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busca pelo Si-Mesmo
No campo a Busca
Aqui
inicia-se a busca pelo Boi. O Boi aqui representa
seu Purusha, alma ou Self, o ser.
É
o começo da busca espiritual, a sua busca
pelo Si-mesmo, pela natureza da iluminação
dentro e fora de si.
No
Sansara (mundo exterior) somos tão perturbados
por desejos, medos, ansiedade, stress diário,
confusão, ilusões e principalmente
perdas. O Lama Super Das aponta que “precisamos
aprender que o universo nos matriculou na universidade
da vida, que se chama perda”
O
buscador percebe que perdeu algo, que está
distante de si. É como se algo estivesse
faltando em sua vida. Em verdade, o Boi nunca
se perdeu, isso é uma ilusão e
o mestre zen Kakuan disse a respeito da figura:
“O
Boi nunca se extraviou realmente e, então,
por que procurá-lo? Tendo voltado as
costas para sua Verdadeira natureza, o homem
não pode vê-lo. Por causa de sua
corrupção, perdeu de vista o Boi.
Repentinamente, ele se defronta com um labirinto
de caminhos encruzados. A ambição
de ganho terreno e o pavor da perda surgem como
chamas extintas, idéias de certo e de
errado projetam-se como adagas”
Encontrando as pistas
Aqui
o buscador abandona sua vida mundana e parte,
ainda não sabendo o que esperar, em busca
do boi (do essencial da sua vida). Ele observa
algumas pistas em pegadas. Em nossa vida, essas
pegadas podem ser vistas em práticas
de meditação, yoga, Tai Chi Chuan
ou o contato com o mestre. O místico
e filosofo Sócrates ensinou que uma vida
não examinada, não vale a pena
ser vivida. O mestre Kakuan aponta:
“Ele é incapaz de distinguir o
bem do mal, a verdade da mentira. Não
passou realmente pelo portão, mas tenta
ver os rastros do Boi”
Vislumbre o Boi
O
Buscador tem um vislumbre do Boi, do Si-Mesmo
que lhe dá a confiança que esta
no caminho certo. É necessário
alguns passos para tocá-lo. Para isso
deve-se abandonar velhos padrões do passado,
romper conceitos limitantes, reconhecer nossas
sombras e instintos, reconhecer a Si-Mesmo como
o Buda, o iluminado.
O
monge budista Bojo Guksa apontou:
“Exibindo
seus chifres, o búfalo berra audivelmente,
Correndo ao largo do caminho da montanha na
distância. Uma mancha de nuvens negras
paira sobre o vale, O Búfalo esmaga as
mudas de trigo por onde passa.”
Agarrando o Boi
O
Buscador se dá conta da grandiosidade
do que está procurando e através
de sua força e disciplina nas buscas
pelo Si-Mesmo tenta controlar o Boi. Ensina
Bojo Guksa:
“Hoje
ele encontrou o Boi, que tinha estado longamente
corcoveando nos campos agrestes, e, realmente,
o agarrou. Por tanto ele esteve vagando pelos
arredores que não era fácil romper
com os velhos hábitos. Continua a ansiar
por pastagens cheirosas, é ainda obstinado
e indomável. Se o homem quiser domá-lo
inteiramente, tem de usar seu chicote.”
Poucos
são os buscadores de verdade que através
da disciplina prossegui no caminho. O chicote
aqui representa essa disciplina espiritual.
Controle Inicial
Através
de práticas e treinamentos adiantados
de medição ou contemplação
(entrega) ou dos ensinamentos dos Mestres é
reconhecido a força interna que permite-se
agarrar o Boi. Esse é o poder dos Budas.
O
buscador teve aqui sua 1º experiência
mística que aponta o retorno ao nosso
“lar”.
Ainda
há desequilíbrios na vida e deve-se
seguir com persistência segurando a corda
não permitindo que o Boi se extravie.
“Controlado
por uma corda através do seu nariz, O
búfalo corre velozmente sob o chicote.
Não é coisa fácil superar
um temperamento teimoso. Conforme o garoto luta
muito para conduzir o búfalo”
Bojo Guksa
Após
a força inicial para domá-lo,
o Boi obedece a seu mestre. É a libertação
tão apontada por todos os Budas.
Sob controle
O
buscador relaxa em cima do Boi de forma celebrativa
tocando uma flauta. Ele sente-se livre e reconhece
sua verdadeira natureza. É o Moksha ou
libertação (vazio).
“Sob
o choupo verde, pelo caminho antigo, o búfalo
move-se em harmonia com a natureza, Retornando
ao pôr-do-sol sobre a campina fragrante,
o búfalo segue o garoto, que soltou a
corda.”
O
monge Bojo Aponta:
“Dormindo muito
satisfeito sob o céu, O búfalo
nunca mais precisará do chicote. O garoto,
sentado sob o pinheiro, Começa a tocar
uma musica tranqüila, alegre.”
“cessou
a luta, ‘ganho’ e ‘perda’
não mais o afetam. Ele cantarola as melodias
rústicas dos lenhadores e toca os cantos
simples das crianças da aldeia. Montado
no Boi contempla serenamente as nuvens no alto.
Não volta a cabeça na direção
das tentações. Embora alguém
possa tentar perturbá-lo, permanece impassível”
Relaxamento
O
Buscador chega em “casa”. Ele está
livre. O touro desapareceu, foi esquecido e
isso mostra o “fim das Buscas”.
Tudo é reconhecido como a “Natureza
do Buda”
O
mestre Zen Kakuan aponta:
“No Dharma não
há dualidade. O Boi é a Natureza
primitiva: Ele o reconhece agora. Uma armadilha
não é mais necessária quando
se apanhou um coelho, uma rede torna-se inútil
quando se pegou um peixe. Como o ouro separado
da escória, como a lua que atravessa
as nuvens, um raio de Luz irradiante brilha
eternamente”
Vazio
Estado
de Pureza e consciência pura e límpida.
Os iluminados reconhecem o vazio ou a alma/Espírito
de tudo o que está em nossa volta. Não
existe julgamentos. Aonde há fumaça....
há fogo.
Bojo ensina:
“Tanto garoto como
o búfalo não se encontram em parte
alguma, A lua ilumina o vazio imenso. Se em
busca do significado de tudo isso. Olhe para
as flores silvestres e para a grama fragrante”
“Eu
sou um buda e supera rapidamente o estagio de
‘Agora me purifiquei do orgulhoso sentimento
de que não sou Buda’. Mesmo os
mil olhos [dos quinhentos Budas e Patriarcas]
não podem discernir nele uma qualidade
especifica. Se centenas de pássaros fossem
agora juncar de flores o seu quarto, ele não
poderia envergonhar-se de si mesmo”
Kakuan em Kapleau
Dissolução
Tudo é
exatamente como se é...
O relaxamento é total.
A brincadeira divina (Leela) é plena.
Não existe boi nem
buscador. Não existe diferença
entre o interior e o exterior.
“Ele
observa o crescer e o decrescer da vida no mundo
enquanto permanece imparcial, num estado de
imperturbável serenidade. Esse [crescer
e decrescer] não é fantasma ou
ilusão, porém, uma manifestação
da Fonte. Por que então há necessidade
de lutar por alguma coisa? As águas são
azuis, as montanhas verdes. Só consigo
mesmo ele observa a mudança incessante
das coisas”
Kakuan em Kapleau
O Retorno
O Buscador
volta ao mundo e reconhece sua iluminação
e a de todos os seres.
O mestre
Osho dizia: “estamos no mundo, mas não
somos o mundo”
Jesus apontava:
“O meu reino não é daqui”
Relaxe.
“O
portão de sua casinha está fechado
e mesmo os mais sábios não podem
encontrá-lo. Seu panorama mental desapareceu
por fim. Segue seu próprio caminho não
tentando seguir os passos de antigos sábios.
Carregando uma cabaça [de vinho], passeia
pelo mercado; apoiado em seu bordão,
volta para casa. Ele guia os estalajadeiros
e peixeiros no caminho de Buda”
Kakuan em Kapleau
O Mestre Zen, que “sabe”
que tudo é Buda, pode agora voltar às
atividade dos estágios iniciais com uma
perspectiva diferente.
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