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A
filosofia hindu afirma que na matéria
existe consciência e que na consciência
existe matéria. O Yoga quer pensar com
o corpo: através da experimentação,
os yogis da antiguidade descobriram que fazer
exercícios físicos de forma ritual
traz enormes conseqüências metafísicas.
O
yogi busca a inteligência que está
escondida no corpo, a consciência que
está escondida no corpo: esse é
o ponto de partida para poder achar a verdadeira
identidade. Esses exercícios se chamam
ásanas em sânscrito: são
um conjunto de técnicas altamente instigantes
e desafiadores, que podem exigir tudo no plano
físico, mas que não são
um fim em si mesmos.
Pode-se
dedicar uma vida inteira aos ásanas,
e nem por isso estará se fazendo Yoga.
O que faz a diferença é a atitude
que está por trás dos exercícios.
E, com a atitude correta, vem uma série
de coisas junto: alinhamento, inteligência
corporal, respiração consciente,
despertar das experiências do corpo sutil,
transformação do organismo, num
processo que poderíamos chamar de alquimia
corporal.
A
construção de um corpo novo está
vinculada com a iniciação, o novo
nascimento do praticante. Constrói-se
o corpo novo para perder a identificação
com o ‘antigo’, vinculado a couraças
de tensão muscular, samskáras
ou latências mentais.
O
Yoga quer dar um corpo novo ao praticante, que
ele mesmo irá construir, célula
por célula, fibra por fibra. Usando esse
novo corpo como instrumento, ele poderá
avançar a passos largos em direção
à meta do Yoga. O único que se
precisa ter é muita disposição
e força de vontade.
Entretanto,
é preciso ter muita consciência
e saber exatamente o que você faz ao praticar
ásana, e para que você pratica.
Se não for assim, corre-se o risco de
que o ego cresça em proporção
direta ao aumento da força ou da flexibilidade.
O
poder que dá o Yoga é para aniquilar
o ego, mas pode ser usado erroneamente, como
combustível para alimentá-lo.
Flexibilidade da coluna não é
sinal de progresso no Yoga. Se fosse assim,
os contorcionistas de circo seriam pessoas altamente
espiritualizadas. E você sabe que nem
sempre flexibilidade e espiritualidade vão
juntas.
A
sensação que se percebe ao fazer
estes exercícios é como a que
se tem depois de haver ficado durante muito
tempo no escuro, e sair repentinamente à
luz do dia. A atenção se localiza
apenas no momento presente: uma nova realidade
se nos revela e novas sensações
são descobertas. A conexão com
a fonte da existência fica firmemente
restabelecida. Quer experimentar?
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