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TODOS OS SISTEMAS LEGAIS nada mais são do que a vingança da sociedade, vingança contra aqueles que não se adaptam ao sistema. De acordo comigo, a lei não está protegendo o que é justo, ela está protegendo a mente da massa; se é justo ou injusto, não tem importância. A lei é contra o indivíduo e a favor da massa; é um esforço para restringir o indivíduo e sua liberdade, sua possibilidade de ser ele mesmo.
As últimas pesquisas científicas são muito reveladoras - um certo percentual das pessoas classificadas como criminosas não é responsável por seus crimes. seus crimes são genéticos, foram herdados. Da mesma maneira que um cego não é responsável pela sua cegueira, um assassino não é responsável pela sua tendência homicida. Ambos herdam a tendência: um para a cegueira, o outro para cometer assassinatos.
Atualmente, é um fato cientificamente confirmado que punir alguém, por qualquer crime, é simplesmente idiótico. É quase como punir alguém porque tem tuberculose, mandá-lo para a prisão porque está sofrendo de câncer. Todos os criminosos são doentes, psicológica e espiritualmente, ambos.
Em minha visão de comuna, os tribunais não serão constituídos por especialistas em leis; eles se constituirão de pessoas que entendem de genética e de como os crimes são transmitidos de geração para geração. Elas (levem decidir, não por qualquer punição, porque toda a punição é errada - não somente errada, toda a punição é criminosa.
O homem que fez algo errado deve ser enviado à instituição certa - a uma instituição psiquiátrica, a uma escola para tratamento psicanalítico ou talvez a um hospital onde possa ser operado. Ele necessita da nossa compreensão, do nosso amor, da nossa ajuda. Ao invés de dar-lhe nossa compreensão e amor. durante séculos lhe demos apenas punição. O homem tem cometido tanta crueldade por trás de nomes tão bonitos como ordem, lei. justiça.
O novo homem não terá nenhuma cadeia. não terá nenhum juiz, não terá nenhum especialista em leis. Eles são absolutamente desnecessários, são crescimentos cancerosos no corpo da sociedade. Certamente haverá cientistas compreensivos, seres meditativos e compassivos, capazes de descobrir porque um certo homem cometeu estupro. Ele é realmente responsável'? De acordo comigo, de nenhum modo ele é responsável. Ele cometeu o estupro ou porque os sacerdotes e as religiões ensinaram o celibato e a repressão. por milhares de anos - esse é o resultado de uma moralidade repressiva - ou porque tem hormônios que biologicamente o compelem a cometer o estupro.
Embora vocês estejam vivendo em uma sociedade moderna. a maioria de vocês não é contemporânea, porque vocês não estão cientes da realidade que a ciência continuamente descobre. Seu sistema educacional os impede de descobrir isso. suas religiões os impedem de descobrir isso. seus governos os impedem de descobrir isso.
O homem que estupra talvez tenha mais hormônios do que aquelas pessoas moralistas que conseguem viver com uma única mulher por toda a vida. pensando que são morais. Um homem com mais hormônios necessitará de mais mulheres: o mesmo pode acontecer com uma mulher. Não é uma questão de moralidade, é uma questão de biologia. Um homem que estupra necessita toda a nossa compaixão: necessita uma determinada operação na qual seus hormônios extras sejam removidos, e ele se aquietará, se acalmará.
Castigá-lo é simplesmente um exercício de estupidez. Castigando-o, você não pode mudar seus hormônios; jogando-o na cadeia você criará um homossexual, ou algum outro tipo de pervertido. Foi feita uma pesquisa nas prisões americanas: trinta por cento dos internos são homossexuais. Isto de acordo com a confissão deles - não sabemos quantos não confessaram. Trinta por cento não é um número pequeno. Nos monastérios o número é maior: cinqüenta. sessenta por cento. Mas a responsabilidade recai sobre o nosso apego idiótico a religiões que estão ultrapassadas, que não são embasadas e alimentadas pela pesquisa científica.
A comuna do novo homem será baseada na ciência e não na superstição. Se alguém faz algo que é prejudicial à comuna, então seu corpo deverá ser examinado - talvez necessite de alguma mudança fisiológica ou biológica; sua mente precisa ser examinada - talvez ele necessite de alguma psicanálise. A possibilidade mais profunda é que nem o corpo nem a mente sejam de qualquer ajuda; isso significa que ele necessita de uma profunda regeneração espiritual, uma profunda limpeza meditativa.

Ao invés de tribunais, deveríamos ter centros meditativos de diferentes tipos, de tal forma que cada indivíduo possa encontrar seu próprio caminho. Ao invés de especialistas em leis, que são simplesmente irrelevantes - são parasitas sugando nosso sangue - teremos cientistas de diferentes áreas nos tribunais, porque alguém pode ter uma imperfeição química, alguém pode ter uma imperfeição fisiológica, alguém pode ter uma imperfeição biológica. Necessitamos de todos os tipos de especialistas, de todas as áreas e escolas de psicologia, de todos os tipos de meditadores, e poderemos transformar as pobres pessoas que têm sido vítimas de forças desconhecidas e que têm sido punidas por nós. Elas têm sofrido duplamente.
Em primeiro lugar, elas estão sofrendo de uma força biológica desconhecida. Em segundo lugar, elas estão sofrendo nas mãos de nossos juízes - que nada mais são do que carniceiros, capangas dos políticos - de nossos advogados, de todos os tipos de especialistas em leis, de nossos carcereiros. Isso é simplesmente tão insano, que parecerá inacreditável aos seres humanos do futuro.
É praticamente como no passado: loucos eram espancados para se curarem de sua loucura. Pessoas que eram esquizofrênicas eram tidas como sendo possuídas por fantasmas, e eram espancadas quase até a morte - isso era considerado como um tratamento. Milhões de pessoas morreram por causa de grandes tratamentos.
Agora simplesmente dizemos que aquelas pessoas eram bárbaras, ignorantes, primitivas. O mesmo será dito a nosso respeito. Eu já estou dizendo isto: nossas cortes são bárbaras, nossas leis são bárbaras. A própria idéia de punição é anti-científica.
Não existe ninguém no mundo que seja criminoso. Todos são doentes, todos necessitam de compaixão e de uma cura cientifica, e a maioria dos crimes vai desaparecer.
Mas primeiro a propriedade privada deve desaparecer: a propriedade privada cria ladrões, bandoleiros, batedores de carteiras, políticos, padres.
A política é uma doença.
O homem tem sofrido de muitas doenças, sem nem ao menos perceber que se tratava de doenças. Ele tem punido pequenos criminosos e tem adorado grandes criminosos. Quem é Alexandre, o Grande? - um grande criminoso que assassinou pessoas em grande escala. Adolf Hitler, sozinho, matou milhões de pessoas, mas ele será lembrado na história como um grande líder de homens.
Napoleão Bonaparte, Ivan - o Terrível, Nadirshah, Gengis Khan, Tamerlane - todos criminosos em vasta escala. Mas seus crimes são tão grandes, que talvez você seja incapaz de conceber... Eles mataram milhões de pessoas, queimaram vivas milhões de pessoas - mas não são considerados como criminosos. E um mero batedor de carteira, que pega uma nota de um dólar de seu bolso, será punido pelo tribunal.
Uma vez que a propriedade privada desapareça... E numa comuna não vai haver propriedade privada, tudo pertencerá a todos. Naturalmente o roubo vai desaparecer. Você não rouba água para acumular, você não rouba ar. Uma comuna deve criar tudo em tal abundância, que até mesmo a pessoa retardada não possa pensar em acumular. Qual é o propósito? Tudo está sempre disponível, fresco.

O dinheiro deve desaparecer da sociedade. Uma comuna não necessita de dinheiro. Suas necessidades deveriam ser satisfeitas pela comuna.
Todos devem produzir e todos devem tornar a comuna mais rica, mais afluente - aceitando o fato de que algumas pessoas serão preguiçosas. Mas não há prejuízo nisto.
Em cada família você encontrará alguém que é preguiçoso. Alguém é um poeta, alguém é um pintor, alguém simplesmente persiste em tocar sua flauta - mas você ama a pessoa. Uma certa percentagem de pessoas preguiçosas será respeitosamente permitida. Na verdade, uma comuna que não tenha pessoas preguiçosas será um pouco menos rica do que outras comunas, que têm alguns preguiçosos que não fazem nada a não ser meditar, que não fazem nada a não ser tocar seus violões, enquanto os outros estão trabalhando nos campos. Uma visão um pouco mais humana é necessária; e essas pessoas não são inúteis. Elas podem parecer improdutivas pois não produzem bens, mas estão produzindo uma certa atmosfera alegre, jovial. A contribuição delas é importante e significativa.
Com o desaparecimento do dinheiro como meio de troca, muitos crimes vão desaparecer. Na medida em que as religiões desapareçam, com suas superstições e moralidades repressivas, crimes como o estupro, perversões como o homossexualismo, doenças como a AIDS deixarão de existir. E quando, desde o início, cada criança é educada com uma reverência pela vida - reverência pelas árvores porque elas estão vivas, reverência pelos animais, reverência pelos pássaros - você pensa que esta criança um dia poderá se tornar uma criminosa? Isto será quase inconcebível.
E se a vida é uma alegria, cheia de canções e danças, você pensa que alguém desejará cometer suicídio? Noventa por cento dos crimes desaparecerão automaticamente; somente dez por cento dos crimes talvez permaneçam, crimes genéticos que necessitam de hospitalização – mas não de cadeias, prisões, não de pessoas sentenciadas à morte. Tudo isso é tão feio, tão desumano, tão insano.
A nova comuna, o novo homem, podem viver sem nenhuma lei, sem nenhuma ordem. O amor será a sua lei, a compreensão será a sua ordem.
A ciência será, em cada situação difícil, o último recurso do homem. |