta de 500 a.C. pelo
sábio indiano Patañjali. Mesmo entre esses mestres
indianos, no entanto, é cada vez maior a aceitação
da aplicação da ioga pela medicina ocidental - desde
que ela venha acompanhada de uma compreensão profunda dos
princípios originais.
Os médicos que usam seriamente a ioga no tratamento de
doenças também enfatizam essa necessidade. "Se
me perguntarem para que casos eu a indico, eu respondo: para todos",
diz Cesar Devesa, pesquisador do Instituto do Coração
(InCor), em São Paulo, centro de referência da medicina
brasileira. "Mas não se trata apenas de repetir uma
série de exercícios. É um tratamento holístico,
que implica mudar a vida. Quando encontramos alguém com
um problema cardíaco, não consideramos que seja
apenas um defeito do coração. É um problema
sistêmico, que se manifesta no coração."
Eis o que afirma o professor de Educação Física
Marcos Rojo, da Universidade de São Paulo, que fez doutorado
em Ioga na índia: "A ioga tem ambições
muito maiores que curar uma dor de cabeça. Para isso, seria
melhor tomar um analgésico". Os dois usam a ioga no
tratamento de doentes. "Mas dentro de uma perspectiva integral",
diz Devesa. "Precisamos ser honestos com a ioga."
Nunca a técnica indiana foi tão utilizada por ocidentais.
Nos Estados Unidos, cerca de 15 milhões de pessoas a praticam.
Celebridades como Madonna ou Sharon Stone são adeptas.
Madonna incluiu posições de ioga na coreografia
de sua turnê ReInvention. No Brasil, a Cia Athletica, uma
das maiores redes de academias do país, viu a procura pela
modalidade triplicar nos últimos três anos. Desde
fevereiro, as matrículas aumentaram 10% na concorrente
Biorritmo. No site Submarino, o maior de venda de livros no país,
há 120 títulos com as palavras "ioga"
e "yoga". (Em português, os dicionários
recomendam a gra¬fia ioga, e a palavra é um substantivo
feminino. Muitos praticantes, no entanto, preferem di¬zer
"o yôga", com circunflexo no "o", pois
em sânscrito o termo é masculino.)
Essa disseminação avassaladora foi um dos fatores
responsáveis pela redução no preconceito
que, até pouco tempo atrás, havia nos meios científicos
contra a ioga. O professor Shotaro Shimada, de 78 anos, fundador
da primeira academia de ioga de São Paulo, costuma di¬zer
que há 30 anos, quando algum aluno o procurava pedindo
ajuda para um problema de saúde, costumava comentar: "Não
diga para o meu médico que eu fa¬ço ioga, tá?
Ele pode não gostar". Na década passada, a
atitude dos doutores começou a mudar. Os pacientes contavam
sobre a atividade e ouviam: "Ioga, é? Pode fazer,
que mal não faz". Hoje, segundo ele, a reação
evoluiu para: "Interessante! E como você está
se sentindo agora?".
O ceticismo dos médicos tinha uma razão: até
recentemente, os estudos sobre ioga e saúde eram poucos
e inconclusivos. No Oriente, a maioria das pessoas considerava
óbvio que ela fazia bem à saúde, e isso não
precisava ser provado afinal, funcionava há cerca de 5.500
anos. Do lado ocidental do mundo, porém, mesmo os cientistas
que simpatizavam com a prática pareciam achar que seria
muito difícil medir seus efeitos. Isso começou a
mudar em 1990, quando o cardiologista americano Dean Omish submeteu
um grupo de pacientes cardíacos a um regime de exercício
aeróbico e ioga, acompanhado de uma dieta vegetariana com
baixíssimo teor de gordura. Depois de um ano, 82% dos pacientes
haviam melhorado. Boa parte apresentou redução no
nível de bloqueio das artérias. Até então,
isso era considerado impossível sem a ajuda de remédios
ou cirurgia. Mas o estudo deixou uma dúvida. Os responsáveis
pela melhora não seriam apenas a dieta e a aeróbica?
E se a ioga não tivesse nenhuma influência?
Muitos trabalhos recentes se dedicaram a elucidar essa dúvida.
A ioga foi submetida à mesma prova costumeiramente aplicada
aos medicamentos ocidentais: os testes clínicos. Na índia,
um estudo comparou dois grupos de professores de Educação
Física com indicadores de saúde equivalentes, que
praticavam a mesma quantidade de exercícios. Um dos grupos
passou por três meses de aulas de ioga. O outro não.
Ao final do teste, o primeiro grupo tinha melhorado a pressão
arterial e a capacidade respiratória. Seus batimentos cardíacos
também se mantiveram mais baixos, quando submetidos a testes
de resistência física. Em outro trabalho, também
na índia, foram convocados dois grupos de universitários
com saúde normal. Um deles não fez nada. O outro
teve aulas de ioga durante um mês. Depois desse período,
os pesquisadores chamaram todos os voluntários e os convidaram
a se deitar no chão e a relaxar. Os praticantes de ioga
tiveram em média sete batimentos cardíacos a menos
por minuto. Isso significa que relaxaram muito mais e que tinham
melhor condição cardíaca.
A pesquisadora Kim E. Innes, especialista em Saúde Pública
da Universidade da Virgínia, coordenou um estudo revisando
toda a literatura sobre ioga e doenças circulatórias.
Concluiu que, embora muitos trabalhos tenham problemas metodológicos,
pelo menos 70 merecem ser levados em consideração.
Sua conclusão: "É possível afirmar que
a ioga reduz muitos fatores de risco ligados às doenças
cardiovasculares e à resistência insulínica".Essa
resistência insulínica, uma disfunção
do pâncreas, é o principal sinal inicial do diabetes
causado por fatores como dieta ou estilo de vida, conhecido como
diabetes do tipo 2. Os estudos que mediram as gorduras no sangue
mostraram que a ioga pode reduzir em até 25°% o nível
total de colesterol, em 26%, o nível de colesterol tido
como ruim e em 28% o nível das gorduras conhecidas como
triglicérides. "Mesmo no curtíssimo prazo,
a prática é suficiente para reduzir a pressão
arterial", afirma Kim.
"Muitos estudos sobre a ioga são feitos com amostras
muito pequenas. Outros ainda contêm algum viés que
pode comprometê-los", afirma José Roberto Leite,
do Instituto de Psicobio¬logia da Universidade Federal de
São Paulo (Unifesp). "Apesar disso, já se constatou
que os índices de glicemia melhoram imediatamente após
uma sessão de ioga e que a prática tem efeitos positivos
em diversos transtornos ligados a ansiedade." A professora
de Filosofia Gabriela Lafetá Borges, de 33 anos, de Brasília,
parece saber exatamente o que é isso. Diagnosticada com
depressão grave atípica, ela diz que teve suas primeiras
crises ainda na infância. Afirma ter tomado diversos tipos
de medicamentos e ter sido internada. Até que, aconselhada
por um médico, passou a praticar ioga. Por sete anos diz
ter vivido sem crises. Então, considerando que estava bem,
afirma ter se afastado da ioga. Meses depois, diz que teve uma
recaída drástica, que culminou em crises de autoflagelação.
Gabriela afirma ter voltado aos antidepressivos e à terapia.
Há cinco anos, diz que recomeçou a praticar ioga
e hoje vive sem medicamentos. "E a única terapia que
funciona para mim. É uma questão de sobrevivência",
diz ela.
Qualquer exercício físico pode trazer efeitos positivos
para pacientes com depressão. Mas a ioga, de acordo com
as novas pesquisas, tem uma vantagem extra. “A respiração
é um componente importante de muitos transtornos psiquiátricos",
diz o psiquiatra Joel Rennó Jr., da Universidade de São
Paulo (USP). "A ioga ensina a controlá-la." A
respiração ofegante, acelerada, que força
o tórax, típica de quem sofre de ansiedade, costuma
estimular no sistema nervoso uma reação conhecida
como "lutar ou fugir". Tal reação deixa
o organismo em ponto de ebulição, pronto para reações
extremas a qualquer tipo de agressão. Nesse estado, funções
como a digestão e a regeneração celular ficam
com meia força, pois toda a energia corpórea pode
ser necessária para a fuga ou para a luta iminentes. Trata-se
de um mecanismo primitivo, necessário no tempo em que se
podia encontrar um leão depois da próxima árvore.
É um mecanismo extremamente inadequado, porém, para
reagir a uma buzinada no meio do trânsito ou ao pedido do
cônjuge para "discutir a relação".
Boa parte dos benefícios da ioga parece estar ligada ao
funcionamento do sistema nervoso. Quando estamos tensos, o corpo
fica sob o comando do sistema que controla essa resposta de "lutar
ou fugir", conhecido tecnicamente como sistema nervoso simpático.
O controle respiratório e o relaxamento muscular da ioga
ajudariam, de acordo com os pesquisadores, a desligar esse alerta.
A ioga também parece ativar, por meio da respiração
e do relaxamento muscular, outra parte do sistema nervoso, aquela
que controla a regeneração do organismo, conhecida
como sistema parassimpático. Seria essa ação,
afirmam os pesquisadores, que daria início ao processo
de cura e que ajudaria a recompor o organismo.
Ainda não se sabe com exatidão como a ioga produz
outros benefícios, sobretudo aqueles ligados a distúrbios
hormonais, como os que levam aos transtornos da menopausa ou aqueles
que provocam distúrbios no sono. Uma das hipóteses
é que a ação da ioga nesses casos esteja
relacionada ao próprio sistema nervoso. "Eu tinha
problemas terríveis de sono", afirma a funcionária
pública Renée Brandão, de 50 anos. "Não
relaxava nem nas horas de lazer. Com a ioga, melhorei muito."
Se
a ioga é tão eficaz, por que então não
se investe mais em estudos para descobrir como ela age e em quais
casos pode ser recomendada? Um motivo é econômico.
Quem financia a maioria das pesquisas de saúde, no mundo,
são os grandes laboratórios farmacêuticos.
Para eles, não faz sentido pesquisar métodos que
não podem ser transformados em pílulas e que podem
até ser praticados em casa, de graça. Outro motivo
é que tais estudos são complicados por natureza.
"A ciência da saúde segue um modelo. Como somos
animais, tentamos repetir os resultados de nossas experiências
em outros bichos", diz o pneumologista Geraldo Lorenzi, da
Universidade de São Paulo. "Isso pode ser feito com
remédios. Pode ser feito com acupuntura. Mas não
se pode pegar um grupo de ratos ou de macacos e dizer: agora,
fiquem na posição de lótus e façam
cinco minutos de respiração profunda, com três
ciclos por minuto." Lorenzi, chefe do laboratório
de distúrbios do sono da USP, também receita ioga
entre os remédios para pacientes com insônia.
Hoje, 70% da pesquisa científica sobre ioga é feita
na índia, onde as escolas de saúde pública
precisam buscar alternativas baratas e eficientes para tratar
1,1 bilhão de habitantes. Em Bangalore, capital da revolução
tecnológica indiana, há mais de 20 anos um grupo
de empresas financia pesquisas sobre ioga por meio de uma ONG,
a Fundação Vyasa. De início, a entidade se
debruçava sobre os problemas de saúde mais comuns
no ambiente de trabalho, como lesões por esforço
repetitivo (LER). Depois, os efeitos da ioga foram testados em
pessoas que sofriam doenças típicas dos escritórios,
como gastrites de origem nervosa ou ataques de asma causados pelo
estresse. Hoje, os pesquisadores já publicaram centenas
de estudos em revistas científicas internacionais. "A
ioga é claramente benéfica para qualquer problema
de fundo emocional. Assim como no alívio de doenças
crônicas", diz a neurofisiologista Shirley Telles,
indiana de Goa e diretora de pesquisa da Fundação.
Não resta mais dúvida de que a ioga faz bem. O que
torna obrigatórias novas pesquisas é a necessidade
de descobrir como ela age e a intensidade com que produz determinados
efeitos, para que os médicos possam receitá-la corretamente.
Por ser diferente de um comprimido ou do exercício convencional,
é muito mais difícil estabelecer uma dose recomendada
para a ioga. Até porque não há uma única
ioga, e sim urna série de escolas distintas. "Usar
ioga corno remédio é uma idéia tipicamente
ocidental", diz Rui Afonso, instrutor de ioga e pesquisador
do Centro de Biopsicologia da Universidade Federal de São
Paulo (Unifesp). "Mas isso não quer dizer que essa
idéia não seja válida. Muita gente conhece
a ioga por indicação do médico e depois acaba
se aprofundando." Na índia, a prática é
principalmente um instrumento de saúde preventiva. “Há
mestres que nem sequer permitem que os alunos pratiquem quando
estão doentes, pois, nesse caso, o organismo não
está em equilíbrio", diz Afonso. Apesar disso,
há os que incentivam o uso medicinal da ioga pelos ocidentais,
como B.K.S. Iyengar, um dos maiores mestres vivos de ioga.
Nas empresas, a ioga vem sendo adotada como forma de melhorar
a qualidade de vida.
Outro estudo do pioneiro
americano Dean Ornish mostrou que a adoção de programas
do gênero pode reduzir a menos da metade as despesas com
saúde dos funcionários participantes. Bancos como
Itaú e Real, indústrias como Bristol-Myers Squibb
e agências de publicidade como a Talent já oferecem
ioga aos funcionários. Na Credicard-Citibank, 20%, dos
empregados aderiram. "Não é apenas uma questão
de coluna e pulmões. Quem pratica ioga ganha a consciência
de que depende apenas de si mesmo, um dinamismo que interessa
no mundo corporativo", diz a instrutora Márcia de
Luca, que dá consultoria e faz palestras sobre o assunto
em empresas.
A ioga é também uma das estratégias mais
eficazes para preparar alguém para situações
extremas. A cantora lírica Céline Imbert afirma
utilizá-la para compensar não apenas o esforço
físico, mas também o psicológico de quem
precisa se apresentar diante de uma multidão sem a ajuda
de um microfone. "O mundo da ópera é extremamente
competitivo e cobra um imposto grande do corpo", diz ela.
"Uso a ioga para me estabilizar." A alpinista Helena
Coelho, que já atingiu 8.400 metros de altitude sem oxigênio
(no Everest), diz usar a ioga para aproveitar melhor o ar rarefeito
das alturas. "O controle emocional também ajuda, porque
na montanha você não deve contar com mais ninguém",
afirma. São essas 1.001 utilidades que fazem o encanto
da ioga. "Nos últimos dez anos, a solicitação
sobre o corpo humano diminuiu demais. Até para levantar
o vidro do carro basta apertar um botão. A ioga então
nos ajuda a manter o corpo em ordem", diz o professor Shimada.
"Por outro lado, a exigência sobre a mente aumentou
muito. Não há mais repouso, nem à noite,
com celular, e-mail. Então, a ioga serve para nos desacelerar."
Quando sistematizou os princípios da ioga, séculos
antes de Cristo, Patanjali demonstrou, inconscientemente, uma
visão de futuro digna de sábio. Suas técnicas
parecem ter sido feitas sob medida para o mundo atribulado do
século XXI.
A teoria ORIE
NTAL .. .
Para a ioga, há
sete principais centros de energia (chacras) no organismo. Eles
armazenam e distribuem a força vital (prana). Um oitavo
chacra, a aura, envolve o corpo e une os restantes:
CHACRA
CORONÁRIO: Controla a consciência e a espiritualidade.
CHACRA FRONTAL:
Controla a Intuição, os sentidos e a meditação.
CHACRA LARÍNGEO:
Controla a energia e a resistência. Ligado ao elemento éter.
CHACRA CARDIACO:
Controla a compaixão e o amor. Ligado ao elemento ar.
CHACRA DO PLEXO
SOLAR: Controla a força pessoal. Ligado ao elemento
fogo.
CHACRA UMBILICAL:
Controla a energia sexual. Ligado ao elemento água.
CHACRA BÁSICO:
Controla os membros inferiores e os instintos físicos.
Ligado ao elemento terra.
...e
a prática OCIDENTAL
A Ciência não
aceita a explicação oriental, mas reconhece diversos
efeitos da ioga sobre a saúde. Ela não substitui
o tratamento médico, mas pode ajudar no combate a diversas
doenças.
-
DEPRESSÃO: Reduz os sintomas. Numa pesquisa, um
estilo de ioga (sudarshan kriya) teve efeito equivalente ao de
um antidepressivo (imipramina) e só ligeiramente inferior
ao do tratamento de eletro-choque.
- ANSIEDADE:
Ajuda a reduzir a tensão dos pacientes. Mas, em casos graves,
pode levar algum tempo até produzir resultados.
- HIPERATIVIDADE:
Aumenta a concentração.
- INSONIA:
Grupos de idosos tratados com ioga tiveram mais horas de sono
que outros que fizeram exercícios convencionais ou tomaram
remédios herbais, segundo um estudo feito na índia.
- ASMA:
Reduz a freqüência e a intensidade dos ataques e pode
diminuir a necessidade de remédios. Não se sabe
se o benefício é causado pela respiração
mais eficiente ou pelo alívio do estresse.
- INSUFICIENCIA
CARDÍACA: Melhora a absorção de
ar nos pulmões dos pacientes.
- HIPERTENSAO:
É mais eficiente que diversos tipos de exercício,
mas não substitui os remédios. É um dos problemas
para os quais o efeito é mais rápido.
- COLESTEROL:
Não substitui remédios, mas ajuda a reduzir
o nível total de colesterol, o colesterol ruim (em até
25%, segundo uma pesquisa) e os triglicérides.
- DOR NAS COSTAS:
Um estudo comparou um tipo de ioga (viniyoga) a dois tipos de
exercícios indicados por médicos. Alongo prazo,
os efeitos da ioga foram melhores.
- DIABETES TIPO
2: Melhora os níveis de tolerância à
glicose e de sensibilidade à insulina. Reduz a fome, prevenindo
a obesidade, que é fator de risco.
- IRRITAÇÃO
NO CÓLON (PARTE DO NO INTESTINO): Melhora a qualidade
de vida dos pacientes. Estudos na índia sugerem efeito
equivalente ao das terapias convencionais.
- ARTRITE REUMATÓIDE:
Alivia as dores e diminui a freqüência das crises.
Olhe para
câmera e diga om
– A moda da
ioga, nos Estados Unidos, é turbinada pelas celebridades.
Para alegria dos paparazzi.
Madonna:
Em sua turnê Re-Invention,
a cantora uniu algumas posições de ioga a suas coreografias
de palco. Elas ajudam a explicar como ela mantém a forma
aos 47 anos
Sharon
Stone:
A atriz, de 48 anos,
que estudou na academia Vipassana, na índia, pratica ioga
à vontade numa praia de Bora Bora, na Polinésia
Francesa
Woody
Harrelson:
Ecologista militante,
vegetariano e pacifista, o ator participa de uma demonstração
de adeptos da ioga pela paz no Canadá.
Christy
Turlington
A modelo canadense,
de 37 anos, faz uma postura ao lançar sua linha de roupa
esportiva para ioga. Ela é adepta há 19 anos e vende
vídeos com aulas da prática.
Quem inventou a ioga
A prática
está toda resumida num livro escrito há cerca de
2.000 anos.
Sobre seu autor - cujo nome seria Patañjali - sabe-se muito
pouco
A
palavra "yoga" vem do sânscrito, uma língua
antiga que está para os indianos como o latim para o português.
Ela praticamente não é usada no dia-a-dia, mas sobrevive
quase unicamente em cerimônias religiosas. "Yôga"
significa ao mesmo tempo "união" e "jugo"
- a busca da união entre o homem e o universo e o desejo
de alcançar o domínio sobre o próprio corpo,
sobre suas vontades e suas limitações. Pergunte
a um hindu quando ioga foi criada, e ele responderá: "Com
o Universo". Esse é o raciocínio oriental.
Pesquisadores ocidentais estimam a data das primeiras formas da
ioga em 5.500 anos atrás. As primeiras referências
a práticas que lembram a ioga estão na literatura
védica, de aproximadamente 1.500 a.C. As imagens em esculturas
dessa mesma época mostram pessoas praticando exercícios
que lembram os ássanas, ou posturas, da ioga moderna. Embora
a ioga não seja uma religião, algumas correntes
afirmam que quem a inspirou foi Brahma, um dos três principais
deuses do panteão hindu, representante da força
criadora - em oposição a Shiva, a força destruidora,
e a Vishnu, a força conservadora.
Como
acontece com a Bíblia e com tantos outros livros da Antiguidade,
as informações sobre os autores dos primeiros manuscritos
acerca da ioga são muito escassas. O primeiro livro a respeito
do assunto foi escrito por volta do ano 500 a.C., segundo os pesquisadores
indianos. Se essa estimativa for correta, ele terá sido
produzido no mesmo período em que a filosofia florescia
na Grécia Antiga. O livro se chama Yoga Sutra (Manual da
Ioga), e sua autoria é atribuída a um sábio
chamado Patañjali.
A exemplo dos autores de outros livros antigos, Patañjali
provavelmente é mais de uma pessoa. A Enciclopédia
Britânica considera que a maior parte do Yoga Sutra foi
escrita por volta de 200 a.C., enquanto o último capítulo
deve ter a data aproximada de 500 d.C. Se¬gundo os especialistas,
Patañjali é um pseudônimo, pois seu nome não
faz nenhuma referência à casta do autor, ao mesmo
tempo que sugere descendência da grande serpente, Ananta,
que representa a eternidade e o infinito. No panteão hindu,
Ananta vive no céu e deixa que Vishnu, um dos principais
deuses, descanse deitado sobre seus anéis. Por isso, como
outros sábios da Antiguidade, Patañjali é
muitas vezes representado como metade homem, metade cobra.
Os estudos do Yoga Sutra são feitos principalmente por
meio de comparações com outros textos históricos,
como o dos upanixades e do tantra, escritos de outras culturas
da índia antiga. O Yoga Sutra tem apenas 196 versos. Em
tamanho, é comparável a um livro do Velho Testamento.
"A ioga era transmitida por uma tradição oral.
Nesse tipo de civilização, os textos são
muito sintéticos, para que possam ser facilmente memorizados",
diz o escritor Manoel Collaço Veras, que prepara uma versão
comentada do Yoga Sutra em português. "Para cada verso,
porém, os sábios guardavam uma série de interpretações.
Por isso mesmo, as edições comentadas têm
diversas páginas de observações sobre cada
um dos versos." Para completar as suas, Collaço deve
levar pelo menos mais um ano.
“Para
cada verso do Yoga Sutra, os sábios guardavam uma série
de interpretações” Collaço Veras, escritor
e estudioso de ioga que prepara uma edição comentada
do livro.
Qual
é seu tipo de ioga?
Há
centenas de escolas de ioga, algumas delas ainda restritas à
índia. Elas vão do Bhakti (praticado pelos Hare
Krishnas), com fortes conotações religiosas, ao
Tantra Yoga, que aborda a sexualidade. No Brasil, a grande maioria
é derivada do Hatha Yoga, que enfatiza a atividade física.
As mais comuns são:
HATHA
YOGA
A ioga tradicional.
Ela combina relaxamento, meditação, técnicas
de respiração com alongamentos em proporções
equivalentes. Recomendada para: pessoas de todas as idades, de
ambos os sexos, mesmo que tenham problemas de saúde
ASHTANGA
VINYASA
Divulgada por Patthabi
Jois, um dos grandes mestres vivos. Exige movimentos intensos
e atenção ao controle da respiração.
É a versão original do Power Yoga. Recomendada para:
aqueles que procuram unir os benefícios da ioga com exercícios
físicos intensos.
POWER
YOGA
Versão americana
do Ashtanga Vinyasa, com mais malhação e menos meditação.
Uma dissidência dessa vertente, chamada Jivamukti Yoga -
praticada por Madonna e Sting - tenta revalorizar a meditação
e o relaxamento. Recomendada para: quem quer ficar com o corpo
da Madonna.
KUNDALINI
Além das posturas
e da meditação, enfatiza muito a respiração
e os mantras
Recomendada para: quem deseja trabalhar com os meridianos de energia
e o conceito de "energia sutil".
IYENGAR
YOGA
Uma das formas de ioga
moderna, criada por B.K.S. lyengar, outro dos grandes mestres
vivos. Seu objetivo principal é o alinhamento do corpo.
Utiliza acessórios, como bloquinhos de madeira ou almofadas,
para ajudar as pessoas com dificuldades ou problemas de saúde
a executar determinadas posições Recomendada para:
quem busca ajuda para problemas físicos - como dores na
coluna - ou doenças de fundo psicológico.
VINIYOGA
Prega a adaptação
da ioga às características de cada aluno. Oferece
aulas com turmas pequenas e atenção máxima.
É o estilo pregado pelo filho de Krishnamacharya. Recomendada
para: quem quer aprender ioga para depois praticar sozinho, em
casa. E também para aplicações terapêuticas.
INTEGRAL
Criada pelo mestre Aurobindo,
um dos primeiros representantes da ioga moderna. Preocupou-se
em tornar as práticas acessíveis para os ocidentais
E um dos tipos mais estudados pelos médicos americanos.
Recomendada para: quem quer combater o estresse ou resolver problemas
físicos.
SIVANANDA
Um dos primeiros tipos
a chegar ao Ocidente. Sintetiza diversas linhas da ioga tradicional.
Exige que o aluno mantenha a prática com rigor absoluto.
Recomendada para: quem pretende mergulhar na cultura da ioga.
COLABOROU
MATHEUS LEITÃO, DE BRASILIA
Fonte: Revista
Época - 10 de julho 2006
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