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Há
momento que buscamos o silêncio para refletir
sobre a vida. Andei em direção
ao rio. Cheguei e me sentei. Fiquei admirando
as águas. Elas buscam o seu caminho em
direção ao seu objetivo que é
o mar.
Ao
estar à beira do rio presenciei algo
importante: um barco antigo, lento, barulhento
e pouco veloz. Ele movia-se pelas águas.
Observei que alguém estava ali. Vi que
este homem também observava o barco.
Como
que por encanto entrei em sintonia com ele.
Estava sentindo e vendo o que o intrigava.
O homem
começou a pensar “para percorrer
o trajeto vou demorar muito tempo. É
melhor esperar e pegar a próxima embarcação.”
Percebi
que muitos correm a vida toda. Muitos nem sabem
para onde vão. Parece que a pressa tira
todo o brilho da vida.
Em pouco
tempo chegou uma embarcação nova
e reluzente. Parecia algo inimaginável.
Havia algo que extasiava. A água movia-se
rápida e de modo suave. O barco movia-se
como um pensamento. Parou ali em frente ao homem.
Parecia que percebeu a vontade deste homem.
Subiu sem pestanejar.
Ao
embarcar foi surpreendido. O barco movia-se
tão rápido que pensou: “
como vou apreciar a margem do rio. Chegarei
rápido, mas sem aproveitar.”
A vida oferece
seus encantos. Nem sempre temos a oportunidade
de conhecer e viver sua poesia. Muitas vezes,
torna-se tão penosa que muitas pessoas
desejam seu fim para acabar o seu sofrimento.
Em outros
momentos a beleza da vida não é
percebida. Tudo passa de modo tão automático
que tudo parece igual. O sol de ontem é
o mesmo de hoje. A cada dia que passa foi um
tempo que não trouxe nada de novo.
Perdeu-se
a oportunidade de aprender algo naquele dia.
Oportunidade que não volta mais. Tempo
que se foi e não se recupera mais. Serão
outros tempos e novas oportunidades.
Como
perceber que o sol nasce a cada dia diferente?
Que a vida é uma possibilidade de mudança?
Que o indivíduo possui a capacidade e
o arbítrio para escolher o que quer viver
e onde quer viver?
Mas
este barco era diferente. Parou com o seu pensamento.
Como se tivesse adivinhado e entendido o dilema
daquele homem. Parecia que o tempo havia parado.
Percebi que as escolhas podem ser cruéis.
A encruzilhada desconhecida não deixa
opção: ou segue-se em diante ou
vira-se à esquerda. Pode-se ficar parado?
Só para reflexão. Pensar e repensar
é uma atividade humana. Contudo, nem
sempre é prático e fácil.

A embarcação
ficou ali imóvel e sem nenhum movimento.
O silêncio dilacerava a alma. Contudo,
o silêncio clamava por uma resposta. Não
que seja difícil responder. O difícil
é fazer a pergunta certa e no momento
certo.
Cabe
lembrar que alguns se movem para onde vai o
vento. Outros seguem a correnteza das águas.
Porém, poucos preferem trilhar seu próprio
caminho. Aliás, o constroem como parte
de sua história. É fazer a vida
ter um sentido, ou vários! Pois, viver
sem significado não é vida, é
um martírio. É como se fosse um
leão devorando as entranhas e estando
vivo. É um morto-vivo ambulante.
Nosso
amigo ficou pálido e assustado. Pensar
faz tomar decisões. Decisão leve
a caminhos nunca trilhados. E, toda ação
tem sua reação.
A
escolha parecia estar sendo definida. Afinal,
uma pergunta ecoava: qual caminho escolhe? Há
momentos que a luta é interna e ninguém
pode decidir e escolher por você.
Vi que
a questão não é mais o
caminho. Como construir a própria história?
A questão era o caminhar. O barco é
algo dispensável. O que adianta chegar
rápido se não há sentido
e significado. O vazio permanece. Sempre há
algo que inquieta.
Chegar
ao destino não é uma questão
de tempo! É a busca que garante a chegada.
E, esta busca somente pode ser pessoal. É
algo que surge de dentro.
As águas sempre se movem. As ondas sempre
estão ali. Mas, encontra-las e entende-las
exige percepção que nasce da busca
pessoal.
O significado da vida vem com a vida vivida.
Não vem com qualquer viver. E, não
vem do viver por viver. Assim, seria fácil
e sem esforço. Pra que sonhos e motivação?
Tudo seria desprezível. Mas, a vida não
é isso.
A vida
é inquietação o tempo todo.
A inquietação e a busca do caminho
fazem o colorido das flores. Estas cores devem
entrar pela pupila e mexer com aquilo que esta
dentro. A vida começa e esta dentro de
você! É daqui que brota a vontade
de caminhar! É deste solo fértil
que pode brotar e nascer uma força que
alimenta a vida e a caminhada.
A pessoa
ainda esta aí imóvel e de fronte
ao barco. O que deve fazer? Escolher seguir
em frente ou virar à esquerda? A decisão
é tua. Quer andar, há necessidade
de dar o primeiro passo. Quer chegar, há
necessidade de iniciar a caminhada. NÃO
PENSE NA CHEGADA. É PRECISO PARTIR. É
NECESSÁRIO DAR O PRIMEIRO PASSO.
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